O blog “Futebol, Coisa e Tal”, do jornalista Gilmar Ferreira, fez um alerta ao Botafogo antes do jogo ida com o Atlético-MG pela Copa Sul-Americana. Segundo ele, o time trava no baixo rendimento ofensivo de Diego Souza, que tem números inferiores a Kieza.

Confira o texto abaixo, publicado antes do jogo:

“Não é demais acreditar que o Botafogo possa passar pelo Atlético-MG neste primeiro jogo do mata-mata valendo vaga nas quartas da Sul-Americana.

Mas se Diego Souza não se mostrar disposto a fazer a diferença, as chances de o torcedor alvinegro sair do Nílton Santos desesperançoso são enormes.

Porque o jogador contratado ao São Paulo para ser a referência ofensiva simplesmente ainda não se tocou para a importância dele no time de Eduardo Barroca.

Um time que tem fraco desempenho de ataque, com oito gols em onze rodadas – melhor apenas do que CSA (3) e Avaí (4), os dois últimos colocados da tabela.

Aos 34 anos, Diego Souza não precisa ser aquele jogador intenso, que rodava o campo, ditando o ritmo, puxando o time e fazendo os gols.

Não é isso que se cobra de um dos maiores andarilhos do futebol brasileiro…

O fato é que ele já fez 17 partidas com a camisa alvinegra e tem apenas três gols marcados.

Precisamente: um contra a Portuguesa no Estadual, outro contra o Sol de América na Sul-Americana e o último contra o Vasco pelo Brasileiro, em junho.

Pouco, ou quase nada, para quem chegou ao clube com a missão de resolver o problema da falta de gols que minava o time então comandado por Zé Ricardo.

E hoje os números do DS7 são piores do que o de Kieza.

O centroavante, hoje no Fortaleza, fez dez gols em 40 jogos com a camisa alvinegra em 2018, média de um gol a cada quatro partidas.

No Botafogo, Diego já fez 17 em 2019 e tem esses três gols mencionados acima, média de um a cada 5,6 jogos.

No ano passado, atuando como “falso nove” em 32 partidas pelo São Paulo, marcou doze gols – média 2,6.

E quatro deles nos dez primeiros jogos do time no Brasilleiro – média de 2,5.

Kieza, nas dez primeiras rodadas daquela edição, havia marcado apenas três e os alvinegros já não suportavam a ineficiência.

Nesta edição, jogando pelo Botafogo, Diego Souza tem um gol em dez rodadas, média quatro vezes pior à estabelecida em 2018!

E Kieza, vestindo a camisa do Fortaleza, fez oito jogos do Brasileiro e ainda não balançou as redes.

É evidente que não se deve comparar o talento e o histórico de um com o do outro – não é isso.

A intenção é mostrar que o Botafogo tem ido para os jogos com apetite para devorar um touro, mas sem dentes afiados para cortar a carne.

Por isso, tem claudicado tanto, embora seja o quarto time com maior posse de bola na competição, atrás de Santos, Grêmio e Fluminense.

Diego Souza, segundo dados do Footstats, tem em média uma finalização por jogo (11 em dez jogos), com índice de aproveitamento de 36.4%.

Ou, por tempo de jogo, algo em torno de uma finalização a cada 76,7 minutios – muito pouco para fazer dele uma boa referência ofensiva.

Se os números, ao menos, fossem bons em assistências, talvez o time andasse melhor no campo ofensivo.

Mas não são: Diego tem um passe para um gol marcado, e sete para finalizações do time à baliza adversária.

E, de novo, por tempo de jogo: em 844 minutos, tem um para um gol feito e sete para finalizações do time – média de uma a cada 120 minutos.

Entendo, disso tudo, que o maior desafio hoje do técnico Eduardo Barroca é descobrir a real utilidade de Diego Souza na construção do time.

Porque a frieza do números mostra que algo precisa ser feito…”

Fonte: Blog do Gilmar Ferreira - Extra Online