Quando seu time é eliminado pelo seu rival numa semifinal e você não fica muito puto, é sinal de quem tem algo bastante errado. A sensação de alívio por ninguém ter se machucado foi maior que a insatisfação de ser eliminado em uma competição que não valia nada mais que a zoação na padaria no dia seguinte.

O Alvinegro mandou bem demais em utilizar os reservas durante praticamente todo o Campeonato Carioca. No entanto, pela primeira vez em 2017, a comissão técnica errou em sua estratégia e colocou os titulares, que chegaram ontem de uma maratona de jogos e viagens. O resultado foi um time cansado, pouco inspirado e quase imóvel em campo.

O Botafogo vacilou em colocar seus titulares na partida contra o Flamengo. Se Jair Ventura aparentava exaustão antes do jogo – algo admitido por ele em entrevista no campo – imaginem os jogadores. Após verdadeiras batalhas na Colômbia e no Equador, era hora de utilizar novamente os suplentes.

Nada me tira da cabeça que essa decisão teve influência do presidente Carlos Eduardo Pereira e sua interminável birra com o Flamengo. E pode piorar: com o desgaste da equipe piorado ainda mais com o campo pesado e sob chuva, é possível que alguns titulares não entrem em campo diante do Sport, na quarta-feira, pela partida de ida das oitavas de final da Copa do Brasil.

A partida começou parelha e com baixo nível técnico. Poucas chances foram criadas por ambos os lados. Na segunda etapa, o Flamengo, que não jogava há 10 dias, começou a evidenciar a vantagem física diante de um time que vinha de duas guerras fora do país. Em uma bobeira da zaga, abriu o placar e, com a vantagem do empate, praticamente liquidou as chances do Botafogo.

O mais importante – e o que mais me deixou apreensivo durnate os 90 minutos – foi que, incrivelmente, não perdemos ninguém por lesão. Ser eliminado do Carioca, atualmente, é apenas menos um fardo. Infelizmente, o estadual mais charmoso de outrora, hoje, não passa de um torneio caça-níquel. E isso não é desculpa de perdedor – basta ler as crônicas anteriores aqui do blog em dias de vitória.

No mais, segue o jogo. É importante que nossos jogadores descansem e se recuperem para os desafios que estão por vir. Na Copa do Brasil, estamos a 8 jogos de um título nacional. Na Libertadores, estamos a uma vitória das oitavas de final. Com mais dois ou três reforços, o grupo mostrou estar preparado para lutar nas duas frentes. É só saber dosar. Pra cima deles, Glorioso!

Notas

Gatito Fernández: 6
Fez boa defesa à queima roupa no primeiro tempo. O primeiro gol era defensável, mas não era fácil. O chute forte e a bola molhada dificultaram a intervenção.

Fernandes: 4
Definitivamente, não consegue produzir na lateral. Foi facilmente envolvido pelas tramas do Flamengo e cometeu pênalti bobo. Nas poucas subidas ao ataque, errou passes fáceis.

Joel Carli: 6,5
A eficiência de sempre ao comandar a linha defensiva. Poderia ter sido poupado hoje, já que sua presença é fundamental na quarta-feira. Precisa apenas perder a mania de querer segurar e botar a mão no juiz, ainda pode prejudicar o time assim.

Emerson Silva: 7
Bom ver como evoluiu sua saída de bola, sua maior deficiência no ano passado. Vem crescendo muito em 2017.

Victor Luis: 5,5
Fazia partida mediana, mesmo visivelmente desgastado. Falhou no primeiro gol, entregando de cabeça nos pés do Guerrero. Tem muito crédito.

Rodrigo Lindoso: 5
Se descansado não vem produzindo muito, hoje que não seria diferente. Lento e disperso, não fez o meio-campo funcionar.

João Paulo: 6,5
Mostrou disposição, mas é outro que estava nitidamente prejudicado pelo cansaço.

Dudu Cearense: 5,5
Mais descansado que os outros, deveria ter produzido mais. Não conseguiu dar ritmo à saída de bola e foi envolvido pelo meio-campo do Flamengo.

Camilo: 5
Completamente sumido em campo. Em má fase e cansado, foi lucro não sair machucado.

Rodrigo Pimpão: 6,5
É incansável. Mesmo com a maratona, foi quem mais se apresentou, jogando aberto pela esquerda no 1º tempo e pela direita no segundo. Com o time estático, não conseguiu criar jogadas.

Roger: 5,5
Seu jogo mais apagado. Não apareceu para fazer o pivô e permaneceu isolado até ser substituído.

Sassá: 7
Entrou e correu pelos onze. Lutou o tempo todo, até conseguir sofrer um pênalti – e converter, como sempre faz. Deveria ter começado como titular.

Guilherme: 7
Junto com Sassá, entrou e deu mais mobilidade ao time. Fez algumas boas jogadas pelas pontas, dando trabalho à defesa.

Gilson: sem nota
Entrou no fim.

Jair Ventura: 5
Sua nota baixa é muito mais pela estratégia do que pelo jogo em si. Deveria ter entrado com os reservas descansados. Falou que estavam todos “novinhos em folha”, mas sabemos que não é verdade. Talvez tenha sido seu maior erro desde que assumiu.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC