A polêmica briga entre os clubes cariocas e a Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) chegou à CBF, que agora procura alguma forma de resolver o conflito estabelecido. Na cerimônia de posse de Marco Polo Del Nero, nesta quinta-feira, o assunto foi comentado. Os times que brigam contra a entidade estadual levaram uma proposta de liga para a confederação, segundo o blog do Mauro Cezar Pereira revelou nesta quinta-feira.

Del Nero já está ciente do conflito no Rio e adotou o tom de conciliação, pedindo harmonia, em seu discurso para buscar uma solução para a situação.

O presidente da CBF, porém, já adiantou que não vê a necessidade da criação de uma liga independente de clubes, ideia que está sendo estudada pelos presidentes do Rubro-Negro e do Tricolor, além de Atlético-PR e Cruzeiro.

Del Nero ainda disse que se os times quiserem formar uma entidade por fora da confederação, terão de arcar com os custos das outras divisões também.

“Nós temos que saber qual é a razão para formar liga. Com a liga, você vai formar uma nova diretoria, os clubes vão ter gastos com essa liga e não vão conseguir fazer o que a CBF faz. A CBF não cobra um tostão pelas competições da Série A e ainda ajuda as Série B, C e D. Se fizesse uma nova liga, quem paga a conta das Séries C e D? Se eles querem organizar, eles vão levar tudo, as outras séries também. O pedaço bom, todos querem levar. O outro pedaço, não”, afirmou Del Nero, que continuou falando sobre a forma de admnistração da entidade.

“A CBF precisa fomentar o futebol, como estamos fazendo, gastando dinheiro no futebol. Estamos fazendo todas as competições. Vamos analisar isso também. Mas acho que é muito difícil porque estamos fazendo tudo certinho. Essa casa é dos clubes, é do futebol, não é do Marco Polo. A CBF foi constituída pelos clubes. Eles precisam saber disso. Eles que determinam. Estamos aqui para fazer justiça entre eles, coordenar os interesses deles, impedir que aconteçam rusgas, brigas, queremos harmonizar”.

De uma lado da briga estão Eduardo Bandeira de Mello e Peter Siemsen, presidentes do Flamengo e Fluminense. Do outro, Eurico Miranda e Rubens Lopes, mandatários do Vasco e da federação, que ainda têm o Botafogo como aliado. Os quatro dirigentes estiveram presentes na cerimônia de posse na CBF, mas os inimigos políticos não se falaram durante a cerimônia na sede da entidade, e o clima de constrangimento ficou claro.

Rompido com a Ferj, o presidente rubro-negro Eduardo Bandeira de Mello já avisou que busca alternativas para 2016. Uma das opções é escalar um time B no Estadual e colocar os titulares para disputarem amistosos ou um novo torneio. Além do Fla e Flu, o Cruzeiro e os três clubes grandes do Paraná (Atlético-PR, Coritiba e Paraná Clube) também teriam interesse.

“Isso com certeza ja está com o Marco Polo Del Nero, ele está trabalhando nisso. Vamos ver no que será possível avançar. Se não houver mudança, vamos partir para uma solução alternativa que ainda não definimos qual é. O Del Nero está preocupado, ele gostaria que o ambiente fosse de harmonia. Ele fez um discurso pregando a modernização, a transparência, tudo que a gente sabe que a Federação não pratica”, disse o presidente flamenguista.

Logo em seu primeiro dia no cargo, Del Nero também deixou claro que não pretende acabar com os campeonatos estaduais, sempre explicando quevai dar espaço para os dirigentes colocarem as suas opiniões.

“Nós temos que valorizar os regionais. Os regionais eram valorizados em um período. Depois nasceram outros campeonatos e os regionais caíram. Temos que trabalhar para encontrar o equilíbrio. Os regionais não têm a sua importância só de tradição. Vou dar um exemplo em São Paulo. Essas competições mexem com muita cidade do interior e isso fomenta o futebol. Não podemos ter a mentalidade do europeu, nós temos que ter a mentalidade de um país continental. Fortalecer o regional, o Brasileiro, fortalecer o futebol de uma maneira geral”, discursou o presidente da CBF.

Fonte: ESPN.com.br