É ingrata a luta do Botafogo para retomar o lugar no futebol brasileiro que lhe pertenceu durante grande parte do século passado. A última oportunidade foi este ano mesmo, mas desperdiçada (assim como no caso do Flamengo) com o fiasco na Copa Libertadores. Foi durante 17 anos que o Botafogo passou longe da maior competição de futebol da América do Sul.

Durante todo esse tempo, o time tentou em vão recuperar as forças, superar quase duas décadas sem título importante, galgar pouco a pouco os degraus que o conduziriam de volta ao topo. Enfim, se aproximou do seu objetivo no ano passado, 2013, com um bom time – em que brilhava até um craque de renome internacional como Seedorf – e um técnico Oswaldo de Oliveira, que com algumas osciçações, acabou por dar a esse time uma fisionomia de Botafogo. Foi exatamente com a vaga na Libertadores que o clube consolidou a sua recuperação.

Pronto. Lá estava ele de volta ao seu posto mais elevado. Estava mesmo? Que nada. Depois de tanta persistência durante o ano inteiro de 2013, tanta bravura, o Botafogo não precisou de mais do que um mês de férias (ou um pouco mais) para botar tudo a perder. Jogadores importantes do time saindo às pressas – inclusive o consagrado Seedorf e o promissor Vitinho -, e o técnico Oswaldo de Oliveira trocando o clube pelo Santos, que não estava, nem está, na Libertadores. Para completar, colocou um técnico estreante (e que ainda pode vir a ser bom profissional) para dirigir um time desmanchado – e sem qualquer contratação à altura – numa competição árdua como a Libertadores.

Ou seja: o Botafogo deu um passo para trás, como que anulando o feito do ano anterior. Emperrou outra vez. Corre mais perigo ainda com a ameaça de atual de completar três meses sem pagar os salários dos jogadores e, por isso, perder esses jogadores.

Um novo treinador, Vágner Mancini, chega agora para começar tudo do zero e, por enquanto, sem perspectiva à vista. o pontapé inicial do Campeonato Brasileiro foi desanimador, não pela derrota para o São Paulo no Morumbi, mas pela forma como se deu, pela falta de vontade e de atitude do time. Se não vierem reforços – reforços mesmo, sem aspas -, ninguém gostaria de estar na pele do Vágner Mancini.

Fonte: Coluna do Fernando Calazans - O Globo