Herói em 2003, Camacho recorda pênaltis decisivos e revela que perdoou dívida do Botafogo: ‘Fui muito feliz’

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Por FogãoNET

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Camacho brilhou na Série B de 2003 e perdoou dívida do Botafogo
Reprodução/Canal do Wellington Arruda

Marcelo Ramiro Camacho, ou simplesmente Camacho, hoje com 40 anos, um personagem que marcou seu nome na história do Botafogo em um dos momentos mais difíceis do clube. Na Série B do Campeonato Brasileiro de 2003, na vitória por 3 a 1 sobre o Marília que decretou o acesso para a Primeira Divisão, coube a ele cobrar dois pênaltis decisivos e converter ambos.

A partida foi no dia 22 de novembro de 2003. O Botafogo precisava vencer o Marília no Caio Martins e contar com vitória do Palmeiras sobre o Sport para subir com uma rodada de antecedência. Camacho relembrou o momento.

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– O jogo estava 1 a 0 para nós, um gol em um chutaço do Sandro, aí teve um pênalti. Já era definido que eu era o primeiro batedor e o Leandrão o segundo. Pensei que tinha que fazer, não tinha jeito. Estava bem confiante. No segundo pênalti teve um lance engraçado. Peguei a bola, foi uma pressão do caramba para bater o primeiro, o Leandrão pediu para cobrar. Eu falei: “Agora?! Não, agora sou eu que bato”. Ficou mais marcante ainda porque teve o gol do Palmeiras ao mesmo tempo – contou Camacho ao canal do Wellington Arruda.

– Quando acabou o nosso jogo, não tinha acabado o do Palmeiras ainda. Ficamos na tensão, comemorando travados, se saísse um gol do Sport melava tudo. Acabou o jogo, aí foi alegria total. Uma das maiores felicidades que tive no futebol foi naquele dia – completou.

Veja o vídeo da vitória do Botafogo por 3 a 1 sobre o Marília:

Vale rever a narração de Luiz Penido do terceiro gol do Botafogo, simultâneo ao gol do Palmeiras:

Perdão a dívida do Botafogo

Com carreira construída no exterior (dez anos entre Arábia Saudita e Qatar), Camacho revelou que perdoou dívida que o Botafogo tinha com ele.

– O Botafogo não me deve nada. Quer dizer, ficou devendo só o bicho da subida para a Série A. Como tinha problema financeiro na época, não pagaram. Quitaram logo depois que eu saí, mas foi só para quem estava no clube. Falei com meu empresário, fomos deixando, mas caducou, morreu. Foi só isso – afirmou.

CONFIRA OUTRAS DECLARAÇÕES DE CAMACHO:

Chegada ao Botafogo

– Em 2002 estava no Volta Redonda, o time era bom, fizemos boa campanha no Caixão 2002, um dos jogos foi contra o Botafogo. Foi 3 a 3, joguei muito bem. Quando acabou a competição, o Abel (Braga) fez um comentário e se interessou. Cheguei no Botafogo no meio de 2002, era moleque, o time tinha muita gente experiente, Galeano, Odvan, Carlos Germano, Esquerdinha, eu não era titular. Quando cheguei, o clube caiu para a Segunda Divisão. Falei “meu Deus do céu, quando chego num time grande ele cai”. Teve reformulação, eu não ia ficar, me deram chance de três meses do Estadual, o Levir (Culpi) me deu chance. Foi difícil até chegar, batalha grande.

Temporada 2003

2003 foi um ano muito difícil no começo, mas muito prazeroso no final. Lembro que o Botafogo marcava treinos em dois períodos no Caio Martins, mas muitos jogadores não eram de Niterói, tinham que ir e voltar do Rio. Quando descobriu isso e viu que os jogadores estavam cansados, o Levir cortou os treinos em dois períodos. O Bebeto (de Freitas) foi muito importante, conseguiu um hotel para os atletas descansaram em Niterói entre os treinos, assim como conseguiu um hotel para a pré-temporada. Foi muito difícil chegar a um clube grande. Foram dois anos no Botafogo, parece pouco, mas foram muito intensos. Por isso criou-se um carinho muito grande, fui muito feliz, me marcou.

Levir, bota o Almir

– A torcida gostava muito do Almir, que tinha muita força, ia para dentro, em direção ao gol, fazia a diferença para nós em muitos jogos. Então até pegava no meu pé, pedia para o Levir me tirar do time. Mas ele me bancou como titular. Eu não estava mal, fazia bons jogos, mas os torcedores queriam o Almir. Então começaram a pegar no pé do Dill (risos).

Convivência com Valdo

Valdo foi um dos meus ídolos, tentei me espelhar nele. Chegou com 39 anos e treinava mais que eu, que estava começando. Eu falava “como é que pode?”. Magrinho, sequinho, sereno, profissional, fui muito feliz de ter ele como companheiro de clube. Você vai vendo os exemplos bons e absorvendo.

Carinho da torcida até hoje

– São 17 anos desde 2003, minha vida depois de sair do Botafogo foi toda na Arábia Saudita e no Qatar, fiquei dez anos, tive passagem rápida no Vitória e encerrei no Madureira. Fico emocionado porque tem muito tempo, não fui um ídolo, vira e mexe me falam desse jogo (contra o Marília), que significou a nossa subida para a Série A.

Saída do Botafogo em 2004 com aval de Marcos Paquetá

– Foi na janela de transferências no meio do ano, estavam montando times na Arábia Saudita, o auxiliar Cleber Oliveira (que trabalhou com o técnico Arthur Bernardes no Botafogo em 2002), foi trabalhar com o (Marcos) Paquetá no Al Hilal. Ele me indicou, Paquetá aceitou e tudo caminhou.

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Carreira no exterior

– No mundo árabe fiquei dez anos, entre Arábia Saudita e Qatar. No começo foi muito difícil, estava 24 anos, sair do Rio de Janeiro e chegar lá sozinho, cultura totalmente diferente, regime muito fechado, era complicado. Era treino, casa, treino. Até fui bem em campo, mas fora não estava legal, não estava feliz. Na reta final das competições, fiz gols importantes e tudo começou a mudar. No segundo ano já estava mais adaptado e feliz, então as coisas aconteceram melhor. Se não tivesse aguentado bem o primeiro ano, não teria ficado dez anos lá fora.

Teve chance de voltar ao Botafogo?

– Nunca chegou proposta para voltar ao Botafogo. Mas eu entendo, estava no mundo árabe e, sinceramente, seria muito difícil competir, porque a diferença em termos financeiros era muito grande. Precisava pensar em dar boas condições para a minha família, porque carreira de jogador dura pouco. Até vim um período para o Vitória, mas logo retornei para lá. Teve sondagens do Palmeiras e do Cruzeiro, mas do Botafogo não. Eu teria voltado em 2005 se não tivesse permanecido na Arábia Saudita, tinha isso na cabeça.

Aposentadoria no Madureira

– Vim encerrar a carreira no Madureira, foi uma oportunidade legal, de jogar perto de casa e meus familiares poderem me ver em ação antes de parar de jogar. Fui até bem, era um time muito bom, que quase chegou às semifinais e teve vários jogadores que despontaram, como o Rodrigo Lindoso, Thiago Galhardo, Rodrigo Pinho e Moisés. Fomos campeões da Taça Rio.

Confira o vídeo da entrevista de Camacho ao Canal do Wellington Arruda:

Fonte: Redação FogãoNET e Canal do Wellington Arruda

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