Contratado pelo Internacional durante a temporada de 2017 para ajudar o time a voltar à Série A, o meia Camilo chegou a Porto Alegre cheio de expectativas. Afinal, a decisão de trocar de clube passou também pelo fato de ter deixado o Botafogo contrariado com a perda de espaço após a chegada de Montillo. No entanto, viveu algo parecido no Colorado com outro gringo argentino. D’Alessandro, camisa 10 e ídolo incontestável da torcida, fez com que o ex-alvinegro se tornasse a opção principal do então técnico Guto Ferreira no banco. A boa aceitação com a reserva teve numa conversa sincera com o ex-técnico Guto Ferreira o fator fundamental.

– Cheguei no final do primeiro turno, eu e Damião, o Inter se encontrava numa situação muito difícil, acho que era o oitavo colocado, então essa oscilação no início do campeonato era uma cobrança muito forte, a gente acompanhava pelo noticiário a cobrança do torcedor. A partir daquele momento, contra o Oeste, começamos a ter uma mudança, emplacamos 11 vitórias em 13 jogos e começamos a ter uma tranquilidade. Eu ja vim numa situação que saí do Botafogo… A expectativa era de ser titular no Inter. Mas tive uma conversa muito franca com o Guto Ferreira, ele deixou a escolha do esquema que ele quis usar, e eu era praticamente o 12º jogador, jogava todos os jogos – disse, em entrevista ao “Seleção SporTV” desta sexta..

Apesar de ter chegado ao clube na expectativa de ser titular, Camilo reiterou que o bom diálogo com Guto Ferreira o fez entender a necessidade de seguir o esquema traçado pelo então técnico do Inter.

– O D’Ale jogou contra o Oeste e eu não joguei, aí minha estreia foi contra o Goiás, do Damião também. Aí ganhamos o jogo de 3 a 0, e o D’Ale não jogou esse jogo porque estava suspenso. Aí na volta não sabia se ele ia me botar junto com o D’Alessandro, se ia tirar o Sasha e me colocar pra jogar junto. Aí ele falou que ia sacrificar, ter que escolher só 11. Conversou comigo na boa, tranquilo. Não chegou a comentar a situação de eu e D’Alessandro jogarmos juntos, tinha uma situação na cabeça dele que ele queria, acabou colocando, e a gente obteve os resultados.

Questionado pelo fato de ter vivido situação parecida no Botafogo e não ter tido a mesma paciência, Camilo explicou que considerou a situação diferente e voltou a mostrar descontentamento com o episódio com o então técnico alvinegro Jair Ventura.

– Com o Monti já foi um pouco diferente. Eu e o Jair (Ventura) tínhamos conversado, a gente acabou tendo uma certa discussão, mas foi de uma forma conduzida que no meu modo de ver foi muito errada. E a gente entrou nessa questão. A gente teve muito pouco tempo de trabalho, 15 dias de pré-temporada, o Monti chegando da China, acabou atrapalhando um pouco ele. Mas é deixar para trás, sou muito grato ao Botafogo por ter aberto as portas, e eu fui muito feliz com essa camisa.

Para 2018, o meia deixou claro que tem em mente, com o novo treinador, Odair Hellmann, obter uma vaga entre os titulares, e acha perfeitamente possível jogar com D’Alessandro na equipe.

– Meu projeto, este ano estou iniciando do zero, é estar entre os 11, brigar pelo meu espaço, não importa qual seja a posição. Acredito no meu grande objetivo para prolongar a minha vida no Inter. Nada mais que jogando e mostrando o seu futebol. O Odair já sabe onde eu jogo, e no último jogo me utilizou junto com o D’Alessandro. A gente se entendeu muito bem. Claro que uma função para mim de jogar aberto requer um pouco mais de físico, um mano a mano muito forte, de um jogador que vá mais para cima, não é tão a minha característica. isso depende do jogo, do lateral que você vai pegar. Pega um cara muito rápido, vai exigir muito de mim. E vai tirar o meu melhor, que é na frente, a chegada na frente.

Camilo falou também que já se sente à vontade no Inter e explicou as dificuldades na Série B, principalmente pelo fato de, pela história gigantesca do clube, as cobranças serem maiores por bons resultados.

– A adaptação foi legal, agora estou muito adaptado. Tem o fator difícil da Série B sim, porque o time grande tem que propor o jogo, tomar conta do jogo. E os times que jogam contra tentam se promover também contra o Internacional, então era um esforço que você sempre fazia a mais. No final da competição, que estava bem próximo de a gente ser campeão, acho que a equipe que vinha sendo titular sentiu esse desgaste. E começou a oscilar muito, a gente começou a cair um pouco de rendimento, o torcedor sempre em cima. Foram cinco jogos, quatro empates e uma derrota, e acabou culminando com a saída do Guto. Mas o grande objetivo, no meu modo de ver, foi sem dúvida a volta à Série A. Isso dá uma tranquilidade maior.

Ter perdido o título para o América-MG, segundo Camilo, não foi problema, e o camisa 21 citou os exemplos do ano passado, quando o Atlético-GO ficou com a taça.

– A gente viu o Atlético-GO campeão no ano passado e o primeiro a ser rebaixado, o Vasco da Gama pegou a Libertadores. Então, para o time grande é claro que o torcedor se sentiria mais confortável e mais tranquilo se fosse campeão. Mas eu tenho certeza que o grupo que está, com a chegada dos novos jogadores, está se qualificando, e o trabalho do Odair possa dar certo.

O camisa 21 não teve dúvidas em considerar o Inter com grande credencial para brigar por títulos e por vaga para a Libertadores de 2019.

– Pela grandeza do clube. Sempre entrou nas competições sendo um dos favoritos a ser campeão, acho que tem que abraçar a responsabilidade, sempre essa de quem veste essa camisa, de buscar coisas grandes. Acredito que possa brigar sim. Tem a Copa do Brasil, que será um dos campeonatos mais bem disputados do ano, vai sugar de todos os clubes o seu melhor, extrair o máximo.

Fonte: SporTV.com