Primeiro o Botafogo anunciou Montillo. Agora o Flamengo confirma a contratação de Conca. Argentinos acima dos 30 anos, com experiência de Libertadores.

Com Camilo no alvinegro e Diego vestindo vermelho e preto, a questão é como abrigar dois meias criativos no time. Surgem as perguntas de sempre: ”Quem é que marca?”, ”Um não vai tomar o espaço do outro?”, ”O time não fica mais lento?”

O futebol mudou. Fla e Bota tem jovens treinadores, antenados e estudiosos. Depois de uma temporada estafante, de mudanças radicais na vida de ambos, estavam no curso de técnicos da CBF. Zé Ricardo e Jair Ventura trabalham com marcação por zona, sabem que o jogo hoje se baseia muito mais em ocupação de espaços que na capacidade de desarmar.

Poucos times no mundo podem se comparar individualmente ao Barcelona do trio MSN, mas em termos de dinâmica ofensiva a equipe catalã virou referência usando Messi como um ponta articulador partindo da direita e Neymar mais agudo no lado oposto.

Tite adaptou a ideia ao Corinthians no título brasileiro de 2015 usando Jadson, um típico camisa dez, aberto à direita e se juntando aos meias para armar as jogadas e o jovem Malcom pela esquerda infiltrando em diagonal e se aproximando de Vagner Love no ataque. Virou tendência que o técnico levou para a seleção brasileira, com Coutinho de um lado e Neymar do outro.

Zé Ricardo tentou encontrar esse elemento no elenco montado por Muricy Ramalho para ajudar Diego, que é um ”dez” de condução de bola e finalização. Não encontrou em Mancuello, Ederson e Alan Patrick, por isso seguiu com os ponteiros velocistas até o final da temporada.

Conca chega como um meia mais passador. Já atuou pelos flancos ao longo da carreira, mas por conta dos seus 33 anos e dos problemas no joelho que devem adiar sua estreia para março ou abril, a tendência é que jogue mais centralizado e sem tantas responsabilidades sem a bola. O time fecha em duas linhas de quatro e o argentino ficaria à frente, mais próximo de Guerrero.

Em tese, Diego seria o sacrificado sem a bola, voltando pelo lado. Não acompanhando lateral, mas guardando seu posicionamento. Já jogou assim pelo Atlético de Madrid com Simeone e com a pré-temporada pode ganhar resistência para a função.

Com a chegada de Conca, Diego pode fazer a função de ponta articulador, cortando para dentro e ajudando o meia central na armação, deixando para o ponteiro do lado oposto a missão de acelerar e infiltrar em diagonal. Sem a bola, os jogadores de flanco voltam e liberam o argentino a ficar mais próximo de Guerrero (Tactical Pad).

Com a chegada de Conca, Diego pode fazer a função de ponta articulador, cortando para dentro e ajudando o meia central na armação, deixando para o ponteiro do lado oposto a missão de acelerar e infiltrar em diagonal. Sem a bola, os jogadores de flanco voltam e liberam o argentino a ficar mais próximo de Guerrero (Tactical Pad).

Já no Bota, até por característica, a tendência é que o próprio Montillo exerça esta função pelo flanco, deixando o centro para Camilo. A grande sacada desse armador pela ponta é a liberdade para circular por todos os setores, criando superioridade numérica no meio e abrindo o corredor para o lateral ou outro companheiro atacar e buscar o fundo.

Na recomposição não é preciso acompanhar o lateral até a linha de fundo. O jogador fecha o setor, o lateral do próprio time não é arrastado pelo adversário e deixa o espaço livre. É ele quem vai tentar bloquear o cruzamento. O meia mais aberto ou o ponteiro tem como função primordial sem a bola evitar que a virada de jogo encontre um oponente livre ou fazer pressão no campo de ataque, de acordo com a proposta de jogo.

Quanto à velocidade na transição ofensiva, reparem que os dois clubes cariocas estão no mercado atrás de atacantes mais agudos. O Fla busca Marinho do Vitória, o Bota tentou Osvaldo e agora mira Lucca – reserva de Malcom no Corinthians de 2015. Não é por acaso. De um lado o meia para organizar, do outro o atacante para ser a referência de velocidade para os contragolpes e uma companhia para a referência na frente.

Se no Fla não mudaria tanto a execução do 4-2-3-1, no Bota a tendência é de uma postura mais ofensiva, desmontando o losango no meio que varia para duas linhas de quatro sem a bola. A menos que Jair pense numa dupla de armadores atrás de um centroavante rápido que ainda pode ser William Pottker da Ponte Preta.

Jair Ventura pode optar pela manutenção da estrutura tática de 2016 e encaixar Montillo numa função parecida com a de Neilton, ficando mais solto com Camilo para pensar o jogo e deixando a velocidade para o atacante de referência (Tactical Pad).

Jair Ventura pode optar pela manutenção da estrutura tática de 2016 e encaixar Montillo numa função parecida com a de Neilton, ficando mais solto com Camilo para pensar o jogo e deixando a velocidade para o atacante de referência (Tactical Pad).

Tudo com muita movimentação, sem posições fixas. O ”caos” na frente e a organização atrás, com linhas compactas e jogadores mais próximos. Como manda o futebol atual. Como pensam Zé Ricardo e Jair Ventura nos cariocas que disputam a Libertadores. O filho de Jairzinho com um pouco mais de urgência porque o torneio continental começa mais cedo.

Impossível garantir que dará certo, pois é uma questão que envolve entrosamento, sintonia, sequência de jogos sem lesões, gestão de vestiário…A boa notícia fora de campo é que são contratações dentro da realidade do orçamento dos clubes, sem loucuras.

Dentro das quatro linhas, a opção de reunir dois meias criativos, ou ”camisas dez”, é mais que viável no futebol atual. Podem e devem jogar juntos.

Fonte: Blog do André Rocha - UOL