Ex-diretor de marketing do Botafogo, entre 2009 e 2011, e candidato à presidência nas últimas eleições (ficou em terceiro), Marcelo Guimarães, de 58 anos, é velho conhecido de General Severiano. Novamente postulante ao cargo de mandatário do clube, ele quer mudar a forma de gestão do Alvinegro: pretende diminuir o número de voluntários — dirigentes não remunerados — e implantar a “profissionalização”.

— O pilar da nossa administração é a profissionalização das atividades. Precisamos despolitizá-las. Isso é a resposta para todos os males do Botafogo, e esperamos até que tenha uma grande influência no futebol brasileiro — aposta o candidato, que acrescenta em relação aos projetos.

— Imagina botar três, quatro executivos de mercado, que têm metas, remunerações condicionadas, desafios corporativos e planejamento claros. É disso que o futebol, o vôlei, tudo precisa — complementa Marcelo Guimarães.

O objetivo é contratar um diretor-geral (CEO) por meio de headhunter abaixo dos vice-presidentes, que continuariam sendo, nas palavras de Marcelo, “voluntários”. Segundo ele, muitos dos atuais cargos existem apenas para apadrinhar aliados, algo pouco diferente da política tradicional.

Valorização da marca

A questão é o custo disso. O ano que vem será difícil financeiramente, pois as parcelas do Ato Trabalhista vão aumentar, e os descontos do ProFut, diminuir. Além disso, algumas fontes de renda, como os direitos de televisão, já foram adiantados, e o patrocínio principal, da Caixa Econômica, ainda não foi renovado.

— (Contratar executivos) Vai custar muito menos do que se jogou fora com os estrangeiros. Muito menos do que o que fizeram com o Emerson, zagueiro da base, um garoto de ouro, entregue ao mercado. Vamos trazer profissionais experientes nos assuntos — destaca Marcelo Guimarães.

No futebol, Guimarães diz que o clube precisa de vencedores e títulos de expressão. E critica o fato de a maior ambição do Botafogo ser o 4º lugar no Brasileiro:

— Não tem ninguém campeão no futebol hoje. O Jair nunca foi campeão. É da base, ponderado, gosto dele pessoalmente, mas não tem um histórico campeão. No momento do desafio, do algo a mais, nos falta algo.

Empolgado, ele diz que a chegada de um novo presidente seria “cercada de otimismo”, o que refletiria no interesse do mercado. E ressalta que, para conseguir mais recursos, seria preciso valorizar a marca e a camisa do clube.

— Nossa camisa já teve promoção de secador, de troca de produtos. Isso é uma bizarrice. Me referindo só aos aspectos comerciais: um executivo que vê um secador na camisa do time, o que você acha que ele pensa?

Nesse plano de geração de renda, o Estádio Nilton Santos também é essencial:

— Nosso estádio olímpico é o único do mundo que não se tornou ponto turístico. Mas vamos fazer uma mostra olímpica e botá-lo na rota olímpica da cidade, como em todos os lugares do mundo. E fazer uma mostra Nilton Santos, que vai virar o Museu Nilton Santos. Para completar, temos um projeto de hospedagem, um hostel dentro do estádio. Serão instalações simples, que, com o tempo, vão crescendo.

Fonte: Extra Online