Mesmo com um suposto favoritismo do Flamengo no clássico deste sábado, às 17h, no estádio Nilton Santos, o torcedor do Botafogo tem motivos para acreditar em uma vitória.

O atacante Erik foi carrasco da equipe rubro-negra no Campeonato Brasileiro no ano passado. Ele teve uma atuação de destaque e marcou um dos gols do triunfo por 2 a 1, que ocasionou a queda do técnico Paulo César Carpegiani e do diretor Rodrigo Caetano.

O jogador de 24 anos espera repetir o mesmo desempenho na terceira rodada da Taça Guanabara do Campeonato Carioca.
“Sabemos que tem um clássico pela frente e pode mudar todo o clima do clube. Vamos conversar e ajustar o que for preciso para voltar melhor”, disse, após o jogo do meio de semana.

Para virar profissional, porém, Erik contou sorte. Nascido e criado em um assentamento a 90km de Novo Repartimento, no Pará, ele vivia em uma casa simples, sem luz ou água encanada, à beira da rodovia Transamazônica, e só foi ter contato com a energia elétrica depois de jovem.

A vida era dura, com trabalho na roça logo cedo e poucas opções de lazer. A primeira vez que viu televisão na vida, por exemplo, foi em 2002, aos oito anos, na fazenda de um vizinho, que tinha um gerador à diesel. Foi a final da Copa do Mundo, entre Brasil e Alemanha.

“Meus pais são guerreiros. A gente morava na roça, não tinha luz elétrica, era lamparina, mesmo. Minha casa era de barro, não tinha nem água encanada. Só de lembrar, bate aquela emoção, passa um filme na nossa cabeça… Meus pais passaram épocas difíceis para criar eu e meu irmão. Não tinha futebol, não tinha nenhum time lá… Minha professora foi minha mãe mesmo, que me ensinou ate a quarta série”, contou, em entrevista à ESPN, em 2014.

A virada na vida de Erik foi aos 10 anos, quando, por obra do destino, ele entrou para a base do Goiás. Tudo aconteceu em um dia no qual estava passando férias em Goiânia, na casa de parentes, e foi levado por seu tio ao CT da equipe esmeraldina, para ver um treino de futebol pela primeira vez. O passeio acabou mudando o destino do garoto.

“Fui assistir a um treino do Goiás com um tio, e um jogador da minha idade se machucou. O técnico, então, perguntou se eu poderia completar o time. Fiquei assustado, porque nunca tinha calçado chuteira na vida para jogar. O Serginho Africano era o treinador, e conta até hoje a história que eu fui muito bem e fiz seis gols no jogo!”, lembrou.

“O Serginho falou pro meu tio: ‘Deixa esse menino aqui. Não deixa ele voltar para roça, deixa ele aqui para jogar e estudar’. Eu ia voltar para o Pará no dia seguinte, daí quando acordei meu pai já tinha viajado sozinho para resolver umas coisas lá eu acabei ficando”, completou Erik.

Vendo que tinha uma joia em mãos, a diretoria do Goiás se apressou em fazer de tudo para que o jovem se adaptasse à cidade grande, e acabou levando seus familiares para Goiânia. O pai do atacante, Bernardo, foi contratado pelo próprio clube para trabalhar na área de serviços gerais, por exemplo.

A ascensão do garoto, que era tão bom que sempre jogava em times de categoria superior à sua idade, foi meteórica. Em 2013, ele já estava disputando a Copa São Paulo de Futebol Júnior, e foi artilheiro da competição, com oito gols – o Goiás foi vice, perdendo a final para o Santos. Rapidamente, foi alçado à equipe principal do “Esmeraldino” logo na sequência da temporada.

A estreia como profissional foi contra o Crac, pelo Campeonato Goiano. Já o primeiro gol veio contra o Anápolis, no Estadual deste ano. No Brasileirão, teve grandes atuações contra o Atlético-PR, fazendo três gols na partida, e contra o Palmeiras, no dia em que marcou uma vez e infernizou a zaga rival no histórico 6 a 0.

Ele foi escolhido como revelação do campeonato nacional pela CBF. Contratado pelo Palmeiras no começo de 2016, o atacante venceu o Brasileiro, mas perdeu espaço no ano seguinte. Foi cedido para Atlético-MG e depois ao Botafogo, no meio do ano passado. Em General Severiano recuperou seu futebol e acabou cedido novamente pelo clube paulista até o final de 2019.

Quase foi Bebeto ou Romário, e não larga o feijão

Nascido Erik Nascimento Lima em 18 de julho de 1994, por pouco o atacante não se chamou Romário ou Bebeto. A explicação é simples: Erik veio ao mundo um dia depois que a seleção brasileira conquistou o tetra da Copa do Mundo dos EUA.

“Eu nasci um dia depois do Brasil ser campeão com Bebeto e Romário, e meu pai queria por nome de jogador em mim, mas minha mãe não deixou. Ainda bem, né (risos)? Quase meu nome foi Romário ou Bebeto. Espero que surjam em breve outros Eriks bons de bola por aí por minha causa (risos)”, brincou.

Outra curiosidade sobre a vida da revelação do Brasileiro é que talvez ele seja um dos maiores fãs de feijão em todo o território nacional. Em 2013, por exemplo, foi convocado pelo técnico Alexandre Gallo para a disputa do Torneio de Toulon com a seleção sub-20. Em meio aos melhores restaurantes franceses, não conseguiu se encontrar.

“Sentia falta da comida da minha mãe, que é melhor que a de qualquer restaurante do mundo. Sofri no começo, mas me adaptei rapidamente. Foi o jeito, né? Eu gosto tanto de feijão que às vezes como só isso no prato, sem carne nem nada”, afirmou.

Para os cozinheiros do Botafogo, fica a dica: capriche no feijão.

Fonte: ESPN.com.br