Diante das críticas constantes do árbitro de vídeo, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) realizou uma pesquisa com os clubes da Série A do Campeonato Brasileiro para analisar o uso do recurso nesta primeira temporada. De acordo com Leonardo Gaciba, presidente da comissão de arbitragem da entidade, as equipes quase aprovam a tecnologia por unanimidade. A informação foi repassada pelo ex-árbitro na Câmara dos Deputados, em sessão ocorrida anteontem (19), em Brasília.

Durante a apresentação que marcou a defesa do recurso por parte da CBF, em meio aos questionamentos dos deputados na capital do país, Gaciba revelou o “Tour do VAR”, que entrevistou 584 pessoas, entre jogadores, membros de comissão técnica e dirigentes, de 17 times. Segundo o ex-árbitro, a taxa de aprovação para a continuidade do árbitro de vídeo é de 94,1%.

A pergunta da comissão de arbitragem era simples: “se a continuidade do VAR é positiva para o futebol brasileiro nas próximas temporadas”. Dos 584 ouvidos, de acordo com Gaciba, a grande maioria quer a continuidade do recurso para as competições nacionais do ano que vem.

Por questões de calendário, Santos, CSA e Bahia ficaram fora da pesquisa de qualidade do VAR que destacou dois tipos de aprovação (concorda ou concorda plenamente) para a atuação do vídeo na atual edição do Brasileirão. Gaciba, inclusive, classificou o primeiro ano da tecnologia na competição como “uma vitória dos clubes”.

“[Os clubes] Aprovaram por unanimidade. Se acharem que não é mais útil é só chegar dentro da nossa reunião técnica e dizer ‘não queremos o árbitro de vídeo’. Assim, voltamos para a arbitragem raiz e voltamos para o número violento de erros”, destacou Gaciba, que usou o número de erros capitais da temporada passada para justificar a tecnologia.

“Assim, volto a ter que receber 161 visitas na minha sala de dirigentes reclamando de impedimento de três metros, gols com a mão e pênaltis escandalosos não marcados. (…) O VAR é uma escolha dos clubes. Não é uma escolha da arbitragem”, afirmou Gaciba na sessão com os deputados.

O ex-árbitro assegurou que os erros capitais nos jogos caíram de 161, citado na fala sobre as “visitas dos clubes”, para apenas 30 nos primeiros 320 jogos da competição. Gaciba ressaltou que o VAR jamais zerará absolutamente os erros da arbitragem na principal competição do calendário nacional.

“Em momento algum, a Confederação Brasileira de Futebol ou a Fifa prometeram perfeição, porque sabem que não existe. A busca incessante é pelo maior índice de acerto possível. Perfeição é impossível pois somos seres humanos”, justificou o dirigente da CBF.

“A regra do jogo é interpretativa. Se tivermos respeito pela decisão do árbitro dentro do campo de jogo, temos muito a crescer”, completou, em meio à sessão na qual também respondeu a questionamentos dos deputados federais.

Fonte: UOL