Enquanto ainda não se torna um clube-empresa, o Botafogo será gerido por um comitê que será responsável por tratar todas as questões envolvendo contratações e burocracia. Carlos Eduardo Pereira, VP Geral do clube, era um integrante inicial do grupo, mas resolveu sair. Nesta quinta-feira, na reunião do Conselho Deliberativo, em General Severiano, o dirigente explicou o motivo.

– É preciso fazer algo bem feito. Tive uma experiência muito bem na época que fui presidente , você tem que ter uma dedicação integral ao futebol e eu preferi manter a dedicação integral ao processo da S/A, que considero como prioridade. O grupo que cuida do futebol é bastante competente, acho que eles vão ter um bom resultado no processo – colocou.

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Uma das pessoas que está diretamente envolvido em todos os passos da S/A, desde o estudo financeiro feito junto à Ersnt & Young à apresentação do plano de negócios aos conselheiros, o ex-presidente do Botafogo comemorou que a ação de separar o departamento de futebol do núcleo social foi aprovado.

– É um passo muito importante, o Botafogo já vem se preparando para realizar esse tipo de colocação. É para resgatar a capacidade do departamento de futebol do Botafogo, investir, pagar as suas dívidas e recolocar o Botafogo em uma condição que sempre foi sua no futebol brasileiro – afirmou.

O processo, contudo, não será fácil. O Botafogo tem uma dívida estimada em R$ 1 bilhão e convive com penhoras. O dirigente reconheceu que a situação não é das melhores, e já afirmou os primeiros passos do clube-empresa: buscar investidores com a possibilidade de colocar dinheiro na S/A da forma mais rápida o possível e quitar dívidas a curto prazo que possam gerar novos bloqueios aos cofres do clube de General Severiano.

– Houve uma penhora importante vinda da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e, realmente, as condições são duríssimas dentro das condições para 2020. A expectativa é que, com essa aprovação, realize a Assembleia Geral dos sócios do clube até o dia 27 para que, com isso, possa se concretizar o contato com todos os investidores. Que a gente tenha uma solução o mais rápido possível para esse aporte de capital – analisou.

– O futebol é algo muito específico. A prioridade que se dá é com pessoas que já entendem esse tipo de investimento e possuem equipes especializadas que podem analisar com muito mais rapidez. Essa tem sido a prioridade, mas não descartamos nenhum outro ramo de investimento. Mas nós queremos processos que venham o mais rápido possível – completou.

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Próximos passos

– O processo de montagem da empresa não é muito complexo não. Pode ter bastante agilidade na montagem, a negociação do contrato entre o Botafogo e os investidores também não tem muito complexo. O arcabouço geral acabou de ser aprovado pelo Conselho Deliberativo e agora falta ser referendado pela Assembleia Geral. Estou, de certa maneira, otimista que a gente não vá alongar muito. O mercado, hoje em dia, você tem poucas opções de investimento.

Contatos com possíveis investidores

– O Botafogo tem contatos realizados, isso pode aumentar ou diminuir. O investidor que é um player desse mercado exige muita confidencialidade, então muitas vezes faz sondagem mas não se apresenta de fato. A gente sabe que tem muita gente perguntando, mas você não consegue saber quem está atrás dessas consultas. Tomara que sejam grandes investidores potenciais.

Formato de investidor que o clube procura

– Esse aspecto do investimento vai ser todo negociado com os investidores, existem várias nuances do retorno de investimento. Prazo, quantidade de investimento que vai ser feito, como você vai obter o tratamento da dívida do Botafogo, como você vai obter alongando o prazo ou com um aporte inicial mais forte, se você busca um deságio dessa dívida. Existem vários formatos, que, a partir daí, o investidor vai fazer suas contas e vai ver que é mais rentável a ele.

Aporte inicial de R$ 200 milhões para tratar das questões do clube

– Esses 200 milhões foram um valor citado de forma genérica e não necessariamente alocados na dívida trabalhista do clube. Existem outros aspectos, a dívida cível, a dívida fiscal, isso tem que ser tratado e analisado de forma conjunta para saber quais serão as prioridades para se destravar esse processo de penhoras.

Fonte: Terra