Clubes do Rio reagem a pedido do MP por torcida única; Flamengo se diz contra

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Os episódios de violência que marcaram a partida entre Flamengo e Botafogo, no domingo, pelo Carioca, e resultaram na morte de um torcedor (além de oito feridos), podem ter consequências inéditas para o futebol do Rio. O Ministério Público Estadual entrou com pedido para que os clássicos sejam disputados com torcida única. O não cumprimento implicará em multa de R$ 30 mil por dia.

A ação civil pública (ACP) está agora com o Juizado do Torcedor e Grandes Eventos. Caso seja aceita, apenas os times mandantes contarão com torcida nos estádios. De acordo com esta lógica, por exemplo, só haveria botafoguenses no Engenhão no último domingo.

O promotor Rodrigo Terra pede a condenação dos clubes que fornecerem ingressos para clássicos às suas organizadas. Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, a Federação de Futebol do Rio e a CBF foram incluídas como réus na ação.

— Ao longo dos anos e, quiçá, décadas, diversos procedimentos têm sido instaurados e ações civis públicas ajuizadas para tratar de condutas graves, como a participação e o envolvimento de torcidas organizadas em brigas, atos de violência, rixas, homicídios — afirma o promotor.

A medida não é inédita no Brasil, mas sempre divide opiniões. Em São Paulo, ela vigora desde o ano passado. Em Minas Gerais, há quatro anos. No início do mês, entretanto, Cruzeiro e Atlético-MG se enfrentaram com arquibancada dividida. A mudança foi considerada um sucesso pelos clubes e pela PM, mas novos duelos neste formato ainda não estão planejados.

No Rio, já há vozes contrárias à proposta do Ministério Público de torcida única nos clássicos. O presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, já manifestou sua posição ontem, deixando claro que o clube fará uma forte oposição.

— Sou totalmente contra. Acho que isso seria uma pá de cal no futebol carioca e que não resolve o problema. As mortes vão continuar longe do estádio, como quase sempre acontecem. Além disso, às vezes acontecem conflitos entre “torcidas” do mesmo clube. A única solução é a punição rigorosa das pessoas físicas — disse o dirigente por meio de nota oficial.

Já o presidente do Fluminense, Pedro Abad, teme que a decisão seja definitiva:

— O Fluminense lamenta que devido a tantos episódios de violência tenha se chegado ao ponto de termos a determinação de torcida única nos clássicos. O clube repudia qualquer tipo de violência e espera que essa medida não seja definitiva para que em breve possamos ter de volta a confraternização entre todas as torcidas nos estádios do Rio.

Fonte: Extra Online

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