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Colunista: ‘Botafogo caiu porque não encontrou um modelo eficiente de gestão’

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Bandeira do Botafogo na sede social de General Severiano
Carlos Eduardo Sangenetto/FogãoNET

Já vai longe o tempo em que se dizia que cair para a Série B ajuda um time grande a “arrumar a casa”. Essa expressão enganosa surgiu como um consolo para torcedores magoados, foi repetida até virar verdade e ganhou confirmação pseudocientífica com as arrancadas de Corinthians e Atlético-MG, que viveram os melhores momentos de sua história depois de cair. Mas hoje ela não engana mais ninguém — ou pelo menos não deveria. Casos como o do Vasco, que caiu três vezes e continua com a casa bagunçada, ajudaram a mostrar que a queda não vem necessariamente seguida de redenção. E o Cruzeiro deu o exemplo que faltava: sequer conseguiu voltar na temporada seguinte.

É diante desse cenário que o torcedor do Botafogo se prepara para ver seu time disputar pela terceira vez a Série B do Campeonato Brasileiro. A derrota para o Sport selou um destino que começou a se desenhar com a série de empates, ainda sob o comando de Paulo Autuori, e ganhou forma com a sucessão de derrotas (18) e treinadores contratados (mais quatro, sendo que um deles, Ramón Díaz, sequer chegou a dirigir o time). Mas essa é a história da temporada, e não a do rebaixamento — que, como o torcedor sabe, começa a ser construído muito antes.

O Botafogo caiu de novo porque não encontrou um modelo de funcionamento que lhe permita ser competitivo na realidade atual do futebol brasileiro. Na última coluna, escrevi que o Palmeiras mostrou ao Flamengo que é possível errar nas escolhas técnicas e continuar no topo, desde que seu clube tenha dinheiro. Quem não tem — como hoje é o caso dos três outros grandes do Rio — pode até repetir o sucesso do Santos, o outro finalista da Libertadores. Mas é uma bala de prata, que precisa acertar o alvo na única tentativa.

Foi assim que Jair Ventura montou o último time competitivo do Botafogo, que chegou às quartas de final da Libertadores e à semifinal da Copa do Brasil em 2017. Mantido no cargo por toda a temporada, Jair construiu um esquema tático eficiente com um elenco enxuto e muita dedicação dos jogadores, que ainda levaria, já sem ele, ao título carioca no ano seguinte. Mas a combinação de baixos custos e alta eficiência, que funcionou tão bem no campo, não se repetiu na gestão: em 2019, a relação entre faturamento e dívidas estava negativa em R$ 641 milhões.

Em plena era dos pontos corridos, o Botafogo ainda agia como um clube grande da época em que Nilton Santos assinava uma folha de papel em branco para que a secretária do presidente datilografasse depois o valor do contrato. E continuou acreditando no mecenato dos tempos de Emil Pinheiro, o bicheiro que montou o time que quebrou o jejum de títulos estaduais em cima do Flamengo, em 1989. Carlos Augusto Montenegro, presidente na conquista do único título brasileiro, em 1995, ainda tirava dinheiro do próprio bolso para pagar contas de água e luz na última gestão.

Agora, a panaceia é a transformação em S/A, adiada pela pandemia. Ao novo presidente, Durcesio Mello, caberá conciliar esse processo complexo — que envolve muito mais do que a contratação de um CEO — enquanto mantém o clube vivo, em meio a uma perda de receita estimada em R$ 100 milhões. Arrumar a casa não vai ser suficiente. É preciso construir uma nova fundação.

Fonte: Coluna do Marcelo Barreto - O Globo

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