O Botafogo Social pode não ter mais nem sequer a capacidade de escolher ou ter poder de veto sobre a venda da SAF do clube. A informação é do jornalista André Rizek, apresentador do “Seleção SporTV“, nesta quarta-feira (15/4).
– Vimos ontem que a nova administradora da Eagle, que é a dona do conglomerado da qual faz parte o Botafogo, colocou um anúncio no Financial Times, anunciando para quem quiser comprar a SAF do Botafogo, a SAF do Lyon. Esse é um assunto que me carece de mais apuração, de mais explicação, mas para mim é mais um elemento de uma história que eu já venho apurando há um tempo, de que o Botafogo, infelizmente, perdeu o controle de para quem a SAF vai ser vendida. Quando a administradora se sente confortável para anunciar uma SAF sem a anuência do clube associativo, para mim isso é só mais um capítulo de algo que é muito grave, que é você perder o controle de quem vai ser o seu dono – disse Rizek.
O jornalista deu mais detalhe de sua apuração e contou a visão do clube associativo.
– No ano passado, eu tive acesso a um documento assinado pelo Durcesio Mello, que era o presidente do clube associativo à época da venda por John Textor. E quando, primeiro, o Textor compra o Botafogo, depois monta um conglomerado, ele tem que fazer o Botafogo assinar um documento, que o dono não é mais ele, John Textor, e sim uma empresa, a Eagle, que foi criada. E eu tive acesso a um documento assinado pelo Durcesio, segundo o qual estava escrito ali, o Botafogo abria a mão da cláusula inicial, da primeira venda, de que caso houvesse uma revenda da SAF, ele, Botafogo, teria o poder de veto. Pelo menos esse era o entendimento que o corpo jurídico da Eagle tinha. O Botafogo abriu mão de decidir para quem vai ser vendida a SAF – iniciou.
– Cumprindo meu papel de repórter, eu fui consultar o Botafogo. É isso mesmo? Vocês concordam com esse entendimento daquilo que está assinado? O Botafogo, “não, isso não é bem assim. Isso foi só para aquela situação específica”. Quem tem razão? Isso aí provavelmente vai para a justiça. Não sou eu que vou dizer aqui que a Eagle está falando que ela tem razão ou que o Botafogo tem razão. O que aconteceu ontem, para mim, é só mais um capítulo de que quem hoje é dono do conglomerado se sente confortável de vender o Botafogo para quem ele quiser, sem o clube associativo poder dizer, “não, isso aqui não, eu tenho poder de veto”. No mínimo, isso vai para a Justiça. Para a justiça decidir quem é que tem o poder – acrescentou.
O Botafogo segue com John Textor no comando da SAF, mas vive situação delicada nos bastidores. O clube social não fala a mesma língua do empresário norte-americano, tenta afastá-lo e não apresenta soluções. A Ares, principal credora da Eagle, é outra parte interessada.