Perde-se tanto tempo falando do Campeonato que Não Acabou que acabamos não dando valor imediato a uma inteligente escolha do Botafogo: Eduardo Hungaro, profissional identificado com o clube e conhecedor da base, assumirá o Botafogo no ano de seu retorno à Libertadores.

Não é de hoje que eu advogo a tese de que os clubes brasileiros precisam revelar técnicos. Os salários estelares das principais grifes da prancheta são de uma realidade insustentável, e é inacreditável como tantos clubes sustentaram uma ciranda de nomes por tanto tempo.

Eu, por exemplo, não consigo me empolgar com a chegada de Paulo Autuori ao Atlético-MG, atual campeão sul-americano. As passagens pífias por Vasco e São Paulo tiram muito das boas credenciais que o técnico obteve até o início do século.

Se 2013 trouxe algo de bom, foi essa safra interessante de técnicos novos (Jayme de Almeida, Enderson) e dos que se firmaram como renovação (Cuca, Marcelo Oliveira, Vagner Mancini, Cristóvão Borges). E torcemos para que Hungaro engrosse não só a lista, mas também a renovação.

O Botafogo deixou Oswaldo de Oliveira sair ao Santos com um Estadual e uma vaga sofrida na Libertadores que dependeu de Lanús e Ponte Preta. Pouco para um salário estipulado em cerca de R$ 500 mil, na minha opinião. Mais: a queda de produção do Botafogo se deveu muito ao elenco sem opções por falta de grana para evitar o esvaziamento na janela: foram-se Andrezinho, Fellype Gabriel e Vitinho.

O time atual depende de reforços para ser libertadoramente competitivo, meninos como Hyuri precisam amadurecer seus potenciais e está nítido que Seedorf necessitará de mais colaboração no semestre em que se despedirá do futebol. Como o clube não é exatamente rico, cortar na comissão técnica é o que mais faria sentido.

Se não foi a primeira opção da diretoria (que tentou Tite, Autuori e Cuca), Eduardo Hungaro compensa com tempo de casa, confiança e possibilidade de preparação. Entende de Botafogo, conhece a ala jovem do elenco por ter trabalhado com eles na base e demonstrou um bom discurso na sua apresentação oficial. Trabalhará com um holandês experiente que é um verdadeiro técnico em campo.

Talvez Hungaro não porte a experiência que uma Libertadores exige, talvez não seja a grife que empolga os botafoguenses mais pessimistas (é pleonasmo, né? Perdão), mas, se o corte de orçamento na comissão técnica se traduzir em investimento em reforços e bons resgates dentre os juniores, merecerá o apoio da torcida do Botafogo.

Já acertado, o meia Jorge Wagner, 35, é um bom nome para o torneio continental. Tem excelente bola parada e bom passe, o que significa mais cérebro no meio-campo, mas já não era muito combativo quando o víamos atuar pelo São Paulo há cinco ou seis anos.

Escolhas como Hungaro são corajosas, mas sem inteligência, material humano e preparação adequada, a coragem não vai longe. Estadual o Botafogo já tem, conhece e sabe como é. A meta não pode ser outra: começar a eliminar o Deportivo Quito já em 29 de janeiro.

Fonte: Blog do Márvio dos Anjos - Globoesporte.com