A transferência da partida semifinal do Estadual entre Botafogo e Fluminense, do Maracanã para o Engenhão, mostra mais uma vez que não há no futebol brasileiro quem esteja mesmo interessado no desenvolvimento do esporte e na promoção do espetáculo.

Como Zico disse na semana passada em seu programa de rádio, com a experiência de quem tentou investir na criação de um clube-empresa, o que reina por aqui, infelizmente, é a filosofia “farinha pouca, meu pirão primeiro”.

A diretoria do Botafogo avalia que a mudança fará bem aos cofres do clube e supõe que a transferência trará benefícios ao desempenho dos seus jogadores.

E são todas assim.

Nunca foi diferente.

Nunca!

Já usaram pó-de-mico no vestiário do visitante;

Já isolaram a bola na Lagoa para pôr fim ao clássico;

Já inventaram pênalti nos minutos finais;

Já contrataram o goleiro adversário às vésperas do jogo final;

E já financiaram invasões de campo para esfriar o oponente.

Já tentaram até se dividir em dois blocos, criando uma espécie de Liga paralela.

Ou seja: passam os anos, mudam os nomes, mas a prática velhaca e a malandragem barata permanecem.

Eles são todos iguais.

E quem ousou ser diferente deixou a rinha com a pecha de banana…

LEGÍTIMO.

Os dirigentes alvinegros ignoraram as obras que interditam parte de seu (sic) estádio, pouco se importaram com a possibilidade de atuar num palco neutro e mais confortável, e deram de ombros à discussão sobre valores éticos e coisas do gênero.

Escorados no regulamento aprovado por consenso na Federação, e amparados pela diretoria da própria entidade, os alvinegros batalham com as armas que possuem.

Como não havia ilegalidade no pleito, às favas com essa história de fair-play…

Fonte: Blog Futebol, Coisa & Tal - Gilmar Ferreira - Extra Online