Vista sob a ótica resultadista, a vitória do Botafogo, em Assunção, sobre o Sol da América, pela segunda rodada da Copa Sul-Americana, foi o que se esperava.

O gol único de Erik deu uma vantagem importante para o jogo de volta, no Nílton Santos, e só o improvável impedirá a passagem para outra fase.

Mas é nítida a dificuldade do time de Eduardo Barroca em se fazer ofensivo, embora não lhe falte personalidade para buscar o protagonismo.

A falta de um meia virtuoso, com capacidade para organizar e acelerar o jogo, e ausência de um goleador nato, são claros dificultadores da engrenagem.

Principalmente com Diego Souza ainda fora de forma, emprestando, por ora, não mais do que sua experiência e suas costas largas.

Enquanto não tiver essas peças que possibilitem mais clareza nas ideias ofensivas, o time de Eduardo Barroca encontrará dificuldades para se impor.

Por isso precisa de tantos toques para levar perigo ao gol, mesmo diante de adversários frágeis como o time paraguaio.

Neste jogo, a posse de bola foi de 66.7%, com 522 toques e treze finalizações.

Na derrota para o Goiás, foram 67% de posse, com 495 passes e sete finalizações.

É muito toque para poucas chances criadas.

O Fluminense, por exemplo, nos 4 a 1 sobre o Cruzeiro teve 20 finalizações, com 437 passes e 54.4% de posse.

E na derrota para o próprio Botafogo o time tricolor registrou 60.3% de posse, com 470 passes e 21 conclusões a gol.

Ou seja: os alvinegros precisam melhorar o desempenho ofensivo, mas time vai ganhando casca e se acostumando com as vitórias.

O que não é pouco.

Barroca está conseguindo rodar o elenco e já fez uso de oito jogadores revelados nas divisões de base do clube nos seis jogos em que dirigiu o time.

Nesta quarta-feira, Fernando e Bochecha jogaram, mas no banco havia Saulo, Jonathan, Rickson e Igor Cássio.

Mais lá na frente, quando o desgaste bater à porta dos clubes, o amadurecimento destes jovens fará a diferença.

Me cobrem…

Fonte: Blog do Gilmar Ferreira - Extra Online