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Colunista questiona Inter e critica árbitro e VAR no lance de Kevin, do Botafogo: ‘Feriu o bom senso’

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Caio Max - Internacional x Botafogo
Reprodução/Premiere

É possível olhar para o lance mais surreal da rodada, o gol que decretou a derrota do Botafogo para o Internacional, e dedicar atenção à decisão errada de Kevin ou aos erros da arbitragem. O principal deles, o fato de Caio Max Augusto Vieira ter dado as costas para o lance após marcar falta para o Botafogo.

Por mais que tenha recorrido ao monitor para tentar entender tudo o que não vira no campo, Caio perdera o essencial: a sensibilidade, a temperatura do campo, a atitude dos jogadores, sinal claro de que não havia disputa: ninguém entendera que, ao tocar a bola com o pé, Kevin pretendera repor a bola em jogo. Ao olhar o vídeo, Caio ateve-se à letra fria da regra: a bola estava no chão, fora chutada e, em tese, estava em jogo novamente.

A favor do juiz é justo argumentar que sua decisão não feriu a lei do jogo: feriu o bom senso, mas este já o escapara. Porque o vídeo não reproduz as sensações do momento em que ele se pôs de costas. Aliás, o lance revela, ainda, o quanto o futebol, numa tentativa de tornar cada detalhe da regra um conjunto de orientações objetivas e insensíveis às intenções dos atletas, vem dispensando árbitros de pensar, interpretar o jogo. Basta seguir um manual de instruções que por vezes distorce a essência. Um clássico e cada vez mais presente exemplo é a regra do toque de mão, que vem dando origem a infrações claramente artificiais aos olhos do observador do jogo.

Mas uma vez validado o gol, surge outra discussão vital. É surpreendente e revelador o quanto um aspecto se tornou periférico nos debates: o fair play. Não é justo cobrar dos jogadores do Internacional, muito menos de colocar em questão o caráter de qualquer um deles. Entre outras coisas, e este é o ponto mais rico do episódio, porque o mundo do futebol tem enraizada a cultura do ganhar a qualquer custo. E quem cresce neste ambiente tende a cultivar este tipo de valor: fazer o certo é aproveitar qualquer oportunidade de criar vantagem. Mesmo que seja de forma tão claramente artificial quanto no gol de Yuri Alberto. A questão é lamentar a chance perdida pelo futebol de dar um bom exemplo, de difundir valores de esportividade através de uma atitude de grandeza.

É até admissível, e provável, que o atacante do Internacional não tenha tido tempo para processar todas as informações e tenha agido por reflexo, pelo instinto de ir à bola. Ainda que, de forma sintomática, tenha dado uma travada em sua corrida antes de finalizar. Sinal de que percebera algo anormal. E os companheiros o instruíram a prosseguir num lance inusitado por natureza.

Ocorre que, entre a finalização e o reinício da partida, transcorreram cinco minutos e meio, o suficiente para que jogadores e comissão técnica do Internacional processassem mais friamente a situação. Se era perceptível a qualquer observador que Kevin não tivera intenção de recolocar a bola em jogo — embora não devesse tê-la movido com o pé —, era ainda mais óbvio para atletas, treinadores e para quem vive o campo. Jogadores conhecem todos os códigos, as condutas, as leis não escritas do jogo, mas praticadas no ambiente do gramado. Sabiam que estavam construindo uma vantagem a partir de uma situação em que não houve disputa, nem mérito esportivo. Foi mera esperteza, num sentido menos nobre do termo. Pode soar purista, ingênuo, mas é impossível não pensar como seria edificante se os colorados concedessem um gol ao Botafogo. Seria um marco num futebol tão tóxico como o brasileiro.

A primeira reação a tal tese é argumentar que “isso nunca acontecerá”, ou ponderar: “o que aconteceria com Abel se desse tal ordem a seu time? “. É um retrato de nosso olhar para o jogo. Uma visão que vai vigorar até alguém se dispor a rompê-la. O Internacional não fez nada de errado. Apenas se perdeu a chance de fazer diferente.

Fonte: Coluna do Carlos Eduardo Manur - O Globo Online

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