São lendários os três primeiros minutos de Garrincha contra a União Soviética, na Copa de 1958. Em três minutos, ele acabou com o chamado “futebol científico” dos russos e se consagrou mundialmente.

Pois neste domingo Yuri Mamute teve três minutos de Garrincha contra o Juventude, na Serra Gaúcha.

Não foram os três minutos iniciais, mas os três finais. O jogo estava nos acréscimos, o Grêmio vencia por 1 a 0 e Luiz Felipe havia colocado Mamute para segurar a bola no campo de ataque. Mamute foi para a ponta direita, e, de lá, transformou um jogo trivial do Campeonato Gaúcho em um momento especial do futebol.

Mamute dominava a bola quase colado à linha lateral, balançava o corpo troncudo para um lado e para o outro, passava a bola do pé direito para o esquerdo e, de repente, driblava o marcador. Era um drible macio, quase despretensioso, surpreendentemente leve para um jogador do seu tamanho. Mamute passava flutuando pelo adversário. Não com o peso de um mamute, mas com a graça de um guepardo.

Num lance em que a bola estava a palmo e meio da linha de fundo, Mamute simplesmente seguiu em frente, fez a bola rolar quase que sobre a risca da cal num movimento improvável e ilógico, deixando metade da defesa do Juventude para trás e passando para um atacante concluir errado.

Foram três minutos inteiros assim, 180 segundos de dribles, de zagueiros perplexos, de torcedores agradecidos, de futebol renovado.

Mamute-guepardo, Mamute-Garrincha, Mamute sorridente depois de transformar mais um marcador em João, Mamute é a boa nova do velho Gauchão.

Fonte: Coluna do David Coimbra - Zero Hora