Todo campo de futebol é, por analogia, uma arena de batalhas. O Maracanã não foge da máxima. Neste domingo, às 16h, um guerreiro e um general vão liderar Fluminense e Botafogo na final da Taça Rio. Valorizados por suas torcidas — principalmente pelo espírito combativo —, Gum e Igor Rabello chegam em alta por terem sido responsáveis pela classificação das equipes. Separada por uma década, a dupla mostra no currículo o que é luta.

Em algumas ocasiões, nem que fosse preciso dar o sangue. É o caso emblemático de Gum, 32 anos, que ganhou o apelido de Guerreiro (que depois se estendeu a todo o time) após marcar o gol da vitória sobre o Cerro Porteño-PAR, pela Sul-americana de 2009, com uma faixa ensanguentada na cabeça. Jogador mais antigo do elenco, foi bicampeão brasileiro em 2010 e 2012, quando ajudou o Fluminense a ter a zaga menos vazada. Mas não resistiu aos maus resultados dos anos seguintes e perdeu prestígio com diretoria e torcida.

No ano passado — primeiro por estar fora dos planos da diretoria e depois pelas duas lesões seguidas no pé direito —, o zagueiro só disputou cinco jogos. Conhecido por quem trabalha com ele pela humildade, Gum usou dela ao topar renegociar o contrato para permanecer em 2018. Por sua experiência, foi alçado a titular e virou peça importante do 3-4-3 de Abel Braga. Nesse ritmo, pode, até dezembro, entrar para a lista dos dez que mais atuaram pelo clube. Hoje, é o 15º, com 374, a 23 de Marcão, o décimo.

— É um líder nato, 100% do bem — atesta Abel.

Rabello até poderia sonhar em fazer parte do hall tricolor. Mas sua trajetória no Fluminense foi interrompida ainda nas divisões de base. Sem espaço, trocou as Laranjeiras por General Severiano. Até adquirir a “patente de general”, contudo, alternou entre o profissional e os juniores e foi emprestado ao Náutico, em 2016. Em Recife, por conta da continência durante a comemoração dos gols, o zagueiro ganhou o apelido que carrega no alvinegro.

Jefferson assume o gol

As guerras de Rabello não foram travadas apenas em campo. O zagueiro de 22 anos é formado em Educação Física, um diploma conquistado após noites de estudo — já que os dias e tardes eram dedicados ao futebol. Mas o futuro no esporte parece ainda estar longe de terminar. As boas atuações já chamaram a atenção de equipes da Europa. Como a Udinese-ITA, que ofereceu € 3 milhões (cerca de R$ 11 milhões), e o Spartak- RUS, que tentou um empréstimo. O Botafogo disse “não” aos dois. Com contrato renovado no ano passado até o fim de 2019, sua multa rescisória é de € 10 milhões (R$ 41 milhões).

Os dois terão a companhia de praticamente os mesmos companheiros que os ajudaram a superar Flamengo e Vasco nas semifinais. No tricolor de Gum, Abel repetirá a escalação do Fla-Flu. Já no Botafogo, a mudança é no gol, já que Gatito se juntou à seleção paraguaia. Jefferson assume.

Fonte: Extra Online