O governo do estado e a concessionária Maracanã S.A.(Odebrecht, AEG e IMX), que administra o estádio, negociam um novo modelo de parceria. Insatisfeita com a mudança do contrato, que impediu o uso da área do Parque Aquático Júlio de Lamare e o Estádio de Atletismo Célio de Barros, que não serão mais demolidos, a concessionária alega ter prejuízo de cerca de R$ 50 milhões por ano com o Maracanã. Por lei, o governo e a Maracanã S.A. tem que chegar a um acordo no próximo mês, prazo limite para que a concessionária possa devolver o estádio ao poder público.

O governador Luiz Fernando Pezão acredita num acordo, mas garante que, mesmo que não ocorra, o estado não voltará a administrar o Maracanã:

— Não volta para o estado de jeito nenhum. Se tiver de fazer nova concessão, faremos.

A licitação está “em suspenso” desde que o então governador Sérgio Cabral decidiu, devido a pressão popular, não derrubar o Célio de Barros, o Julio de Lamare, a escola municipal Friedenreich e o antigo Museu do Índio. Eles seriam, inicialmente, reconstruídos em outro terreno e dariam lugar a um complexo de lazer com lojas e estacionamentos, de onde o administrador do Maracanã tiraria a renda. Como os termos de exploração do complexo foram mudados, a concessionaria deseja renegociar o pagamento do aluguel que seria feito em duas partes: R$ 594 milhões em obras e R$ 181 milhões (R$ 5,5 milhões ano por 33 anos). É direito da concessionária discutir os novos termos, inclusive, na Justiça.

Os R$ 594 milhões se referem ao custo das obras do novo complexo que não sairá do papel. Agora, haverá apenas a reforma do Júlio de Lamare e do Célio de Barros, que custará apenas R$ 100 milhões. Por causa da redução do valor, Pezão pediu à Procuradoria do Estado um parecer sobre a viabilidade de fazer uma nova licitação apenas para os dois estádios para se sentir “juridicamente confortável”.

De acordo com o governador, é possível que empresas que não participaram da concessão do estádio devido ao custo dos quase R$ 600 milhões das obras se interessem pelo complexo do entorno.

Receita insuficiente

Oficialmente, a Odebrecht nega que cogite desistir de administrar o estádio, mas confirma a negociação. Em nota divulgada ontem, o governo do estado disse que “não há nenhum pedido de devolução do Maracanã e que a concessionária já havia solicitado uma readequação de investimentos, que está sendo analisada.”

A empreiteira não pretende ficar no prejuízo. Com as contas fora do controle, a concessionária precisa de fonte de receitas adicionais para se manter. Um pedido de reequilíbrio de receita já teria sido feito a Pezão.

A receita do futebol não seria suficiente para manter o Maracanã. Apenas duas vezes, nos dois últimos anos antes de fechar para obras, o estádio terminou o ano sem dar prejuízo. Pelas contas de governo e concessionária só vale abrir o estádio — que tem capacidade de 78.639 — para no mínimo 15 mil pessoas. A média de público do Campeonato Carioca, em 2014, foi de 2.828.

Fonte: O Globo Online