Igor Rabello vai mesmo trocar de alvinegro. Por R$ 13 milhões, o jovem zagueiro que saiu da base do Botafogo vai jogar no Atlético-MG,clube que adquiriu 70% dos seus direitos . É o segundo titular “prata da casa” que o Botafogo vende para o mercado brasileiro após o fim da temporada passada —o primeiro foi Matheus Fernandes, que se transferiu para o Palmeiras —, o que expõe uma necessidade e uma realidade cada vez mais presentes para o clube de General Severiano: é preciso saber vender.

Da torcida, chega a reclamação não só pela venda, mas também pelo valor, inferior, por exemplo, aos R$ 22 milhões que o Flamengo pagou ao São Paulo por só 45% dos direitos do também zagueiro Rodrigo Caio . Outro argumento é a intenção rubro-negra em contratar Dedé, do Cruzeiro , de 30 anos — sete a mais que Rabello — por R$ 30 milhões. Sem entrar na discussão do quanto vale cada jogador, fato é que a principal diferença está no tempo: para o Botafogo, vender é urgente.

Verbas de TV adiantadas

Em outubro, a pedido da diretoria, o Conselho Deliberativo do clube aprovou a antecipação de R$ 18,8 milhões (cerca de 13%) da cota de TV dos estaduais de 2020 e 2021. A justificativa, segundo os atuais mandatários, não era por excesso de gastos, e sim por falta de receitas. Antes do acerto com o Palmeiras por Matheus Fernandes, só 10% da meta esperada com venda de jogadores no ano tinha sido alcançada.

O dinheiro adiantado, usado principalmente para pagar os dois meses de salários atrasados na época, serviu só para um breve respiro: os vencimentos voltaram a atrasar. O Botafogo até gostaria de barganhar mais por Igor Rabello — que recebeu uma proposta melhor de um time russo, mas não quis ir —, mas a necessidade de tentar manter a folha em dia vem junto com o medo de perder oportunidades de venda. Quando o Atlético-MG pareceu dar sinais que desistiria, o clube fechou o negócio.

Mas o buraco é tão embaixo que o clube ainda tem que conviver com as penhoras. Quase 43% do valor conseguido com Matheus Fernandes foi penhorado devido a uma ação de Oswaldo de Oliveira, técnico do time até o fim de 2014. O clube tenta reaver na Justiça o valor, mas enquanto não consegue, teve que contar com a sorte: coube ao benemérito Cláudio Good pagar do próprio bolso o salário de novembro dos funcionários.

Neste cenário, em que é preciso dinheiro agora, ainda que com a venda de suas revelações, o Botafogo tenta garantir algum futuro. Ao ficar com 30% dos direitos de Rabello — também ficou com 25% de Fernandes —, a diretoria planeja algum lucro se eles se destacarem e forem vendidos por valores maiores em breve. A ideia é ganhar com jogadores da base, ainda que eles já vistam outras camisas. Pode até ser alvinegra.

Fonte: O Globo Online