Consórcio diz: vai cumprir contrato de 35 anos no Maracanã

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Há 12 dias, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, afirmou que o Estádio de Atletismo Célio de Barros, que faz parte do complexo Maracanã, não seria mais demolido. O fato colocou em xeque o futuro do “Consórcio Maracanã” à frente do espaço pelos próximos 35 anos. No entanto, em entrevista ao jornal O Globo desta quarta-feira, a concessionária afirmou que irá cumprir o contrato e vai sugerir algumas mudanças no projeto ao governo fluminense.

A ideia inicial do consórcio era utilizar a área do Célio de Barros e do Parque Aquático Julio Delamare, que também ficará de pé, para construir lojas, restaurantes e um amplo estacionamento, faturando com isso em dias de jogos. Haveria a construção de dois edifícios garagem de 22 metros de altura. Com as demolições vetadas, o grupo planeja utilizar a Quinta da Boa Vista, próxima ao estádio, para lucrar.

– Estudamos várias formas de compensar o valor perdido pelos estacionamentos e a facilidade que trariam ao público. Uma delas é tentar construir um estacionamento com lojas nos terrenos para onde seriam levados o Célio de Barros e o Julio Delamare. Nós ainda acreditamos no modelo de estádio mais atrativo e confortável, com serviços em volta. O fato é que teremos de pagar ao governo os R$ 594 milhões em investimentos. Não sabemos como vai ser com as mudanças, podemos reformar o Célio de Barros, podemos investir em outras coisas que o governo pedir…- disse ao O Globo Dênio Cidreira, diretor-superintendente da Odebrecht, uma das empresas da concessionária.

O Maracanã voltou a receber jogos dos clubes cariocas no fim do mês de julho. Até agora já foram quatro clássicos no palco e nenhum teve lotação máxima. O alto preço dos ingressos é alvo da reclamação dos torcedores e o consórcio promete rever isso, empurrando a culpa para os clubes.

– A definição do preço, hoje, está 100% nas mãos deles. A gente vai procura-los. Só estamos esperando passar o primeiro mês de balanço para fazer uma avaliação com os clubes. Essa questão dos ingressos nos preocupa também. Temos uma relação de progressão, o clube dá o preço mais baixo dos seus ingressos, e fazemos uma progressão para não prejudicá-los. Estudamos compensar o clube com outra coisa (no caso de Fluminense e Botafogo) para que a responsabilidade de diminuir o preço não seja apenas deles – explicou Dênio Cidreira.

O Fluminense foi o primeiro clube a assinar com o consórcio e firmou compromisso por 35 anos. O Flamengo veio logo depois, mas, por enquanto, fez contrato apenas até o fim da temporada. O Botafogo assinou por 35 anos, mas, após dois anos, com o Engenhão reaberto, não há limite de jogos para mandar no estádio.

– Cada clube tem sua peculiaridade. Não vou entrar em detalhes sobre cada um, mas o Flamengo pode vir a ter prejuízo, pois tem de dividir gastos. Se o gasto for maior que o lucro…Acho que também vamos conseguir fazer um acordo com o Flamengo de maior longo prazo. Mas o clube tem de pensar em lucro a longo prazo, nos 35 anos – disse o superintendente.

Em relação ao gramado do estádio, Dênis Cidreira se mostrou otimista e afirmou que o campo suportará uma maratona de jogos dos três clubes. No entanto, revelou torcer pela reabertura do Engenhão, prevista apenas para o ano que vem, para que possa existir um revezamento.

– Todo mundo achava que a gente torcia para o fechamento do Engenhão, para pressionar os clubes. Temos interesse de que o Engenhão seja reaberto. Para nós, é positivo, pois o Maracanã passaria a receber só os jogos de maior porte. Pode acontecer um revezamento para não prejudicar tanto a grama – defendeu-se o superintendente.

Fonte: Globoesporte.com

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