Hoje no Vissel Kobe, do Japão, o zagueiro Dankler tem o privilégio de dividir o vestiário com três astros do futebol, que já venceram a Copa do Mundo: Lukas Podolski, Andrés Iniesta e David Villa. Com isso, tem visto sua equipe se tornar a mais procurada pelo veículos de imprensa no país asiático.

O jogador de 27 anos chegou à equipe há cerca de um mês, vindo do Vitória de Setúbal, de Portugal, em busca de um novo desafio na carreira.

“Primeiramente, foi o projeto que o clube me apresentou. Além disso, os atletas que aqui se encontram, como Iniesta, Villa e Podolski. São jogadores bem conceituados no mundo do futebol e que ganharam tudo. E são atletas que estão aqui no Vissel Kobe, o que também foi motivo para eu estar no clube”, disse, ao ESPN.com.br.

O brasileiro acredita que tem aprendido bastante neste tempo com os jogadores.

“Jogar com esses três grandes ícones do futebol mundial tem sido um privilégio imenso. Tenho aprendido bastante. Estou tentando assimilar e pegar o máximo que eles nos passam para melhorar. Está sendo uma evolução incrível, uma experiência absurda jogar ao lado dos três. Minha adaptação com eles está sendo maravilhosa. Temos uma relação excelente. Não tenho o que falar do trio…são de uma humildade fora do comum.”

“Ele é muito receptivo e passa algumas coisas do país para deixar a gente o mais acolhido possível. Os japoneses também têm essa cultura. Então, tudo isso facilitou a minha chegada e adaptação. O Iniesta, um campeão mundial, conversar com você quando chega ao clube, te receber bem…deixa você mais adaptado ao clima e ao clube”, elogiou.

Já Podolski é descrito pelo zagueiro como uma pessoa extrovertida. Apesar disso, ele não foi zoado pelo fatídico 7 a 1 que a seleção alemã – da qual atacante fez parte – fez no Brasil na semifinal da Copa do Mundo de 2014 em pleno Mineirão.

“Ele não comenta sobre episódio do 7 a 1. Porém, sempre está brincando comigo…todo dia dando risada com o Wellington também. Somos muito próximos. Ele fala muito do Rio de Janeiro, do Flamengo… Sempre esta brincando sobre isso. É um cara fora do comum, muito humilde, de caráter e respeito. Admiro bastante ele”, contou.

O Vissel Kobe é o 11º colocado no Campeonato Japonês com 11 pontos ganhos.

Veja a entrevista com Dankler na íntegra:

O que o motivou ir da Europa para o Japão? Já gostava da culinária ou de algum outro elemento da cultura?
Primeiramente, foi o projeto que o clube me apresentou. Além disso, os atletas que aqui se encontram, como Iniesta, Villa e Podolski. São jogadores bem conceituados no mundo do futebol e que ganharam tudo. E são atletas que estão aqui no Vissel Kobe, o que também foi motivo para eu estar no clube. Há também o desafio de uma nova cultura, um novo idioma, um futebol diferente. ..Sou movido a novos desafios na minha vida. Então, tudo isso me fez tomar essa decisão de vir para cá.

Como está a sua adaptação?
A minha adaptação, graças a Deus, vem sendo muito boa e positiva. A forma como o grupo, os torcedores e todos que aqui se encontram me receberam me ajudou muito. Eles são muito receptivos, principalmente com muito carinho e respeito aos brasileiros. Isso facilitou muito. Tem sido cada dia melhor. Estou evoluindo, me adaptando e me adequando mais ao país e à cultura.

Qual sua análise do futebol japonês neste seu início? Os treinos e intensidade dos jogos são muito diferentes? É um jogo mais veloz?
Não é muito diferente da Europa, não. Mas é um futebol mais corrido e pegado. Os japoneses têm uma forma de seguir o que os treinadores passam, são muito corretos taticamente. A velocidade e a intensidade dos jogos são muito altas. Os atletas sempre estão pressionando. Você dribla, pensa que está livre para sair jogando, mas sempre tem um jogador em cima. Eles não desistem nunca da jogada. Sempre estão pressionando. Tem que estar muito bem preparado fisicamente aqui.

Como tem sido jogar ao lado de ícones do futebol como Iniesta, Villa e Podolski? Fale como está sua relação com cada um dos três aí no Japão…
Jogar com esses três grandes ícones do futebol mundial tem sido um privilégio imenso. Tenho aprendido bastante. Estou tentando assimilar e pegar o máximo que eles nos passam para melhorar. Está sendo uma evolução incrível, uma experiência absurda jogar ao lado dos três. Minha adaptação com eles está sendo maravilhosa. Temos uma relação excelente. Não tenho o que falar do trio…são de uma humildade fora do comum.

Especificamente sobre o Iniesta, que chegou a postar no Instagram quando você chegou ao clube… Já tem alguma história com ele? Falaram de Barcelona, Ronaldinho Gaúcho, Neymar?
Falar do Iniesta é fácil pela humildade e simplicidade que ele tem em campo e fora dele. Ele é muito receptivo e passa algumas coisas do país para deixar a gente o mais acolhido possível. Os japoneses também têm essa cultura. Então, tudo isso facilitou a minha chegada e adaptação. O Iniesta, um campeão mundial, conversar com você quando chega ao clube, te receber bem…deixa você mais adaptado ao clima e ao clube. Isso tudo tem facilitado bastante. A minha história com ele é mais aqui no clube, conversando entre a gente…fazemos a resenha do dia a dia. Não chegamos a comentar ainda sobre Barcelona, Ronaldinho e Neymar. Mas acredito que mais pra frente teremos essa oportunidade.
Lukas Podolski em avião com camisa do Flamengo Reprodução

E sobre o Podolski, ele já o provocou sobre o 7 a 1? Ele pergunta coisas do Brasil, já que mostrou grande identificação durante a Copa, fala que gosta do Flamengo…
Ele não comenta sobre episódio do 7 a 1. Porém, sempre está brincando comigo…todo dia dando risada com o Wellington também. Somos muito próximos. Ele fala muito do Rio de Janeiro, do Flamengo… Sempre esta brincando sobre isso. É um cara fora do comum, muito humilde, de caráter e respeito. Admiro bastante ele.

Quais seus principais objetivos aí? Acredita que o time possa brigar pela J-League, pela Champions da Ásia?
O projeto e a ambição do clube em conquistar um título dentro do país, ao montar um time para brigar pela J-League, Copa do Imperador, classificação para a Liga dos Campeões da Ásia, é muito bacana. Isso tudo me motivou. É um projeto ambicioso. É um clube que ainda não tem um título grande. Se chego aqui e conquisto um título, juntamente a todo o grupo, somaria bastante para a minha carreira. Seria muito importante. Tudo isso tenho como ambição…quero cumprir esses objetivos colocados. Nossa equipe é muito forte e competitiva. Com fé em Deus, vamos conquistar grandes coisas.

Tem alguma projeção para os próximos anos da carreira?
O projeto é marcar meu nome dentro da história do futebol japonês de uma forma positiva. Como todo atleta, claro, sonho também em chegar à Seleção Brasileira. Mesmo atuando no futebol asiático, acho que tudo é possível. Temos alguns exemplos, como o Paulinho… Essa é uma projeção que tenho para minha vida, carreira, uma ambição pessoal que tenho. Mas procuro trabalhar no dia a dia, passo a passo. Treinando muito, de forma intensa…Creio que as coisas acontecendo aqui de forma positiva, consequentemente tudo pode acontecer mais para frente. Costumo falar que o futuro a Deus pertence. Então, vou vivendo a vida dessa maneira.

Mesmo com o fuso, ainda consegue acompanhar o futebol brasileiro? Ainda tem alguma relação com o Botafogo?
Agora ficou um pouco mais difícil. Quando estava em Portugal, dava para acompanhar mais o futebol brasileiro. Aqui, no fim de semana, as partidas passam 4h da manhã. Então, fica difícil, principalmente para descansar para os jogos. Durante a semana, às partidas mais da noite aí no Brasil, passam às 10h da manhã aqui…Geralmente na hora de treino. Então, não dá para acompanhar muito o futebol brasileiro pelos horários. Em dias de folga, até assisto a alguns jogos, tento ver o geral. Em Portugal, acompanhava as partidas do Botafogo. Tenho um carinho especial pelo clube. Abriu as portas para mim, deu oportunidades. Torço para o Botafogo também conquistar seus objetivos.

Fonte: ESPN Brasil