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SAF Social 2.0: o remendo de John Textor para o Botafogo

Leonardo Andrade

Por: Leonardo Andrade

- Atualizado em

SAF Social 2.0: o remendo de John Textor para o Botafogo
Vítor Silva/Botafogo

Sempre fui apaixonado por jogos de futebol. Desde criança, passei por praticamente todas as gerações de videogame jogando títulos do gênero e tentando deixar o Botafogo o mais próximo possível da realidade dentro deles. Minha última grande fase foi no famoso “Fifinha”, onde passei anos jogando online quase diariamente.

Mas tudo mudou quando saí da Tijuca para morar na Freguesia. Jogar online virou um caos: travamentos, atraso nos comandos e uma conexão incapaz de acompanhar o jogo. Tentei trocar equipamentos, operadoras e até resolver o problema junto à Anatel, mas nada funcionou. Nesse processo, acabei virando quase um especialista na infraestrutura da região e percebi que o problema era muito maior do que parecia: rede elétrica instável, cabeamento antigo e falhas constantes no bairro inteiro. Às vezes, os sinais estão todos diante da gente. Só resta entender e seguir em frente.

Ontem, John Textor concedeu mais uma longa entrevista. E a impressão que fica é que ele continua tendo enorme dificuldade de interpretar os sinais.

Porque o sufocamento financeiro do Botafogo não é a causa do problema, é consequência. É evidente que havia ciência entre os sócios sobre o modelo de caixa único dentro da Eagle Football. Também é evidente que esse modelo foi interrompido abruptamente em benefício do Lyon. Mas os alertas estavam aparecendo há muito tempo.

Desde a compra do clube francês, o Lyon enfrentou restrições sucessivas impostas pelos órgãos reguladores locais: limitações de orçamento, proibições de transferências e vigilância financeira constante. Textor pode argumentar sobre perseguição política ou excesso de rigor francês, mas não pode dizer que foi pego de surpresa. Os sinais estavam na mesa. E ele decidiu apostar com recursos do Botafogo.

Talvez o caixa único não fosse ilegal. Mas, para a torcida alvinegra, a sensação foi de algo profundamente imoral. O Botafogo saiu de um cenário de terra arrasada para viver sua maior bonança em décadas. E justamente quando parecia ter encontrado estabilidade, tudo foi colocado em risco numa aposta para salvar o projeto francês e sustentar o sonho do IPO.

Textor teve méritos gigantescos. Foi ele quem criou o ambiente que permitiu ao Botafogo voltar a competir em alto nível. Mas também carrega o peso do desequilíbrio que ajudou a provocar ao tentar salvar um monstro financeiro que escolheu alimentar.

Na entrevista, ele apresentou a ideia de uma espécie de “SAF Social 2.0”, acompanhada de um comitê de gestão. E isso talvez seja o maior retrato de sua fragilidade atual. Hoje, sua principal carta parece ser depender justamente da boa vontade do clube social.

Curiosamente, o que deu certo na SAF foi exatamente o contrário disso.

O Botafogo voltou a crescer quando decisões passaram a ser tomadas com base em gestão, scout, análise e profissionalismo, não na pressão das ondas momentâneas. Foi assim ao enxergar potencial em Rayan quando nem o Vasco parecia acreditar. Foi assim ao contratar Júnior Santos ignorando o barulho externo. Foi assim ao sustentar Luís Castro mesmo com influencers e parte da torcida pedindo sua cabeça diariamente.

2024 não caiu do céu. O problema começou justamente quando o trilho saiu dessa lógica.

E é por isso que a proposta apresentada por Textor soa como uma não solução. Não porque o clube social seja formado por pessoas mal-intencionadas ou desonestas. Mas porque, historicamente, simplesmente não conseguiu fazer o Botafogo competir de maneira consistente.

Nos últimos 55 anos, as únicas duas fases em que o Botafogo foi realmente forte, respeitado e competitivo por um período contínuo aconteceram justamente fora da lógica tradicional do clube social: na era Emil Pinheiro e agora sob John Textor. Depois da geração dos anos 60, o Botafogo administrado pelo social quase sempre representou um clube derrotado, apequenado e sem rumo.

Hoje, Textor está enfraquecido. Perdeu poder, virou alvo fácil e apanha pelos próprios erros. E, diante disso, escolheu um alvo tão simbólico quanto conveniente: Carlos Augusto Montenegro.

E antes que me entendam mal, também me incomoda profundamente o silêncio e a falta de transparência do clube social. Muitas das críticas feitas a Durcesio, especialmente pela flexibilização das garantias contratuais que permitiram o Botafogo entrar na rede do Lyon, desapareceram agora, justamente quando novamente há uma espécie de carta branca sendo dada sem maiores explicações para a torcida.

Isso incomoda. E precisa ser dito.

Mas Textor parece ignorar outro sinal importante: Montenegro não age sozinho. Ele apenas uniu influência, oportunidade e holofote, algo que sempre apreciou. Blindou João Paulo Magalhães, ajudou em articulações políticas e ocupou o espaço público enquanto outras peças continuavam se movimentando nos bastidores.

Montenegro tem enorme influência no Botafogo. Mas o Botafogo não se resume a Montenegro.

E talvez esse seja mais um erro de leitura de Textor.

Os bastidores do clube viraram uma mistura de House, Game of Thrones e Succession. Todo dia surge um novo capítulo, uma nova disputa de poder, um novo “plano definitivo” para salvar o Botafogo.

SAF Social 2.0. Comitê de gestão. Novas alianças. Novos conflitos.

E no meio disso tudo, o torcedor só quer paz.

Ontem, depois de cinco anos, resolvi jogar um Fifinha novamente. Só para tentar desestressar.

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