Cinquenta e sete jogos, sete gols; bons e maus momentos; alegrias e desavenças. Assim foram os treze meses de Camilo com a camisa do Botafogo. De sequência de lesões e discussões com o treinador a golaço de bicicleta e chegada à seleção.

Após duas boas temporadas pela Chapecoense e uma rápida passagem pelo Al-Shabab, da Arábia Saudita, o meia foi chegou ao Alvinegro. No dia da sua apresentação, 8 de junho de 2016, o time não tinha um camisa 10 e vivia um mau momento no Campeonato Brasileiro – o Brasileirão estava na sétima rodada e o Alvinegro era o lanterna, com 4 pontos. Camilo estava ciente da responsabilidade que o aguardava:

– Sempre existe cobrança interna quando se veste a camisa de um grande clube é assim, e em mim ela é enorme, até porque vejo como uma oportunidade única na minha carreira – afirmou na oportunidade.

O ano de 2016 foi quase perfeito. Camilo foi um dos protagonistas da reação daquele Botafogo, que, comandado por Jair Ventura e transformando a Arena da Ilha num caldeirão, terminou a competição em sexto lugar e conseguiu a vaga para a pré-Libertadores.

Logo na estreia, dia 26 de junho, justamente contra o Internacional – futura equipe – ele marcou um gol na vitória por 3 a 2 do Alvinegro fora de casa.

Depois de marcar contra o futuro time, o segundo gol de Camilo veio, por ironia do destino, contra uma ex-equipe: a Chapecoense. Nessa partida, entretanto, o Botafogo perdeu por 2 a 1.

Os gols seguintes foram contra Palmeiras e Sport, mas o realmente especial foi marcado contra o Grêmio, dia 4 de setembro. Após cruzamento de Luis Ricardo, Camilo deu marcou de bicicleta. O gol mais bonito da sua carreira.

A boa campanha de 2016 continuou até que, contra o mesmo Grêmio, o Alvinegro conquistou uma vaga na pré-Libertadores.

Chegou 2017 e, logo em janeiro, o maior prêmio pela boa temporada: Camilo foi convocado pelo técnico Tite para a seleção brasileira. Ele foi chamado para o amistoso contra a Colômbia. No jogo, entrou aos 33 minutos do segundo tempo e deu uma caneta no colombiano Berrío, que estava prestes a ser anunciado pelo Flamengo.

A dúvida no início de 2017 era se seria possível que Camilo e o novo reforço, Montillo, atuassem bem juntos. No fim das contas, essa dupla quase não jogou junta: lesões de um e do outro impediram.

Quando acabaram jogando simultaneamente, Camilo não gostou de ter sido descolcado para que o argentino atuasse no meio. Essa insatisfação o fez reclamar com o técnico Jair Ventura e deixar um treinamento.

No entanto, ele voltou e, contra o Atlético Nacional, na Colômbia, pela Libertadores, marcou seu único gol no ano. Foi, talvez, a melhor partida dele pelo Botafogo em 2017. Dali para frente, foram 16 jogos, nenhum gol e um período na reserva.

Aí, começou a insatisfação. Após algumas partidas sem entrar em campo, a especulação de saída começou. No último fim de semana vieram à tona os primeiros boatos sobre uma negociação com o Inter. A transferêcia foi acertada na última terça-feira, 18 de julho. Camilo vai para o Internacional e o Botafogo receberá, em troca, o centroavante Brenner.

“Camito”, como era chamado pelos torcedores, deixou o Botafogo melhor do que encontrou: saiu com o time na Libertadores, na Copa do Brasil e bem colocado no Brasileiro. Entretanto, a ausência de um camisa 10, que caracterizava a equipe no momento da sua chegada, permanece.

A chegada do chileno Leo Valencia e uma possível sequência de Marcos Vinícius, entretanto, podem mudar esse cenário.

Fonte: Extra Online