Anthoni Santoro é um profissional experiente em categorias de base. Acumula passagens por Botafogo, Flamengo e Fluminense. Sua primeira passagem pelo Glorioso, de novembro de 2011 a setembro de 2013, onde treinou as equipes Sub-17 e 20, foi Bi-Campeão da Spax Cup, na Alemanha, em 2013 (sub 20); Vice-Campeão da Taça Guanabara em 2013 (sub 20); Vice-Campeão Mundial de Clubes FIFA, na Suíça, em 2013 (sub 20); terceiro lugar no Torneio Internacional de Shandong (China) (sub 20) e Campeão (Taça Guilherme Embry) Campeonato Carioca 2012 (sub 17). Na temporada passada, retornou ao Alvinegro Carioca para ser auxiliar do então técnico do sub-20, Eduardo Barroca, que acabou indo para o Corinthians. Por este motivo, foi promovido a comandante do time.

Devido aos maus resultados no Brasileiro Sub-20 e no Torneio Octávio Pinto Guimarães (OPG), Santoro foi demitido. Em entrevista exclusiva ao Esporte 24 Horas, o treinador deixa claro que respeita a decisão do clube.

“Falar de mágoa, não. Deixa o tempo. As magoas ficam? Ficam! A gente fica magoado, fica chateado, isso é inegável, não tem como, mas deixa que o tempo resolve. É fácil eu dizer para você que eu deveria ter ficado, mas aí é o clube que tem que resolver. Os resultados não vieram e optaram pela troca. É opção do clube e acabou.”

Mudanças

Na temporada 2018, assim como no profissional, a equipe Sub-20 do Botafogo teve quatro treinadores. Começou com Barroca, passou por Santoro, Felipe Lucena, que deixou o clube para ser auxiliar-técnico de Maurício Barbieri no Goiás, e terminou com Marcos Soares, atual comandante do time. Anthoni acredita que o trabalho precisa ser melhor analisado pelos dirigentes do clube, que precisam ter convicção na capacidade do profissional contratado e mantê-lo na adversidade, pois uma hora os resultados irão aparecer.

“Eu acho que é importante a manutenção, a permanência, a continuidade. É isso que vai dar um brilho a mais no trabalho. Se você acreditar que contratou aquele profissional, para que ele possa exercer o melhor trabalho, mantenha ele na adversidade. Mantenha ele na derrota ou no empate, porque as vitórias vão chegar. Não tem jeito, uma hora as vitórias chegam. E faça uma avaliação mais criteriosa do trabalho, porque não é só a parte técnica que está errada quando o resultado não acontece. A avaliação é só em cima do treinador. Isso é algo que não vai mudar. O foco é só no treinador e acabou, infelizmente.”

Mais importante

Recentemente, em entrevista a Rádio Tupi, o Gerente das categorias de base do Botafogo, Cristiano Gomes, disse que além de formar atletas, o Glorioso tem como objetivo conquistar títulos na base, para entregar jogadores vitoriosos aos profissionais. Anthoni Santoro acredita que independente dos resultados, o mais importante é qualificar o jogador de uma forma multidisciplinar.

“Eu trabalhei anos no Flamengo, no Botafogo uma primeira vez, segunda vez, Fluminense. Todo mundo quer formar e ganhar. Eu acredito que o mais importante é formar, qualificar o atleta de uma forma multidisciplinar mesmo. Dar conceitos técnicos, táticos, gerar a capacidade emotiva de controle de equilíbrio dentro de uma partida, de entendimento do jogo. Fazer com que ele tenha a preocupação com a importância da educação, da formação, do estudo, da boa alimentação. Eu acredito que a formação é algo muito mais importante, só que as pessoas qualificam muito em cima do resultado. Te julgam muito em cima do resultado que você alcançou. Então, o discurso é sempre em função do resultado. O resultado vai te dar o discurso que você quer. Isso é muito claro para mim, enquanto defesa do seu trabalho. Mas para mim, o importante é a formação. É formação ampla, abrangente do atleta, isso é fundamental.”

Empréstimos

Visando a temporada 2019, o Botafogo tem emprestado vários crias da base para outros clubes, no intuito de que esses atletas adquiram experiência. Perguntado se não seria melhor o Glorioso segurar esses jogadores no elenco, já que devido à crise financeira, o clube tem dificuldades para contratar, Anthoni disse confiar no trabalho de Zé Ricardo e Anderson Barros e que em certos casos é realmente melhor que o jogador passe por outros clubes.

“Eles (Zé Ricardo e Anderson Barros) têm um olhar criterioso sobre o trabalho. Eu os conheço bem, há muito tempo, desde a época do futsal, que nós trabalhamos juntos no Flamengo, isso na década de 90 ainda, e sei da competência de cada um. E, às vezes, o jogador que ascende da base requer um pouquinho de rodagem também. Há uma necessidade dele sair para rodar, para vivenciar algumas situações que ele não está conseguindo vivenciar dentro do próprio clube que o revelou, por motivos às vezes imediatos dentro do futebol de resultados. E num outro momento, ele volta para o clube mais amadurecido e talvez mais apto para ser utilizado no elenco profissional do clube grande.”

2019

Por fim, Anthoni Santoro contou quais são os seus planos para este ano. O treinador tem como principal meta a conclusão do mestrado em Ciências do Exercício e do Esporte, feito na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

“Hoje, obviamente, sempre mantendo o meu estudo sobre futebol. Quando eu digo estudo, é estudo mesmo. É leitura de artigos científicos, de livros interessantes que falem de futebol, parte tática, ou de uma forma global, possa falar de algumas coisas que possam estar envolvidas dentro do futebol, da dinâmica do jogo. Estudar não é só ver jogo, só fazer cursos, às vezes cursos que não te ajudam em muita coisa, curto prazo, enfim. Eu estou me qualificando. Eu qualifico agora o meu mestrado. Faço mestrado na UERJ, em Ciências do Exercício e do Esporte. Em fevereiro agora eu me qualifico. Então, o meu maior objetivo agora é fechar essa qualificação, que é algo muito importante para a minha vida profissional”, encerrou.

Fonte: Esporte 24 Horas