A conexão entre Botafogo e Seleção Brasileira é histórica e até explica como o futebol é tão popular em terras tupiniquins atualmente. O Alvinegro é o clube com mais jogadores cedidos à Canarinho em Copas do Mundo, com 47 ao todo. Em três Mundiais, inclusive, atletas do Alvinegro foram essenciais para o título da equipe – Nilton Santos, Garrincha e Jairzinho, ambos revelados pelo Glorioso, são os maiores exemplos.

Com pelo menos um jogador no elenco do Brasil de todas as Copas do Mundo entre as edições de 1930 e 1990, essa relação foi um pouco apagada nos últimos anos. Com seguidas crises financeiras vividas, o Botafogo encontrou dificuldade de emplacar novos jogadores na Seleção Brasileira, principalmente os criados nas categorias de base. Isto mudou com a convocação de Marcinho, chamado por Tite na última sexta-feira para amistosos contra Senegal e Nigéria.

– Marcinho é um atleta que tem o cognitivo acima da média. Sempre levou muito a sério a profissão, é dedicado, centrado. Acho que, em função disso, as coisas vão acontecer naturalmente na carreira dele. Essa é a grande diferença que vejo dele para a maioria dos atletas que já tive contato – afirmou Manoel Renha, diretor das categorias de base do Botafogo, de forma exclusiva para o LANCE!.

A Seleção Brasileira não tinha contato com um jogador criado em General Severiano desde 2008, quando Léo Moura, então atuando pelo Flamengo, foi convocado para substituir Maicon, da Inter de Milão, cortado por lesão, para participar de um amistoso contra a Irlanda, em Dublin.

A última vez que um jogador criado nas categorias de base, que estava no Botafogo no momento em que foi convocado, é ainda mais distante. Foi em 1995, com Beto, então com 20 anos, que integrou o elenco do Brasil treinado por Zagallo na Copa América disputada no Uruguai. Desde então, um atleta que literalmente carregava a estrela solitária no peito não aparecia.

(Nota da Redação FogãoNET: o zagueiro Dória foi convocado por Felipão em 2013 numa “Seleção doméstica” para amistoso contra a Bolívia. Jefferson, Alexandre Pato, Ronaldinho e Neymar também foram lembrados)

Seja por administrações ruins, problemas financeiros e extracampo ou pouca estrutura para os jovens atletas, as categorias de base do Botafogo voltam ao foco do futebol nacional pela primeira vez em 11 anos. Chegar à Seleção é um marco, mas o Alvinegro, por mais importante que foi à Canarinho no século passado, havia se afastado disto.

– Para o clube é sempre importante ter jogador na Seleção Brasileira, principalmente hoje em dia, que a maioria dos convocados joga no exterior. Há muito tempo que não tínhamos alguém, o Jefferson foi o último que teve consistência sendo convocado. Mas antes dele, já há muitos anos, o Botafogo não tinha um jogador na seleção. Para a categoria de base, mesmo com todas as dificuldades que a gente tem, é, sem dúvida, gratificante ver um atleta que foi formado no clube chegar à Seleção Brasileira. Todos nós ficamos muito felizes por ele e pelo clube – finalizou Manoel Renha.

O Botafogo sofre com problemas de infraestrutura nas categorias de base e, principalmente, de suplementação alimentar. Os atletas que saem de General Severiano encontram dificuldades de se estabelecerem em jogos do sub-20 e da categoria principal por uma gritante diferença física em relação aos atletas adversários. Por isto que, muitas vezes, o tempo de adaptação para o elenco do Botafogo em uma categoria superior é mais demorado.

Mesmo sem emplacar nenhum jogador nas listas da seleção olímpica desde a chegada de André Jardine como técnico, a convocação de Marcinho é um indicativo de que, mesmo com todos os problemas no meio do caminho, o Botafogo ainda é capaz de revelar jogadores com nível de seleção.

Fonte: Terra