Considerada o ponto forte da gestão de Maurício Assumpção, a base do Botafogo inegavelmente melhorou bastante de nível nos últimos anos. Antes relegada a segundo plano nos campeonatos de divisões inferiores do Rio de Janeiro, agora está sempre disputando títulos em todas as categorias e conquistando alguns: foi campeão do Carioca Sub-15 de 2009 e do Sub-20 de 2011 e 2014, além do Torneio Guilherme Embry Sub-16 de 2012 e do Torneio Otávio Pinto Guimarães Sub-20 de 2013, fora diversos torneios internacionais de tiro curto.

Ao assumir o cargo de diretor das divisões de base do clube no começo do ano, porém, Manoel Renha viu que a situação não era nada otimista. “A coisa está bem ruim, a gente está estudando algumas alternativas. Costumamos até brincar que trabalhamos entre o céu e o inferno. Quando vamos fazer treinos no Cefat estamos no céu, quando vamos no Caio Martins, é o inferno. As condições do gramado e as instalações estão muito ruins”, revelou o dirigente com exclusividade ao FutNet, contando ainda que está em busca de parcerias para conseguir outro lugar para os treinamentos dos garotos da base. Os elogios ao CT do Cefat, em Várzea das Moças, em Niterói, não são em vão: o local foi usado para a pré-temporada do time profissional em janeiro, e tem instalações de primeiro mundo, segundo ele.

O ideal, para Renha, seria juntar todas as categorias de base e profissional em um único centro de treinamento, o que exigiria terreno grande com ao menos seis campos, o que não é viável no momento. “Temos rodízio de categorias, temos a questão da grama. Esta semana mesmo, tínhamos treino no Cefat, mas choveu muito em Niterói. Aí não treinamos lá para poupar o gramado e fomos para o Caio Martins. Mesmo lá temos que gerenciar. De manhã tem a sub-20, de tarde a sub-17, que ainda se divide entre os garotos de 17 e os de 16 anos. Tem uma área para testes. E ainda ia ter o sub-15, o sub-13 e o sub-11 no mesmo dia. É uma quantidade muito grande para fazer treino contínuo e tem que fazer rodízio no gramado. Se conseguirmos reformar o Caio Martins, vamos fazer três campos menores lá”, explicou. O Bota busca aprovar projeto para captar recursos via lei de incentivo para conseguir viabilizar as obras, mas estuda outras opções porque a concessão para usar o estádio niteroiense expira daqui a oito anos.

Mesmo o terreno cedido pela Prefeitura em Vargem Grande – que gerou notificação municipal ao clube, e também ao Vasco e Fluminense, por não terem começado as obras – ainda é inviável. “O terreno é um pântano. Não dá. O valor estimado para aterrar é de R$10 milhões. É presente de grego”, reclamou. A diretoria respondeu ao chamado dizendo que o município tinha se disposto a desembolsar R$6,5 milhões quando cedeu o terreno, o que não foi cumprido.

A outra tradicional opção usada pela base alvinegra é a sede de Marechal Hermes. Em seu mandato, Maurício Assumpção chegou a iniciar as obras para construção do CT das categorias inferiores no local, mesmo sem ainda ter o investimento necessário. Demoliu a estrutura esperando que com o começo dos trabalhos os interessados em investir fossem aparecer, mas nada surgiu. Hoje, o terreno é um grande canteiro de obras – que estão paradas. Mesmo o projeto do ex-presidente exigia que o Exército cedesse um terreno adjacente para poder ser feito, visto que previa a construção de cinco campos e o tamanho de Marechal sozinho mal comportaria dois. “Há o projeto de um botafoguense para fazer uma arena lá, porque com a proximidade das Olimpíadas há valorização. Mas não sei como está o andamento. Para a base, Marechal Hermes está descartado, o terreno é muito pequeno, mal e porcamente dá pra fazer um campo e meio. Antes da destruição já estava tudo muito ruim, os gramados já viraram terra porque muita gente treinava lá. Hoje não tem nada, destruíram até as instalações”, descartou.

Até o final do mês de março, segundo Renha, o torcedor já pode esperar uma definição sobre o futuro dos treinos da base. O clube tem algumas opções: definir a reforma do Caio Martins, fechar outra parceria para uso de CT de outro clube ou ainda outros campos na região de Niterói. Essa terceira opção deve ser feita de qualquer forma em caso de reforma no Caio Martins, porque o local ficaria ao menos dois meses sem poder ser usado pelos garotos. “Caio Martins está impraticável, a chance de acontecer uma contusão treinando lá é grande. O Cefat a gente só usa três vezes por semana, e é só o sub-17 e o sub-20. As categorias menores, não”, concluiu.

Fonte: Futnet