O Botafogo iniciou o ano de 2015 com projetos de reestruturação interna. Ainda assim, o clube se vê diante de uma crise que afeta diversos setores, com atraso de salários e a responsabilidade de tentar retornar à elite do futebol brasileiro após ser rebaixado para a Série B na temporada passada. Diante de tantos fatores, Bernardo Santoro, vice-presidente de finanças do clube, afirmou que o alvinegro tomará medidas para sair do vermelho.

Questionado sobre as dívidas fiscais do clube, Bernardo explicou quais as atitudes que devem ser tomadas de imediato. “Já houve, na verdade, a votação de uma lei que, inclusive, é muito criticada pelo Bom Senso FC. Caso ela seja sancionada, ou mesmo que ela não seja, mas que os seus princípios sejam aplicados posteriormente numa lei de responsabilidade fiscal do esporte, isso também vai dar uma espécie de folga, um novo e grande Refis (programa de recuperação fiscal) para o Botafogo poder entrar nesse Refis e a partir daí ter uma perspectiva mais razoável de entrada de receitas e manejamento de fluxo de caixa, orçamento e finanças no geral”, explicou em entrevista ao canal Sportv.

“Há uma grande discussão acerca dessa questão da lei de responsabilidade fiscal, o fato de que a lei que foi aprovada recentemente no Congresso dá uma concessão tributaria fiscal aos clubes sem a contrapartida da lei de responsabilidade fiscal. O que eu quero dizer como vice-presidente de finanças do Botafogo, independentemente de haver uma lei dizendo que precisaremos respeitar a responsabilidade fiscal, é uma visão, um princípio básico da nossa gestão: a gente quer respeitar a responsabilidade fiscal, a austeridade fiscal, a ideia de que não se pode gastar mais do que arrecada, e efetivamente consertar as finanças do clube”, declarou.

O vice-presidente afirmou que o clube pretende realizar uma reforma institucional, independente da existência de leis de responsabilidade fiscal.

“O Botafogo esta comprometido em fazer uma reforma estatutária, uma reforma das suas instituições de forma que esses princípios de responsabilidade fiscal, de não gastar mais que arrecada e todos os princípios de governança corporativa, sejam incorporados ao estatuto do Botafogo. Nós pretendemos institucionalizar essas ideias no estatuto, e instituir o que rege o clube, para que não fiquemos à mercê de uma ideia. Queremos sair na frente e fazer essa reforma para que o Botafogo, nesse sentido de responsabilidade fiscal, seja um pioneiro nessa pratica administrativa”, disse.

Bernardo também colocou a questão de que um dirigente só não pode cuidar das finanças de um clube e de que é preciso uma fiscalização interna para garantir a boa gestão financeira.

“Eu particularmente tenho receio de se o Estado é o ente mais próprio para fazer esse tipo de intervenção, até porque no último ano não tivemos um histórico muito bom com responsabilidade fiscal. O ministro da Fazenda atual, Joaquim Levy, que é botafoguense, tem tentado mudar e trazer essas novas práticas”, afirmou.

“Vou entrar em contato posteriormente com o Otávio Leite para pegar o que ele tem feito da lei de responsabilidade de fiscal. Ele é o relator desse projeto na Câmara”, finalizou o vice-presidente.

Fonte: Terra