Sem declarações fortes e longe de polêmicas, Jefferson recuperou o posto de líder do Botafogo. A estratégia do goleiro é aparecer o menos possível, dentro e fora de campo. E é dessa maneira que o camisa 1 alvinegro se comporta para aliviar a pressão de um grupo atrapalhado por meses de salários atrasados e pelos maus resultados no Campeonato Brasileiro. Em meio a crise, Jefferson “retoma o controle” do time com um papel de liderança marcado pela discrição.

O estilo de liderar do goleiro é contrário ao de Emerson Sheik, outro atleta que toma a palavra em momentos importantes e cobra de forma firme a diretoria. Com mais tempo de casa – são duas passagens pelo Botafogo, entre 2003 e 2005, e com maior destaque após retorno, em 2009 –, o capitão Jefferson usa a frieza para lidar com as dificuldades e distribuir conselhos.

Fora durante mais de um mês por causa de compromissos com a seleção brasileira na Copa do Mundo, Jefferson voltou a General Severiano na metade de julho com um clima quente nos bastidores. Com 100% de suas receitas bloqueadas, o Botafogo deve cinco meses de direitos de imagem, mais três de carteira de trabalho, além de FGTS.

Desde então, Jefferson usa a discrição para amenizar descontentamentos. O camisa 1 alvinegro tem muito prestígio com os jovens de destaque do time – casos do zagueiro Dória e do volante Gabriel. Diante de um cenário que favorece uma possível debandada do Botafogo, são estes dois jogadores que mais têm chances de receber uma proposta. A dupla é alvo de “chamadas” do goleiro.

Visto como exemplo no elenco, Jefferson deu um sinal claro de que o seu discurso em particular aos garotos serve também para o público em geral. “Não podemos pagar mal com o mal. Sair é o extremo. Honramos a camisa do Botafogo. Pode destacar que isso não vai acontecer”, declarou o camisa 1, à rádio CBN, a respeito de um adeus em massa de jogadores, após o empate por 1 a 1 com o Cruzeiro.

O próprio goleiro é alvo de especulações. Na última semana, o Benfica foi apontado como destino do atleta pela imprensa portuguesa. O Botafogo rejeitará qualquer proposta pelo seu capitão, que costuma ter acesso livre aos dirigentes para conversas e cobranças.

Além da crise financeira, o Botafogo se preocupa com os resultados dentro de campo. Jefferson também é fundamental para a equipe reagir no Campeonato Brasileiro. Com 13 pontos e 13 partidas disputadas, o clube ocupa a 15ª colocação da tabela e se preocupa com a zona de rebaixamento. O próximo compromisso será contra o Atlético-PR, às 16h do domingo, fora de casa.

Fonte: UOL