Há 25 anos atrás, no dia 23 de setembro, Botafogo chegou ao auge da sua história internacional. A conquista da Conmebol de 93 foi um marco e evidenciou a essência do futebol. Sem grandes investimentos e talentos, o clube mostrou que um grupo vencedor se faz com determinação e força de vontade. Em entrevista, ao Esporte 24 Horas, Eliel, autor de um dos gols da final, abriu o jogo sobre os bastidores do elenco alvinegro. De acordo com o atacante, a união foi o diferencial na conquista.

“A gente sabe que é o dinheiro que comando o futebol. Com ele você consegue ter tudo de melhor que o futebol oferece. Mas, não era o nosso caso. O Botafogo estava com pouco dinheiro e foi o que deu para montar. Nós éramos um grupo de jovens, chegando ao profissional. Fator que acabou nos ajudando. Pois nos unimos e nos fortalecemos como elenco. A gente não tinha o jogador diferenciado. Mas, logicamente, se não soubéssemos jogar futebol, a gente não teria sido campeões”, afirmou Eliel.

Diante de um grupo muito unido, Botafogo conseguiu superar as dificuldades e surpreender a todos. De acordo com Eliel, ao fim da partida contra o Penãrol, o sentimento de heroísmo tomou conta do elenco.

“A sensação foi ótima. Uma satisfação de olhar para trás e dizer: “Valeu a pena”. Um grupo tão novo, com jogadores desacreditados e com pouca experiência em time grande. Então, é uma satisfação enorme. Eu agradeço a Deus pela oportunidade, por poder ajudar, marcar gol na final e ser campeão. Eu sou muito agradecido”, revelou.
Transferência para o Botafogo

Assim que surgiu no São Paulo, Eliel mostrou ter qualidade e ganhou oportunidade no time titular. Mas com a chegada de novos craques, o treinador, Tele Santana resolveu deixa-lo no banco. Muito chateado com a situação, o ex-jogador pediu para sair do clube. Neste momento, começou a história do atacante com o Botafogo.

Com problemas financeiros, o Alvinegro formava um time modesto, porém, com potencial para manter a história do clube. Segundo Eliel, mesmo com todo o cenário negativo, ele não pensou duas vez quando a proposta da equipe carioca se oficializou.

“Sabia das dificuldades financeiras que o Botafogo estava atravessando. Mas, é time grande, né?! Eu queria encarar esse desafio. Sabia que o elenco tinha sido modificado. Por isso, muitos garotos da base foram promovidos. Ainda assim eu quis encarar esse desafio e para mim foi maravilhoso. Independente de qualquer coisa, conseguimos ser campeões da Conmebol. Um título inédito”, lembrou Eliel.

Chegada de Carlos Alberto Torres

Com uma campanha ruim no Carioca, eliminado na primeira fase do Rio-São Paulo e do Brasileirão, Botafogo começou a temporada de 93 com muitos tropeços. Por isso, o clube sofreu com a constante mudança de treinador. Mas, viu na chegada de Carlos Alberto Torres a compreensão que faltava. Segundo Eliel, desde que chegou, o “Capita” sabia que aquele grupo precisava de apoio.

“A vinda do Carlos Alberto Torres foi fundamental. Ele chegou com muita autoridade e sabendo o que a gente queria. Falou: “Estou aqui para encarar com vocês. Conto vocês e contem comigo”. Portanto, isso nos fortaleceu bastante. Teve um treino que a gente não estava conseguindo acertar e ele resolveu acabar para não atrapalhar nossa confiança no jogo. Além disso, ele tinha experiência de campo. Só de ver, ele já sabia como estavam as coisas. Por isso, a vinda dele foi primordial para a nossa conquista”, contou o ex-jogador.

Homenagem do clube

Na partida contra o São Paulo, no dia 30 de setembro, pela 27º rodada do Brasileirão, o Botafogo promoveu uma homenagem ao elenco campeão da Conmebol. Os ex-jogadores foram ao gramado, deram volta olímpica, tiveram contato com a torcida e outras ações promovidas pelo clube. Em 2013, a diretoria alvinegra já tinha feito uma ação para comemorar os 20 anos da conquista. Mas, para Eliel, essa foi muito mais especial.

“A homenagem foi maravilhosa. Nos 20 anos da conquista, o clube já tinha feito uma, no Maracanã. Mas, dessa vez, foi muito emocionante. A gente pôde entrar no campo e ter um pouco mais de contato com a torcida. Foi um final maravilhoso, rever o pessoal que muito tempo eu não via. Não tem como descrever tamanha emoção”, comentou Eliel.

Reconhecimento

Recentemente, em entrevista ao Esporte 24 Horas, Sinval revelou a falta de reconhecimento do clube mediante a conquista de 93. Assim como o companheiro, Eliel também acredita que o feito deveria ser mais lembrado e comemorado pelo Botafogo. Além disso, ele conta que o grupo tem uma mágoa pela forma que são pouco lembrados.

“Concordo, nossa conquista não tinha o devido valor. Não que já tenha. Mas, depois da homenagem acredito que vamos começar a ser mais valorizado. Até porque o clube vive de título e a única conquista internacional do clube foi a gente que deu. Até pouco tempo não tinha um retrato nosso na sala de campeões, o troféu sumiu e, hoje, tem uma réplica. Portanto, acho sim que deveríamos ter um valor um pouco maior, isso chateia bastante a gente. Ganhar a Conmebol não foi fácil, foi por amor”, desabafa Eliel.

Botafogo de 2018

Atualmente, a realidade no Botafogo é um pouco parecida com aquele time de 93. Com dificuldade financeira, o elenco limitado tenta reconquistar a confiança da torcida e viver momento de glória. Nesta temporada, o título carioca foi o grande feito do Alvinegro. Mas, agora, a equipe busca se livrar do rebaixamento o quanto antes. Analisando o atual momento, Eliel compara as dificuldade e aconselha os jogadores.

“Eu aprendi muito no Botafogo. Embora já tivesse uma vivência no São Paulo, mas, é nas dificuldades que a gente vê quem é quem. Em 1993, o grupo encarou o desafio com muita responsabilidade e conseguimos. Portanto, o elenco atual tem que fazer o mesmo”, opina o ex-jogador.

Além disso, o ex-alvinegro ressalta sua confiança na fuga do rebaixamento.

“Estou acompanhando e eles tem condições de evitar o rebaixamento. Mas tem que se conscientizar da importância de somar pontos. Imprescindível, ganhar em casa e empatar fora. Isso é primordial. Se cair vai ser complicado com o clube. Mas, eu acredito na permanência do Botafogo”, garante.
Longe do futebol

Desde que encerrou a carreira como profissional, em 2003, Eliel decidiu não viver mais no futebol. Portanto, agora, o ex-atacante vive a vida como representante de vendas de uma empresa de grama sintética, em São Paulo. Hoje, mais sossegado, o ex-jogador se mostra satisfeito com a carreira. Mas, decepcionado com o ambiente do futebol.

“Eu já tive convite para ser treinador, empresário e outras funções, porém, não quis me envolver no futebol. A verdade que o futebol só é lindo na televisão. Nos bastidores, é compatível com a política brasileira. Sou eternamente grato aos meus 25 anos de carreira, mas já passou. Agora estou seguindo outros caminhos”, concluiu.

Fonte: Esporte 24 Horas