Elkeson admite ter tido receio ao sair do Botafogo para a China e já se vê atacante

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São 17 mil quilômetros do Rio de Janeiro a Guangzhou, e Elkeson cruzou o planeta receoso. Deixar o país e um clube grande como o Botafogo aos 23 anos era, certamente, uma decisão ousada do atacante brasileiro. “Você tem um pouco de receio de ficar sumido, de não estar mais na vitrine do futebol”, disse, em entrevista ao FIFA.com. Os medos de Elkeson, contudo, desapareceram na mesma velocidade do futebol praticado na China. Nos três primeiros jogos pelo Evergrande, em março, o camisa 9 balançou as redes cinco vezes. 

E não havia nada de capcioso no início de temporada de Elkeson. O brasileiro mantém a pontaria afiada desde então. A campanha que levou o Evergrande ao título da Super Liga chinesa viu o atacante marcar 24 vezes e tornar-se artilheiro da competição com oito gols a mais que o segundo colocado da lista. Para coroar a brilhante fase do camisa 9 na China, falta só o título da liga dos campeões da Ásia, a AFC Champions League. O jogo de ida da final, na casa do coreano Seul, terminou empatado em 2 a 2. O vencedor será conhecido neste sábado, em solo chinês.

“Vamos jogar com o apoio da nossa torcida, que faz uma diferença enorme. A gente espera conseguir o título porque é belíssima temporada. Para mim, individualmente, e para a equipe também. Com certeza, seria uma maneira de coroar tudo isso”, diz Elkeson, ciente de que a conquista rende ao campeão uma vaga na Copa do Mundo de Clubes da FIFA Marrocos 2013.

Nascido na pequena cidade de Coelho Neto, no norte do Brasil, o craque do Evergrande nem sempre foi um goleador de mão cheia. Enquanto atuava no Vitória, time que defendeu até 2011, Elkeson era escalado como meia de armação. Foi só a partir de maio daquele ano, com sua transferência para o Botafogo, que a carreira começou a tomar um rumo diferente. Em uma medida não muito popular com os fãs do clube, o técnico do Alvinegro, Oswaldo de Oliveira, quis vê-lo mais perto da grande área dos adversários. A mudança provou-se um tiro certeiro.

“Eu comecei uma nova função no Botafogo com o professor Oswaldo, que me deu a oportunidade de jogar como atacante. Existia desconfiança por parte da torcida. Era um jogador de meio campo que estava atuando no ataque, mas consegui ser artilheiro da equipe na temporada 2012”, recorda.

E o centroavante, hoje com 24 anos, afirma que os gols e seu bom momento na China são consequência de sua evolução como homem de área. Evolução que tem mérito também de Marcello Lippi, experiente técnico italiano que venceu a Copa do Mundo da FIFA de 2006 e conquistou a UEFA Champions League em 1996. O treinador, aliás, foi o maior incentivo para que Elkeson trocasse o futebol brasileiro pelo chinês.

“Quando recebi o convite para trabalhar com o Marcello Lippi, que fez questão da minha contratação, não pensei duas vezes. É um treinador vitorioso, campeão do mundo, um cara que trabalhou durante anos na Juventus. Eu acreditei que iria aprender muito e está sendo fantástico. Procuro aprender muito nas preleções dele e evoluí muito este ano. O Marcello me deu total liberdade para continuar a exercer essa função de atacante dentro de campo e, hoje, eu me vejo um homem de área mesmo, com liberdade para fazer gols e ajudar minha equipe”. 

Casa longe de casa
Elkeson garante que adaptar-se à vida na Ásia não foi difícil. Seu cardápio básico, com arroz, frango e salada, continua. E ainda que não encontre todos ingredientes da culinária brasileira em Guangzhou, o atacante caiu de amores pelo yakissoba típico da nova cidade: “Não tinha igual no Rio. Aqui é diferente, bem apimentado, do jeito que eu gosto”. 

Longe dos parentes e da namorada, o camisa 9 tira o melhor proveito possível da situação. A solidão passou a ser aliada. Sua concentração está só no futebol, só nos gols. E diante possibilidade de jogar uma Copa do Mundo de Clubes, prefere não se precipitar e reconhece que não parece muito provável um eventual confronto contra seus compatriotas do Atlético Mineiro, algo que só aconteceria na final.

“A gente acompanha bastante o Atlético, que vai representar o Brasil. É difícil a gente se encontrar no torneio porque já sabe que, classificando e indo para o Mundial, pode enfrentar o Bayern de Munique na semifinal, então é pedreira! Nosso pensamento primeiro é conquistar o título da AFC Champions League. É o jogo mais importante do ano”.

Fonte: Fifa.com

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