Atualmente vivendo boa fase em sua segunda passagem pelo Corinthians, Emerson mostrou que não é daqueles que se esquecem facilmente. Desfrutando de um novo estilo de vida, o atacante reconheceu que não se arrepende de ter atuado no Botafogo por empréstimo em 2014.

Apesar de protagonizar alguns desentendimentos, e ficar submetido à crise financeira do clube, o atleta reconhece que foi um momento importante para tomar consciência “do outro lado” do futebol brasileiro.

Após ficar onze anos fora do país e construir a carreira no exterior, Emerson voltou em 2009 e logo em seu primeiro ano foi campeão brasileiro pelo Flamengo. No ano seguinte, conquistou o título no Fluminense, inclusive, marcando gol na última e decisiva partida. A partir de 2011, Sheik emendou uma sequência vitoriosa no Corinthians, conquistando o Paulista, o Brasileiro, a Copa Libertadores, o Mundial e a Recopa Sul-Americana. Contudo, após a troca no comando técnico do time alvinegro, decidiu sair e foi nas dificuldades do Botafogo que percebeu a condição da maior parte dos atletas brasileiros.

“Mesmo sabendo da dificuldade do clube, eu não me arrependo de ter ido ao Botafogo, foi uma baita experiência. Veio para me mostrar outro lado, o lado que a maioria dos jogadores passam aqui. O futebol, como um todo, não tem a realidade do Corinthians. E eu precisava enxergar esse outro lado. Sou grato ao Botafogo. Foi uma experiência não ter onde treinar, ver companheiros que não tinham dinheiro para ir treinar”, assumiu em entrevista ao SporTV. “Fui presenteado com uma camisa que é histórica no clube e me senti honrado com isso”, prosseguiu o atacante, que vestiu a 7 que foi de Garrincha.

Mesmo admitindo que mudou alguns hábitos de vida, atentando-se mais aos relacionamentos e dedicando-se apenas às amizades verdadeiras, Emerson avisou que a personalidade continua forte. Perguntado sobre o reencontro com Caruzo, zagueiro que atualmente está no San Lorenzo e levou uma mordida do atacante na final da Libertadores em 2012, o brasileiro admitiu que não existirá clima amistoso. “Eu não tenho nenhuma intenção de discutir com ele, mas também não tenho nenhum tipo de amizade e nem pretendo ter. Quando chegar o jogo do San Lorenzo, eles não vão encontrar amigos”, avisou.

Antes de voltar a disputar a Libertadores, porém, o Corinthians tem compromissos importantes pelo Campeonato Paulista. Depois da vitória suada diante do Capivariano no último domingo, quando a equipe alvinegra levou dois gols em um mesmo jogo pela primeira vez na temporada, a equipe já volta a campo nesta terça para encarar a Portuguesa, e quinta enfrenta a Penapolense. A maratona pelo Estadual se encerra no domingo, quando o time enfrenta o Bragantino. Sobre os compromissos, Emerson se mostrou a fim de ajudar.

“Essa cobrança pelos dois gols sofridos não é normal, mas com certeza vai ter um puxão de orelha do treinador. O gramado estava horrível, é uma pena que os responsáveis pelo campeonato deixem que isso aconteça. O nível do futebol cai por jogar em um gramado como esse, além do risco de lesão”, comentou Sheik, que disse ter aprendido com Tite a ser competitivo em todos os jogos, independente do adversário. “Eu estou afim de jogar, quero jogar, mas o Tite vai conversar com a preparação para fazer uma divisão e evitar o desgaste dos atletas”, acrescentou.

Fonte: ESPN.com.br