Titular absoluto, aos 23 anos, o zagueiro Igor Rabello colhe os frutos de um grande desempenho na temporada. Foram 47 partidas realizadas no ano até o momento, quatro gols marcados e 4.527 minutos em campo pelo Botafogo. É o jogador que mais atuou pelo Glorioso em 2018. Desfalcou o time apenas uma vez, diante do Grêmio, em Porto Alegre, pelo Campeonato Brasileiro. Rabello foi campeão Estadual e escolhido para a seleção da competição, ao lado do zagueiro Gum, do Fluminense. A reportagem da Super Rádio Tupi conversou com Anselmo Paiva, empresário do jogador, que comentou sobre a fase que atravessa o defensor Alvinegro.

– Isso é uma coisa que nos deixa bastante animado. Ele é um jovem e está próximo de completar 100 jogos pelo Botafogo. Para um menino de 23 anos é uma coisa rara no atual futebol. O Igor é uma pessoa bastante tranquila e focada no trabalho. Ele sempre teve muita tranquilidade e está feliz no Botafogo. Adquiriu uma segurança muito grande em seu futebol. Sabe o momento especial que está vivendo no clube – opinou Anselmo, estabelecendo a meta traçada para a carreira do jogador.

– Na última janela de transferências internacionais, que terminou no dia 31 de agosto, houve muita especulação em torno do nome dele. Em nenhum momento isso afetou o atleta. Eu tinha que levar ao conhecimento do jogador o que chegava, até para saber se algo interessava. O Igor olhava, avaliava, pedia umas três horas para saber sobre a equipe, elenco e dava um retorno pra gente. Ele não é o tipo de atleta que fica pedindo para arrumar outra coisa e sair. Nós temos em mente para a carreira do jogador a chance de atuar em clubes da Europa, dos principais centros como Itália, França, Alemanha, Inglaterra, Espanha e Portugal. Entendemos que é importante uma transferência para uma equipe de médio porte, que ele tenha um período de adaptação entre 1 a 2 anos, para depois jogar em um time Top. Não existe nenhum desespero para tirá-lo do Botafogo – analisou.

Negociação não concretizada na última janela de transferências internacionais

Precisando fazer caixa para fechar o orçamento de 2018, o Botafogo tinha a esperança de negociar o zagueiro ou o volante Matheus Fernandes. Igor Rabello esteve próximo de deixar o clube, mas a negociação não teve um final feliz. Anselmo Paiva detalhou como foi esse processo, após propostas oficiais do Lokomotiv-RUS e do Akhmat Grozny, da Chechênia.

– Antes da abertura da janela, o Lokomotiv-RUS fez uma proposta oficial. O time tinha acabado de ser campeão russo e o presidente foi chamado para ser Ministro dos Esportes. Ele renunciou ao cargo e toda equipe de trabalho dele saiu. Foi justamente nesse intervalo de tempo, entre mandarem a proposta e o Botafogo responder, que ele acabou saindo. Logo depois surgiu foi uma proposta oficial da Chechênia. Financeiramente era muito boa, mas fugia completamente do que tínhamos planejado. Diante desses fatos, com o mercado “bombando”, nós imaginamos que até o fim da janela seria fácil direcionar o que seria melhor para o atleta e também ao Botafogo. Surpreendentemente as coisas não funcionaram dessa forma. Confesso que fiquei surpreso dele não ter saído nessa janela – Explicou o representante, que revelou também uma procura de um clube da Arábia Saudita.

– Surgiu um contato da Arábia Saudita. Apesar dos valores serem assustadores, preferimos descartar. Seria bom financeiramente e ruim tecnicamente nesse momento. Não existe prioridade em relação a clube nenhum. Existe sim o perfil que mencionei anteriormente focando no mercado Europeu – Concluiu.

Convocação para a Seleção Brasileira

– É uma situação que nós sonhamos sim. Acreditamos que a regularidade que ele mostra na temporada é um fator favorável. Respeitamos sempre a visão do treinador da Seleção, o Tite. Acho que o Igor mais a frente se transferindo para um clube médio da Europa vai crescer na carreira e, consequentemente, conquistar uma valorização que poderá levá-lo a ser lembrado na Seleção Brasileira. O trabalho hoje feito no Botafogo o faz ter chance de ganhar uma oportunidade. O setor defensivo é o que terá mais experiências nesse novo ciclo até 2022, devido às idades mais avançadas de Miranda e Thiago Silva – Avaliou Anselmo Paiva.

Reconstrução da carreira no Náutico

– A passagem pelo Náutico em 2016 foi a coisa mais importante que aconteceu na carreira dele. O Botafogo tinha afastado o jogador, alegando que não estava maduro ainda. A partir daí fomos buscar um novo clube, já que a intenção do Botafogo era emprestá-lo ao Madureira ou a Portuguesa-RJ. Nós entendíamos que não era uma equipe ideal para ele naquele momento. O Igor não iria evoluir em nada disputando a Copa Rio por uma das duas equipes. Na época, o Alexandre Gallo, hoje dirigente no Atlético-MG, era o treinador do Náutico. Quando oferecemos o atleta ele imediatamente aceitou. O Gallo foi treinador do Igor na Seleção Brasileira de base, onde foram campões do Torneio de Cotif, na Espanha. O Igor chegou sendo o quinto zagueiro do Náutico, que na época tinha o Fabiano Eller. Inicialmente, ele ficou no alojamento dos atletas amadores, depois cresceu de produção, conquistou o espaço e terminou a competição com o Náutico quase subindo para a Série A. Ele disputou os últimos 15 jogos e fez dois gols. O mais fundamental foi que o atleta viu seu valor pessoal e recuperou a autoestima. Quando terminou a competição o Náutico ofereceu três vezes mais de salário que ele ganhava no Botafogo para continuar em Recife. O jogador ficou balançado e quando sentamos para conversar ele perguntou a minha opinião. Eu disse que o Náutico foi fantástico, mas que ele era jogador de Botafogo, da primeira divisão, como todo respeito e carinho por tudo que os pernambucanos fizeram por ele. O Igor me disse que estava com medo de não ser valorizado novamente no Botafogo, mas ficar no Náutico era estar somente na zona de conforto. O convenci dizendo que da mesma maneira que ele chegou como quinto zagueiro no Náutico, ele iria mostrar a qualidade no Botafogo para se firmar. No fim das contas foi exatamente isso que aconteceu – Analisou o empresário, ressaltando a mudança de posicionamento de Igor Rabello, que passou a jogar pelo lado esquerdo e não mais pela direita.

– O Igor aprendeu a jogar pela esquerda no Náutico. Quando ele retornou ao Botafogo surgiu à oportunidade de atuar pela esquerda. Eu sempre falo quando tenho a oportunidade de conversar com dirigentes das grandes equipes, que acho uma falha muito grande dos clubes, quando um atleta é lançado direto dos juniores aos profissionais. Óbvio que existem exceções. Nem todo jogador está pronto. Deveriam pegar alguns atletas e emprestar para clubes de Série B ou jogar competições Sub-23, para que pudessem qualificar o jogador com mais calma. Na época, se não fosse o nosso reforço para levá-lo ao Náutico, já que o Botafogo não queria emprestá-lo, o Igor não teria evoluído e o clube não teria no futuro a chance de fazer dinheiro com ele uma negociação. A mesma coisa aconteceu com o atacante Sassá. Quem arrumou o empréstimo do Sassá para o Náutico fui eu. O jogador arrebentou por lá e voltou ao Botafogo. É importante o torcedor do Botafogo saber o que o Igor já passou até chegar nessa fase atual – Comentou.

Ser campeão Internacional pelo Botafogo (Sul-Americana)

– Ele começou a se destacar pelo Botafogo na Libertadores do ano passado atuando contra o Atlético Nacional-COL. A Copa Sul-Americana hoje é o que o Botafogo tem para conquistar no segundo semestre. Ele me disse que estão todos focados nessa possibilidade, além de buscar fugir no Brasileirão dessa zona próxima ao Rebaixamento – Finalizou.

O contrato de Igor Rabello com o Botafogo vai até dezembro de 2021. A multa rescisória é de 40 milhões de Euros para clubes do exterior. O Botafogo é dono de 60% dos direitos econômicos. O atleta e o seu empresário são donos dos 40% restantes. Rabello está próximo de alcançar a marca de 100 pelo Glorioso. São 97 partidas e seis gols assinalados.

Fonte: Super Rádio Tupi