Não há, no mundo, um botafoguense que não tenha se entregado à magia da Libertadores. Com partidas épicas, vitórias maiúsculas e classificações empolgantes, o Glorioso chegou à segunda metade da fase de grupos precisando apenas de uma combinação simples de resultados para avançar às oitavas.

No entanto, bastou um desfalque para desorganizar tudo o que vinha dando certo e causar um frio na espinha do torcedor. Mais uma vez, o Botafogo falhou miseravelmente na hora de “tirar o 10” e fidelizar a torcida. Com o estádio lotado e a vitória do Atlético Nacional, bastava vencer o Barcelona para garantir a classificação – mas a verdade é que, durante os 90 minutos, isso nunca esteve perto de acontecer.

A ausência de Bruno Silva abriu uma lacuna que não poderia ser preenchida. Como bem disse Jair Ventura no pós-jogo, não há no elenco um jogador com as mesmas características. Bato nessa tecla insistentemente há alguns meses: o Botafogo se adaptou ao jogo com extremos, mas parece não saber disso. Mesmo na virada do ano, o departamento de futebol não foi atrás de jogadores com as características necessárias para as pontas da segunda linha de 4 no nosso esquema tático.

Dessa forma, Jair errou e lançou o time à frente – usando, de cara, todas as opções de velocidade. Com Sassá, Guilherme e Pimpão, nosso técnico queimou todas as alternativas de mudar o panorama do jogo. A segunda linha de 4 não se fechou, o time não compactou e o adversário matou o jogo em dois lances ainda na primeira etapa.

Vitor Silva/SSPress/Botafogo

Vitor Silva/SSPress/Botafogo
Torcida compareceu e fez linda festa, mas time não correspondeu em campo

O “novo Botafogo”, hoje, não apareceu. Entre a amarelada do passado e a superação do presente, ainda aposto na segunda. E, embora a dor de cabeça faça latejar a dúvida, o grito uníssono de apoio ao apito final mostrou que o Estádio Nilton Santos nos aguarda no dia 18 para lutar por essa vaga. Foi apenas uma noite ruim.

Como última observação, deixo aqui minha indignação com quem optou por colocar a torcida visitante nos camarotes da Leste, logo acima do nosso setor mais ocupado. É preciso nunca ter ido a um estádio de futebol pra achar que os equatorianos não jogariam objetos, copos e bebidas em nosso povo. Enquanto isso, a Oeste Superior tinha espaço de sobra. Era lá que deveriam ficar.

Que o Botafogo saiba absorver as lições da derrota de hoje. Nem só de vitórias vive um time campeão: os maiores aprendizados também vêm dos tropeços. Hoje o Alvinegro mostrou a outra face, aquela que não queremos mais ver nessa Libertadores. Jair saberá administrar as cobranças e recolocar o time nos eixos.

Que venha a próxima festa!

Notas

Gatito: 4
No primeiro gol, poderia ter saído e aceitou bola defensável. No segundo, poderia ter ficado e saiu mal demais. Ainda houve um terceiro lance, quando ficou indeciso e foi salvo por Emerson Silva, que tirou praticamente em cima da linha, e um quarto, quando ficou muito adiantado e quase foi encoberto em cobrança de falta próxima ao escanteio.

Emerson Santos: 4
Exposto com a ausência de Bruno Silva, esteve mal posicionado em diversos lances – inclusive nos dois gols. No ataque, pouco produziu. Desperdiçou ótima chance ao cabecear pra fora, livre na grande área.

Joel Carli: 5
Nitidamente prejudicado pela falta de cobertura a Emerson Santos, esteve exposto e perdeu na corrida no lance do 1º gol. No 2º, também saiu para cortar de cabeça e deixou buraco.

Emerson Silva: 5,5
Envolvido como toda a defesa, não teve muito o que fazer. Saiu machucado no intervalo.

Victor Luis: 6
Lutou muito e tentou levar o time à frente. Faltou caprichar nos passes e cruzamentos.

Airton: 7
O melhor do time. Marcou praticamente sozinho e ainda tentou, na medida do possível, ajudar na armação dos ataques. Será desfalque importante na próxima partida.

João Paulo: 6
Brigou bastante e desarmou algumas jogadas. Também tentou levar o time à frente, mas pecou nos passes. Perdeu boa chance no ataque.

Camilo: 6
Segue muito abaixo do esperado. Sua nota não será mais baixa porque, ainda assim, deixou Emerson e Guilherme na cara do gol.

Guilherme: 6
Embora tenha demonstrado toda a sua ruindade por diversas vezes, como em chance claríssima de gol cara a cara ainda no 1º tempo, foi um dos que mais tentou armar jogadas e levou perigo ao gol adversário.

Rodrigo Pimpão: 4
Sumido em campo, só apareceu para cometer erros. Parece não ter o mesmo fôlego do início de temporada, quando conseguia atacar com eficiência e ainda fechar o setor pela esquerda, como um extremo.

Sassá: 4,5
Tentou lutar com os zagueiros, mas não conseguiu fazer o pivô em praticamente nenhuma jogada. Perdeu duas boas chances de gol. Não consegue repetir, como titular, as boas atuações que teve entrando na segunda etapa e aproveitando o cansaço da defesa adversária.

Marcelo: 7
Entrou no intervalo, na vaga de Emerson Silva, e foi bem. Antecipou quase todas e ganhou várias divididas.

Roger: 6
Ao entrar na vaga de Camilo, ficou um pouco deslocado. Por diversas vezes, foi visto recuando e tentando armar jogadas – o que, claramente, não é a dele. Deveria ter sido titular.

Fernandes: sem nota
Jogou 10 minutos. Sua entrada não surtiu efeito. Sem tempo para análise.

Jair Ventura: 5
Errou ao mudar as características do time. Irreconhecível em campo, o Botafogo não conseguiu emplacar o 4-4-1-1 com Guilherme e Pimpão como extremos. A equipe sentiu muito a falta de Bruno Silva – principalmente o lado direito, com Emerson e Carli bastante expostos. Ao tentar propôr o jogo, foi engolido pelos contra-ataques do Barcelona. Precisa cobrar reforços à diretoria.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC