Menino simples, de infância humilde no interior do Pará, Erik não apagou da memória os momentos vividos até se tornar um jogador profissional de futebol. Até seus 10 anos de idade, o jogador morou em um assentamento (Projeto Tuerê), a cerca de 90 km de Novo Repartimento, cidade natal. Erik nunca deixou de estudar e acreditar no sonho de ser um artista da bola. Em entrevista exclusiva à reportagem da Super Rádio Tupi, o atacante relembrou as dificuldades enfrentadas.

– Foi uma infância muito simples. Passei dez anos no mesmo lugar. Eu me lembro que o Kako (assessor de imprensa) me mostrou a foto um pouco antes da partida contra o Vitória. Nós estávamos a caminho de um treinamento e aquilo mexeu demais comigo. É sempre bom estar revendo coisas que lembram a infância. No lugar daquela casa era uma outra casa de barro. Eu morei na casa de barro e brinquei com meu irmão que ele pegou a fase boa com a casa de madeira. Tinha um pé de jambo, um curral… A gente chamava o quintal de terreiro. Depois o futebol me obrigou a crescer. Segui meu caminho para Goiânia, onde passei os meus próximos 11 anos de vida defendendo o Goiás – contou Erik, que falou também sobre como foi o processo de educação e os estudos no Pará.

– O acesso à educação era mais difícil. A minha mãe foi minha professora até a quarta série na época. Sempre tive os meus pais perto de mim. A minha ida para Goiânia me ajudou muito nos estudos também. O Goiás me formou como atleta e como homem. Lá, se eu não estudasse não poderia jogar futebol. É muito importante sempre estar atento e buscando conhecimento. As mídias, as redes sociais, hoje tudo se torna muito próximo e não cresce quem não quer.

Emocionado, jogador comenta sobre seus pais, Bernardo e Walmira

– Meus pais significam exemplo. Existe uma passagem bíblica que fala que você honra pai e mãe e seus dias serão maiores, seja onde for. Ter uma criação em um lugar onde tudo era muito difícil foi algo maravilhoso. Meu pai comenta comigo que é um orgulho para a família eu estar jogando no Botafogo. Espero sempre dar muitas alegrias a eles. O time vai lutar bastante para levar o Botafogo ao lugar mais alto possível. Falo para todas as crianças que estudem e sigam os seus sonhos para um dia realizá-los. Fico muito feliz em poder contar um pouco dessa minha história.

Botafogo

Erik foi apresentado no mês de agosto cercado de uma boa expectativa. O jogador já havia sido tentado anteriormente sem sucesso pela diretoria. Por já ter sido inscrito na Copa Sul-Americana pelo Atlético-MG, ele não poderá atuar na competição, somente ajudar o Botafogo no Campeonato Brasileiro. Erik destacou o contato da torcida desde a chegada ao clube.

– Fui recebido com um carinho muito grande pelos botafoguenses. Tenho um respeito total por esse tratamento. Esse carinho já estava explícito antes mesmo da minha estreia, que foi com vitória em cima do Sport. Espero que daqui em diante seja também só alegria e mais alegria. Isso ajudou muito na minha adaptação ao clube. Sou um cara bastante centrado naquilo que eu quero fazer. Fiz uma escolha de vir ser feliz no Botafogo e está dando certo – explicou o atleta, que falou sobre uma projeção em atuar pelo Botafogo.

– Eu nunca na minha carreira quis pensar lá na frente. Gosto de viver o momento e quero fazer isso intensamente no Botafogo. É importante viver cada minuto, cada segundo, independentemente do tempo que vou ficar aqui. Já é muito especial vestir essa camisa Gloriosa. Existem várias possibilidades. Muitas não dependem somente de mim. Eu deixo esse assunto para o presidente, à diretoria e os meus empresários resolverem. Quero estar 100% focado no meu futebol. Espero que dê tudo certo no final.

Confira os outros tópicos da entrevista com o atacante Erik.

Zé Ricardo

– Sempre admirei o trabalho do Zé Ricardo. Dirigir equipes como Flamengo, Vasco e agora Botafogo não é para qualquer treinador. O profissional tem que ter um respeito muito grande de todas as torcidas. Ele é um treinador muito justo, bastante sério no dia a dia de trabalho e me sinto bem com isso. Os trabalhos do Zé Ricardo são muito bons. Desde que cheguei só evolui com o ritmo de trabalho imposto por ele. É um cara que eu desejo tudo de bom na carreira. Com certeza ele já deu certo porque conquistou um nome no cenário nacional.

Referência(s) na carreira

– São várias referências. Não costumo tratar como apenas um ídolo. Rivaldo sempre foi um grande exemplo por tudo que fez na seleção. Romário sempre foi um grande exemplo pelo fez dentro de campo. São exemplos de superação. Ronaldo fenômeno também foi diferenciado no futebol.

Seleção Brasileira/Ciclo para a Copa do Mundo de 2022

– Eu me incluo nesse novo ciclo. Faço parte também dessa nova geração. Já fui chamado em quatro ou cinco convocações para seleção de base. É um dos meus objetivos vestir essa camisa. Tudo tem o tempo para acontecer. Espero aproveitar da melhor maneira possível quando surgir essa oportunidade.

Europa e negociação não concluída com o Fenerbahçe

– Foi algo que eu procurei me blindar bastante para não me envolver na época. Existem sondagens e propostas que às vezes não chega à imprensa. O mais importante é honrar a camisa do clube que estou vestindo e deixar meu staff resolver as coisas. Meu objetivo é sempre estar jogando em alto nível em um grande clube. Nunca tive lesões e fui jogador de viver em DM. Jogar na Europa? Quem sabe futuramente. Já estou no meu sexto Campeonato Brasileiro apesar dos meus 24 anos. Quem sabe mais para frente isso possa acontecer na minha carreira.

Prêmio de revelação do Campeonato Brasileiro de 2014

– Foi um prêmio individual muito importante. Ser considerado a revelação do Brasileirão de 2014 foi um presente na minha vida. Guardei com muito carinho esse momento.

Hat-trick contra o Atlético-PR

– Vou contar essa história para os meus filhos. O goleiro era o meu amigo Weverton, hoje no Palmeiras. Ele foi campeão olímpico pelo Brasil.

Fonte: Rádio Tupi