Ex-Botafogo, revelação quase foi preso com carrinho de supermercado na China

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A passagem de Hyuri pelo Botafogo no Campeonato Brasileiro de 2013 foi meteórica. Com a mesma velocidade que estreou, fez gols, virou xodó da torcida e acabou transferido para a China em uma época em que poucos brasileiros se aventuravam por lá. Até por isso, sofreu um pouco com as diferenças culturais entre os países.

Aos 23 anos e atuando pelo Guizhou Renhe, que disputa a primeira divisão, já passou por algumas roubadas. Uma simples ida ao supermercado quase terminou em confusão, com direito a polícia.

“Uma vez fui comprar coisas e pegamos um carrinho no condomínio para ajudar a levar para casa. Só que eles acharam que estávamos roubando, então começaram a gritar no mercado em chinês, a gente se assustou”, revela o atacante ao ESPN.com.br.

O jogador precisou ter ‘sangue-frio’ para que a situação não ficasse ainda pior. “Olhei para a minha esposa e falei: ‘Fica quieta e continua agindo como se nada tivesse acontecendo’. Então fomos embora e a mulher do mercado chamou a polícia, que foi nos seguindo até chegar em casa (risos). No final, deu tudo certo”, comentou aliviado.

O país é conhecido também por iguarias culinárias exóticas, uma delas, segundo a tradição chinesa, é afrodisíaca. “Uma vez estava em um restaurante com diretores do clube e eles pediram sopa de barbatana de tubarão. Já que estava lá, resolvi experimentar para ver como era. Não foi ruim, mas não é algo que comeria todo dia (risos)”, diz.

Hoje bem adaptado ao país asiático após um ano e meio, Hyuri não esconde que se chocou no começo com os hábitos diferentes.

“Cospem muito na rua, até mesmo do seu lado e falam gritando. O trânsito aqui é maluco, eles não têm um cuidado com os outros, mas eu já me acostumei e tomo cuidado. Quem chegar aqui pela primeira vez vai pensar ‘que país é esse?'(risos), gargalha.

Para acelerar o bom convívio com os locais, ele usou uma prática mais condizente com a terra do kung-fu: analisar. “Achei que fosse tudo muito complicado, então mais observei tudo do que qualquer outra coisa. Consegui me encaixar no sistema deles muito rapidamente, com todas as exigências que eles têm”.

Se os costumes foram rapidamente assimilados, outras barreiras parecem intransponíveis. “O tradutor do clube só fala em inglês com a gente e apenas três chineses sabem falar esse idioma. Quando cheguei aqui não sabia inglês, tive que aprender e hoje consigo me comunicar bem. É muito complicado, dentro de campo às vezes temos problemas”, diz.

Ele conta que para ‘falar’ com boa parte dos companheiros apela a uma técnica mais primitiva.

“Tudo na base do gesto, tenho respeito e brinco com todos mesmo com todas as dificuldades de comunicação. Já aconteceu de uma vez tentarmos combinar uma jogada falada, mas deu tudo errado. Hoje quase não falamos mais nada (risos)”.

Hyuri tem contrato até o final deste ano e espera cumprí-lo até o final. “É uma experiência muito boa jogar em um campeonato completamente diferente, não é nada ruim como as pessoas pensam, é muito rápido. Estou mais maduro, aprendi muitas coisas aqui”, analisa.

Revelação do Brasileiro de 2013 e amigo de Seedorf

Hiury surgiu como um furacão no Botafogo. Menos de 20 depois de chegar do Audax-RJ fez uma estreia de gala na 18ª rodada. Marcou duas vezes na vitória diante do Coritiba por 3 a 1. O segundo foi golaço, driblando quatro adversários antes de balançar as redes.

Ele ficou menos de seis meses no alvinegro, o suficiente, porém, para ficar marcado. “A minha passagem foi muito rápida, mas algumas pessoas ainda me mandam mensagens e me pedem para voltar. Fico feliz por ser lembrado”.

O que não sai da memória de Hyuri foi o convívio com Seedorf, grande ídolo do time no período. “No dia em que cheguei para o primeiro treinamento me apresentei à comissão técnica e fui para a academia. Estava sentado no chão e ele foi último a chegar, não sabia se levantava. Ele veio na minha direção, me cumprimentou e disse: ‘Bem vindo ao Botafogo, sei que você veio para ajudar a gente’. Depois daquilo eu me senti em casa, foi inesquecível”, se emociona.

O atacante revelou um desejo para o futuro na sua terra natal. “Ainda tenho o sonho de jogar no Brasil de novo e um dia ser o melhor jogador do Campeonato Brasileiro”, diz.



Fonte: ESPN.com.br
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