Carlos Alberto Lancetta trabalhou no Botafogo e no Vasco em momentos conturbados dos clubes. No Glorioso, foi dirigente em 2003, ano em que o time disputou a segunda divisão pela primeira vez em sua história. No Gigante da Colina, foi gerente de futebol entre 2008 e 2009, na gestão Roberto Dinamite, período em que a equipe amargou o rebaixamento e disputou a Série B, fato que até então nunca tinha acontecido.

Atualmente, o profissional trabalha no Centro de Treinamento da CDA (Comissão de Desportos da Aeronáutica), onde treinam Bangu e Bonsucesso. Recentemente deu aulas em dois Cursos da ABTF (Associação Brasileira de Treinadores de Futebol) e um outro no Sindicato de Treinadores de Futebol do Rio de Janeiro. Nas ocasiões, falou sobre Metodologia do Treinamento Físico aplicada ao Futebol Moderno.

Em entrevista ao Esporte 24 Horas, Lancetta comparou os anos em que trabalhou no Botafogo e no Vasco, com o atual, onde as equipes também vivem momento complicado, flertando com a zona de rebaixamento e, no caso do clube de São Januário, com problemas políticos.

“A situação atual do Botafogo, hoje, é melhor que 2003. O clube está mais bem organizado administrativamente, porém, no futebol, o clube não acontece com a mesma leveza. A diferença maior é o dinheiro, que nós não tínhamos. Nosso primeiro treino no Caio Martins, não tinha água e luz elétrica, porém havia amor ao clube. Eu e o Bebeto de Freitas nos conhecemos com 14 anos. Eu fazia atletismo e ele jogava voleibol, nos somos eméritos do clube. Não vivo o dia a dia do clube, porém a impressão que temos é que não há comprometimento de alguns”, disse, completando sobre o Cruz-Maltino.

“Quanto ao Vasco, também vejo a situação muito difícil. A política sempre atrapalhou muito o clube. Espero, também, que o conturbado ambiente político não afete os resultados no campo de jogo.”

Rodrigo Pimpão

No Vasco, Lancetta foi o responsável pela contratação de Rodrigo Pimpão, na época vindo como revelação do Paraná. O ex-gerente de futebol do Cruz-Maltino explicou o porquê do jogador não ter se firmado em São Januário.

“Realmente, em 2010, trouxemos o Pimpão para o Vasco. Veio do Paraná Clube muito jovem, com apenas 20 para 21 anos. Acadêmico de Odontologia, teve alguma dificuldade de adaptação aqui no Rio. Porém, creio que a chegada do Carlos Alberto, que veio do Porto, foi o fator que mais dificultou a sua estada por aqui. De características de velocidade, muito raçudo,  foi pouco aproveitado pelo Dorival, treinador na época.”

Já no Botafogo, Pimpão tem tido uma boa passagem. Tanto que na partida contra o Bahia, em que a equipe acabou eliminada da competição nos pênaltis, o atacante marcou seu oitavo gol em competições internacionais pelo clube e, empatado com Sinval, é o maior artilheiro do Glorioso em torneios deste porte. Lancetta não se surpreende com o sucesso do atleta.

“Sua participação no Botafogo tem sido dentro das suas características. Sempre gostou de jogar nas laterais do campo, em velocidade. Sinval, que também foi meu jogador, na Portuguesa de Desportos, tinha característica de centroavante, de área. Sempre acreditei no jogador, tanto que o contratamos para o Vasco, e hoje estou muito feliz com o seu sucesso no Botafogo.”

Jefferson

No Botafogo, Lancetta foi quem trouxe o goleiro Jefferson, um dos maiores ídolos recentes do clube, para o Glorioso. O arqueiro anunciou que se aposenta no final da temporada. O ex-dirigente alvinegro não quis opinar se ainda é cedo para o camisa um pendurar as luvas.

“Indiquei o Jefferson. Eu o vi jogando contra o Goiás, pelo Cruzeiro, ainda nos juniores, na Copas dos Campeões, em 2002. O Botafogo, em 2003, só tinha o falecido Max. Eu o indiquei para o Acácio, ele jogou bem e se firmou no clube. Acho que não é momento para decidir ou não a sua prematura aposentadoria. Só sei que o Botafogo não tem tido sorte com os seus dois grandes goleiros, ultimamente machucados”, encerrou.

Fonte: Esporte 24 Horas