Um jogador diferente. Talvez, essa seja a forma ideal para definir o lateral Fábio. Cria do Fluminense, embora nunca tenha atuado pelo time principal do Tricolor, o jogador rumou muito cedo para a Europa. Aos 18 anos, assumiu a responsabilidade de vestir a camisa do Manchester United-ING, e pela experiência adquirida nos tempos em que era o capitão da Seleção brasileira Sub-17, correspondeu à altura o desafio de jogar pelos Red Devils por cinco temporadas.

No entanto, mesmo com carreira consolidada no futebol inglês, já que nos últimos anos acumulou passagens por Queens Park Rangers e Cardiff City, o atleta de 26 anos, que atualmente defende o Middlesbrough na Premier League, mantém um hábito bem brasileiro: assistir aos jogos do clube do coração. E no caso de Fábio, o coração bate mais forte pelo Botafogo.

Fábio em ação pelo Manchester diante do Barcelona (Foto: Getty Images)
Fábio em ação pelo Manchester diante do Barcelona (Foto: Getty Images)

Natural de Araras, na região serrana do Rio de Janeiro, o atleta, que é irmão gêmeo do também lateral Rafael, do Lyon-FRA, não vê problemas em expressar o amor pelo Glorioso, embora descarte um retorno imediato ao Brasil. E como a equipe de General Severiano decide nesta quarta-feira (22) uma vaga na fase de grupos da Libertadores diante do Olímpia-PAR, o ‘jogador-torcedor’ mantém a apreensão e até mesmo uma ponta de superstição, algo bem peculiar aos alvinegros.

“No último jogo, faltando uns quatro, cinco minutos, não consegui assistir. Fico muito nervoso”.

Lateral de 26 anos defende o Middlesbrough atualmente (Foto: Getty)
Lateral de 26 anos defende o Middlesbrough atualmente (Foto: Getty)

Confira abaixo a entrevista exclusiva:

Esporte Interativo: Falando pelo lado torcedor, como está a expectativa para a partida decisiva de amanhã, diante do Olímpia?

Fábio: Estou bastante nervoso. O jogo aqui (na Inglaterra) é 0h45, mas eu não consigo, tenho que assistir. Mesmo tendo treino no outro dia de manhã, eu me poupo, mas tenho que ver o jogo. A expectativa tá boa, o Botafogo jogou bem, estou esperando uma vitória. Acho que o Botafogo vai ganhar lá e vai passar. Na verdade, o mais importante é passar. Mas o nervosismo sempre tem né, bastante. Eu fico mais nervoso assistindo aos jogos do Botafogo do que jogando.

Esporte Interativo: Você sempre expressou seu amor pelo Botafogo de maneira muito clara. No entanto, não é muito comum vermos jogadores revelarem para quais clubes torcem. Por que isso acontece? 

Fábio: “Eu não sei porque os jogadores não expressam o amor pelos clubes que eles torcem. Na verdade, todo mundo que gosta de futebol cresceu torcendo e acompanhando algum clube. E eu acho que quando o amor é verdadeiro não acaba. Não adianta. Não tem como a pessoa falar ‘ah, eu não torço mais, sou profissional agora’. Eu realmente não entendo, e não tenho problema nenhum em falar. Eu tenho respeito pelo Fluminense, por tudo o que fez por mim, sempre falei isso. Mas eu cresci sendo botafoguense e meu amor pelo Botafogo não vai mudar. Eu queria entender porque os jogadores não falam. Às vezes as pessoas pedem pra eu evitar, mas não tem isso. Eu sou botafoguense, todo mundo já sabe. Essa foi minha escolha quando eu era pequeno. Se eu tiver vestindo a camisa de outros clubes, eu vou defender profissionalmente, mas vou continuar torcendo para o Botafogo”.

Fábio pregou respeito ao Fluminense (Foto: Reprodução)
Fábio ao lado do irmão Rafael na época de Fluminense (Foto: Getty)

Esporte Interativo: Você ainda é muito jovem – tem somente 26 anos. Por isso, ainda tem muitos tempo de carreira. Em uma eventual volta ao Brasil, a preferência, de fato, seria jogar no Botafogo? Existe um planejamento para retornar ao futebol brasileiro?

Fábio: Eu sou profissional, mas é claro que o meu sonho é jogar no Botafogo. Eu quero voltar para o Brasil daqui a pouco. Vou completar dez anos aqui na Europa e a volta para o Brasil está mais perto que eu pensava. Já tive algumas propostas, mas agora estou na Premier League, venho jogando bem, e quero ficar mais um tempo aqui. Enfim, só o tempo vai dizer pra onde eu vou. Minha vontade de jogar no Botafogo é gigantesca. Muito grande mesmo. Mas, como falei, essa é minha vida profissional, tenho minha família, e tudo isso pesa no momento. Mas a vontade de vestir o manto do Fogão é grande.

Jogador não esconde o amor alvinegro nas redes sociais (Foto: Reprodução)
Jogador não esconde o amor alvinegro nas redes sociais (Foto: Reprodução)

Esporte Interativo: Voltando para o lado torcedor, qual foi o jogo mais marcante do Alvinegro que você acompanhou? Quais são as principais lembranças?

Fábio: Minha principal lembrança foi em 1995. Eu não lembro do jogo, até porque tinha somente cinco anos. Mas lembro do meu pai comemorando, ligando para os meus tios, que são botafoguenses também. A alegria do meu pai, ligando para todo mundo, isso marcou bastante. Acho que é a principal memória. Mais recente foi no Carioca de 2010, com a cavadinha do Loco Abreu. Aquilo foi gostoso. Foi marcante também, gostei demais. Ganhar um título daquele jeito… E agora vai ser o título da Libertadores (risos)”.

Esporte Interativo: Como todo bom botafoguense, você tem alguma superstição na hora de assistir aos jogos?

Fábio: “No último jogo, faltando uns quatro, cinco minutos, não consegui assistir. Fico muito muito nervoso, mas não tenho muita superstição. Só fico muito nervoso. Nos minutos finais, não consigo nem assistir”.

Fonte: Esporte Interativo