No fim dos anos 90, Felipe era uma das grandes promessas da base do Botafogo. Campeão de torneios importantes nas categorias inferiores, o jovem era visto como um dos de maior potencial em todo o Rio de Janeiro. Aos 18, chegou ao profissional e ganhou o apelido que o popularizaria: Tigrão.

Passaram-se 17 anos, e Felipe não estourou. Segue, contudo, sendo uma promessa no Botafogo, aos 35. O atacante se aposentou novo, atrapalhado por lesões, e agora é técnico do sub-17 do clube, finalista da Copa do Brasil da categoria. Como seus comandados, ele sonha em chegar ao profissional.

Para virar “professor”, como é chamado por seus pupilos, Felipe só trocou o Tigrão por Conceição. “Achei melhor manter o sobrenome para essa nova carreira. Quando a gente para de jogar, deixa uma vida para trás. Então, é vida nova, nome novo, tudo novo”, contou, em entrevista aoESPN.com.br.

O nome que o acompanhou quando jogador foi criado por Donizete, o Pantera, seu companheiro de ataque no time principal do Botafogo em 2001. O apelido caiu nas graças do botafoguense. Assim como seu futebol, que o levou à seleção brasileira sub-20, onde jogou com Ronaldinho Gaúcho.

A carreira, ainda assim, não decolou. Lesões nos dois joelhos e problemas musculares o levaram à aposentadoria depois de apenas 12 anos como profissional. “Poderia ter acontecido sem as lesões também, claro, a gente nunca sabe. Mas eu tinha um caminho bom, bem trilhado”, lamenta.

“Mas, hoje, vejo que elas me prejudicaram como jogar, mas ajudaram para me tornar treinador. As dificuldades me fizeram melhor na parte tática. Eu tinha que ser mais inteligente, porque já não deslanchava fisicamente. Não é que agradeço as lesões, mas entendo que elas me amadureceram.”

As lesões, contudo, não fizeram esse trabalho sozinhas. Sempre tão presente na base, a discussão entre técnico acadêmicos e ex-jogadores incomoda Felipe Conceição. “A gente cria dilemas que ex-atleta não estuda e acadêmico nunca jogou bola. São extremos que não cabem”, desabafou.

“Fui um jogador mediano, estou me formando em Administração, fiz curso da CBF de treinador. Estudo muito, leio”, continua. “Temos que parar de achar que, por ser melhor tecnicamente, vai vencer. O futebol mudou, está muito mais competitivo, e a gente tem que se adaptar”.

No Botafogo, Felipe assinou sua primeira carteira profissional como jogador e também a primeira como técnico. Nesta terça, e está perto de conquistar o título mais representativo de sua carreira, depois de bater o Vitória por 3 a 1 no jogo de ida, fora de casa. Seus pupilos podem até perder para ser campeões.

O título, claro, motiva, mas Felipe se mostra satisfeito também por poder ajudar jovens para que tenham o sucesso que ele não conseguiu como atleta. “Você vai antevendo os problemas, vai avisando. Me sinto muito feliz quando consigo tirar uma pedra do caminho do menino. É uma satisfação enorme”.

E, como técnico, o Felipe vai explodir? “Penso em evoluir e, claro, chegar no profissional. No Botafogo, é o mais próximo. Nunca sabemos o dia de manhã, né, mas seria uma alegria enorme. Tomara que alguém tenha coragem de me colocar lá”, respondeu.

Fonte: ESPN.com.br