Depois de começar a série contra o Chicago Bulls com duas derrotas, o Boston Celtics tem a chance de garantir uma vaga nas semifinais do Leste no jogo seis, que acontece nesta sexta-feira, a partir das 21 horas (de Brasília), com transmissão da ESPN e do WatchESPN.

De longe, um antigo “talismã” do Botafogo estará na torcida por Isaiah Thomas e companhia.

O atacante Caio, que também defendeu o Internacional, Vitória e Figueirense, e hoje está no Al Wasl, dos Emirados Árabes, certamente dará um jeito no fuso-horário para acompanhar o time do qual é torcedor fanático, mas ainda tenta ser amuleto de sorte.

“Eu sou fanático pelo Boston Celtics. Eu acho que era o pé frio. Fui embora em 2007 e em 2008 ganharam. Até hoje brincam comigo”, disse o atacante, que ganhou o apelido de talismã após uma sequência de jogos marcando gols importantes com a camisa do alvinegro carioca, em 2010.

Fernando Soutello/Agif/Gazeta Press

Caio comemorando um gol pelo Botafogo em 2010
Caio comemorando um gol pelo Botafogo em 2010

“Eu só jogo basquete no videogame, não jogo futebol. Vejo pela TV. E eu meu pai temos camisa do Garnett. Eu era muito fã do Paul Pierce, aí chegou o Ray Allen e o Rondo”, revelou, admitindo que torceu bastante por Rondo, hoje no rival Bulls.

A paixão pela bola laranja, e pelos Celtics, começou quando, aos 10 anos, deixou Volta Redonda com a família e foi para os Estados Unidos.

“Meus pais ficaram desempregados e fomos morar nos EUA. Eu tinha um primo que estava lá. Fui morar Massachusetts”, contou, relembrando também que graças à Barreira do idioma acabou ganhando seu primeiro apelido.

“Eu frequentava a escola, não sabia falar inglês e no primeiro dia de escola a professora e perguntou o eu nome e eu não sabia. E falei ‘Yes’ (risos). Todo mundo começou a rir eu fiquei nervoso. Até hoje tinha o apelido de ‘Yes’. Todos se lembravam”, disse.

  • Com a bola nos pés

Mesmo morando no país da NBA, era com a bola nos pés que Caio se destacava. Ele conta que jogava até duas categorias acima, em jogos contra times formados por garotos da colônia portuguesa, populosa na região.

Gazeta Press

Caio comemorando gol pelo Figueirense
Caio comemorando gol pelo Figueirense

“Eu morei ate os 16 anos e me destacava muito na high school e era o melhor do estado. Saia nos jornais, mas queria ir para o Brasil. Dai meu pai falou essa era a hora, porque precisava fazer base. Só que minha mãe não queria voltar”, lembrou o atacante, que diz não ter faltado oportunidade para seguir na América do Norte.

“Eu recebi das melhores faculdades dos EUA. UCLA, Notre Dame, Saint Jones. Eram sete faculdades das melhores. Foi bem louco, não parava de chegar cartas para mim. Sports Illustrated fez duas paginas comigo. Eu era de uma ilha muito pequena, mas o impacto do nosso time era gigante. Eu fazia muitos gols e chamou atenção dos Estados Unidos todo”, disse.

Caio admite que “trocou o certo pelo duvidoso”, abrindo mão de uma bolsa de estudos para se arriscar no futebol brasileiro. “Era tanta cosia boa que não sabia o que fazer. Me bateu aquela duvida? Mas eu como tenho personalidade forte eu confiava em mim e fui para lá (Volta Redonda). Voltei sozinho para morar com a minha vó”.

A aposta deu certo.

  • Paixão pelos Celtics

Nos seis anos que passou morando em Massachusetts, Caio acompanhou Paul Pierce levar o time aos playoffs em quatro temporadas seguidas. Apesar do título só ter vindo quando já tinha voltado ao Brasil, a torcida se manteve mesmo a distância.

Arquivo Pessoal

Caio se apaixonou pelos Celtics quando morou nos EUA
Caio se apaixonou pelos Celtics quando morou nos EUA

“Ate hoje quando posso eu vejo os Celtics. Eu queria voltar lá um dia fazer um passeio para rever a cidade e ir num jogo dos Celtics. Era fascinado pelos jogos de basquete”, revelou o atacante, que teve já acompanhou jogos no TD Garden.

“Teve um primeiro me que meu primo foi com a gente (no jogo). Estava 98 a 96, com o Boston perdendo para o Miami Heat do Shaquille O’Neal. Meu primo ajoelhou e fez o sinal da cruz, e então filmaram meu primo na hora do lance livre do Paul Pierce. Chegou até a arrepiar. Ele acertou os dois e vencemos na prorrogação”, contou, não se lembrando exatamente em que ano aconteceu a partida.

Caio conta que ainda tem algumas camisas dos Celtics em seu guarda roupa. Se o fuso horário permitir, é provável que esteja com uma delas na torcida por Isaiah Thomas e companhia.

Será que o “Talismã” pode garantir a festa Boston nesta noite?

Fonte: ESPN.com.br