Em ação no futebol desde 2002, quando iniciou sua carreira no América-MG, Leandro Fahel Matos tem muita história pra contar do mundo da bola. Mais conhecido pelo nome do meio, o volante Fahel, ex-Botafogo, viveu situações pra lá de inusitadas durante a carreira, que ainda teve passagens por equipes como Bahia, Goiás, Atlético-PR e Ipatinga, além do futebol português.

Foi em terras lusitanas, aliás, que o mineiro de Teófilo Otoni viveu boa parte de suas aventuras, como o dia em que sua esposa achou que ele tivesse morrido. Aconteceu quando ele estava defendendo o Paços de Ferreira, em 2007.

“Fomos jogar um amistoso no dia do meu aniversário. Ela não conseguia me encontrar pelo celular e já estava procurando a polícia achando que já tinha morrido (risos). O problema é que o pneu do ônibus furou na estada no meio do caminho! Quando entrei em casa, umas 23h, ela estava com o rosto inchado de tanto chorar”, conta Fahel, em entrevista ao ESPN.com.br.

“Ela tinha preparado a minha festa, com bolo e tudo mais. Só faltou o aniversariante (risos)”, brinca.

Outro bom “causo” do volante em Portugal aconteceu em 2007, quando ele estava defendendo o Marítimo – além do Paços de Ferreira, o meio-campista também jogou no Beira-Mar.

“Um brasileiro do nosso time ficou com diarreia no dia anterior da partida, coitado. Mesmo assim, ele foi pra o jogo, mas no meio da partida deu dor de barriga e não tinha para onde ele correr. Aí fez nas calças mesmo (risos)”, relata.

A partir daí, a partida seguiu de maneira catastrófica para todos os envolvidos.

“No primeiro escanteio depois disso, todo mundo começou: ‘Rapaz, que cheiro é esse? Tá fedendo demais’. Eu só via os adversários saindo da área, um negócio estranho (risos). Engraçado que a área ficava vazia e ninguém queria marcá-lo (risos)”, sorri.

“Uma pena que ele não fez nenhum gol nesse jogo, podia ter feito, tava sempre desmarcado. Era uma de ‘marca você! Não, marca você’ (risos). Ninguém aguentava ficar na área perto dele. Deu dó, mas a boleirada não perdoa, né? O apelido dele virou ‘Cagão’ (risos)”, diverte-se.

Atualmente com 34 anos e sem clube desde que deixou o Paysandu, Fahel agora está estudando propostas para escolher seu próximo destino. Quem contratá-lo, sabe que ganha um volante “pegador” e também um baita contador de histórias.

O falso sequestro de Somália

Nascido no interior de Minas, Fahel tem mais três irmãos. Na infância, todos queriam ser jogadores de futebol, mas apenas ele e o mais velho, Alessandro, tiveram sorte na carreira. O volante começou no América-MG, enquanto Alessandro teve seu início no Atlético-MG, mas rapidamente teve que pendurar as chuteiras depois que sua namorada engravidou.

Contratado pelo Cruzeiro, o meio-campista foi repassado ao Ipatinga, clube pelo qual se destacou na conquista do Campeonato Mineiro de 2005, com o técnico Ney Franco no comando. Depois disso, aventurou-se no futebol português antes de retornar ao Brasil, em 2008, para jogar no Atlético-PR. Passou ainda pelo Goiás antes de chegar aos dois times em que mais se destacou: Botafogo e Bahia.

“Por cada clube que passei tenho um carinho imenso, mas acho que tenho muita identificação com o Bahia, em que fiquei quatro anos, e o Botafogo, que fiquei dois. Meus filhos nasceram enquanto eu estava no Rio defendendo o Bota, e ainda fui campeão do Carioca em 2010, que é um ano que ficou marcado pra mim”, ressalta.

É de General Severiano que vêm as melhores “resenhas” de Fahel em solo brasileiro. Boa parte delas envolve o folclórico treinador Joel Santana, que comandou a equipe da Estrela Solitária entre 2010 e 2011.

“‘Papai Joel’ é muito comédia, as preleções deles eram muito legais, só que ele era fogo! Nas concentrações, o homem marcava horário para todo mundo desligar computador e televisão, era 23h30, sem chorinho. Depois disso, ele passava fiscalizando quarto por quarto e olhava no vão da porta para ver quem estava com a luz acesa. Mas a boleirada era esperta e colocava toalhas para tampar (risos). Daí ele mandava o auxilar conferir se era toalha ou não, mas ninguém ia dormir (risos)”, gargalha.

O volante morre de rir ao lembrar da fantástica história do “falso sequestro” sofrido pelo volante Somália, que inventou que havia sido vítima de um crime, em 2011.

“O Somália morava no meu prédio, mas, na reapresentação das férias, não apareceu. Quando foi no outro dia,  disse que tinha sofrido um sequestro, daí fui correr com ele e perguntei como tinha sido a história. ‘Você sabe aquela Ponte do Cipó? Foi ali, o cara me pegou de moto’. Comecei a ficar esperto, porque eu ia para o treino de moto e isso era do lado de casa! Ainda falava para minha esposa: ‘Cuidado lá, amor, que o Somália foi sequestrado (risos)”, recorda.

O problema é que, aos poucos, a trama foi desvendada, e todos ficaram sabendo que Somália não havia sido sequestrado, mas apenas se atrasado para a reapresentação por perder a hora depois da balada. A partir daí, o jogador caiu na cotação com “Papai Joel” no Botafogo.

“Fui conversar com o zagueiro Antonio Carlos, que era muito amigo dele: ‘Tonhão, o Somália foi sequestrado perto de casa’. Daí ele segurou o riso e falou: ‘Você acreditou na história ele? Que nada, ele foi pra noite e perdeu a hora, cara (risos)’. Depois disso, o Joel não deu mais moral para ele. Era mais fácil ele falar que estava na balada e perdeu a hora, era capaz dele ganhar mais pontos ainda com o Joel. Só que cara achou melhor mentir, daí até a polícia apareceu (risos)”, finaliza Fahel.

 

Fonte: ESPN.com.br