Até meados da década de 90, o torcedor sabia que no pacote do Campeonato Carioca havia uma pitada de folclore, marcada pela língua afiada de personagens como Renato Gaúcho, Túlio Maravilha, Romário, entre outros. Polêmico, Jobson tem aproveitado seu bom momento no Botafogo para resgatar um pouco esse lado com seu jeito falastrão, irreverente e pouco preocupado com a repercussão.

Neste início de Estadual, seus gols têm sido acompanhados por entrevistas inusitadas e comemorações fora do comum. Após a vitória por 3 a 0 sobre o Bangu, por exemplo, ele, em tom de brincadeira, “cornetou” ao vivo as notas de um jornal, inclusive utilizando-se de um palavrão.

Depois de fazer o gol da vitória sobre o Nova Iguaçu, neste sábado, ele não se intimidou em se auto apelidar e mandar um recado: “O Jobgol voltou”.

No quesito comemorações, não tem tido vergonha alguma em imitar Cristiano Ronaldo com seu tradicional gesto “eu estou aqui”. A justificativa é simples: “É meu ídolo”.

Embora esteja deixando a irreverência fluir, o jogador tem sido monitorado de perto pela diretoria e comissão técnica do Botafogo.  O técnico René Simões revelou que a estratégia não tem sido “passar a mão na cabeça” do atacante e, sim, evitar que ele se deslumbre com o sucesso para que não volte a se envolver em polêmicas extracampo.

“Na minha cabeça passa um processo diferente do que fiz no Bahia (trabalharam juntos no Tricolor). Lá eu abracei, tratei com carinho, dei suporte. Aqui passei a desconstruí-lo publicamente, tirar todo o poder que ele imaginava ter. Ele era a quarta opção na pré-temporada, e aí pensei: ‘vamos ver como ele vai se sair’. E aí ele foi à luta e conquistou seu espaço”, destacou.

René Simões, no entanto, ainda não consegue definir se Jobson está realmente mudado. O treinador, porém, faz questão de elogiar seu comportamento até aqui.

“Não sei dizer se é um novo Jobson, se está recuperado ou não mas, profissionalmente, tem cumprido todas as obrigações, tem chegado com pontualidade. Contra o Friburguense, por exemplo, foi o primeiro a entrar no ônibus. Depende dele. Não estamos fazendo absolutamente nada de especial com ele. Estamos tratando-o como estamos tratando todos os outros. Com firmeza, dureza, disciplina e justiça na hora que merecerem”, disse René, que classificou sua partida contra o Nova Iguaçu como a melhor do jogador.

Um dos que tem procurado ajudar Jobson é o goleiro Jefferson. Evangélico fervoroso, ele tem levado o atacante aos cultos de sua igreja.

Disciplina e religiosidade a parte, a língua do camisa 7, ao que parece, continuará afiada.

Fonte: UOL