O Botafogo participou de maneira digna e honrosa da Copa do Brasil e da Libertadores. Apesar de não ter trazido a tão sonhada taça, chegou mais longe do que todos esperavam. A missão, agora, é se recolocar na maior competição da América, dessa vez de forma direta – o que já nos jogaria às oitavas da Copa nacional.

Só que, apesar de o desafio ser novo, os problemas continuam os mesmos. A falta de produtividade no setor ofensivo, nosso maior obstáculo na temporada, volta a aparecer e ameaçar nossos objetivos. Assim como não marcamos um gol sequer contra Flamengo e Grêmio nos mata-matas, voltamos a ter enorme dificuldade de chegar às redes no Brasileirão.

O trabalho de Jair é quase perfeito no que diz respeito à marcação e saída para o contra-ataque. O time é compacto, objetivo e, algumas vezes, letal. Com os espaços deixados pelos adversários, o Alvinegro se infiltra e, com liberdade para trabalhar, chega ao gol. Foi dessa maneira que arrancamos do Z4 à América em poucos meses.

O problema é justamente quando precisamos propôr o ritmo da partida. Pare e pense quantos gols de bola trabalhada o Botafogo fez nas últimas partidas. Tirando pênaltis, escanteios e faltas perto da área, quando o time vai para o abafa, os números são quase nulos. E isso não é novidade: desde o ano passado, sofremos muito para marcar gols.

Vitor Silva / SSPress

Vitor Silva / SSPress
Maior responsável pela criação, Marcos Vinícius esteve apagado

E não é só falta de qualidade, como muitos apontam. Também temos peças razoáveis na defesa, mas o coletivo funciona e a competitividade aparece. A mesma organização, no entanto, não dá as caras no setor ofensivo. Não há padrão de posicionamento; as trocas de passe, quase sempre, são aleatórias. Os cruzamentos são péssimos. Tabelas, triangulações e passes eficientes em profundidade são fatos raros no time de Jair.

Hoje, após um primeiro tempo equilibrado, dominamos a posse de bola na segunda etapa. O Vasco, acuado, acabou nos fazendo provar do próprio veneno: segurou-se no campo de ataque, anulou nossas tentativas e marcou num contra-ataque. E não há nada de errado nisso, diga-se de passagem – seria até hipocrisia nossa reclamar de uma postura que nos levou tão longe.

O time precisa ter mais naturalidade e eficiência na frente. Treinar um posicionamento padrão, da mesma forma como nos defendemos. Ter organização, jogar em bloco e, a partir daí, deixar a criatividade fluir. Atualmente, temos duas opções: fazer isso funcionar ou encarar novamente o sacrifício de uma pré-Libertadores. Ainda prefiro a primeira opção.

O jogo em si

No Maracanã, o Botafogo agrediu pouco e apanhou muito. Desde o início do jogo, o Vasco distribuiu joelhadas nas costas e na cabeça, com Anderson Martins, e carrinhos criminosos, como o de Nenê, já no fim da partida.

Houve, ainda, espaço para as sempre presentes polêmicas de arbitragem. Uma mão claríssima de Madson dentro da área e outra duvidosa de Ramon, também em lance de possível pênalti. No campo defensivo, foi a vez de Nenê supostamente jogar vôlei – mas as TVs, dessa vez, estranhamente não tinham câmeras conclusivas, mesmo diante do “show de imagens” que tanto exaltam.

Nada disso, no entanto, serve de desculpa para a derrota. O time não se apresentou bem, principalmente no último terço do campo, e praticamente não criou chances claras. Falta caprichar nos passes, nos chutes e nos cruzamentos – basicamente tudo o que nos leva ao gol.

Notas

Gatito Fernández: 6
Pouco trabalhou e não teve culpa no gol – o chute de Nenê desviou na perna de Carli e tornou-se indefensável.

Arnaldo: 7
Bom jogo. Apresentou-se no ataque e foi correto na defesa. Dosou as arrancadas, o que as tornou mais proveitosas. Falta, agora, caprichar nos cruzamentos.

Joel Carli: 6,5
Venceu o duelo com o ataque vascaíno, mas acabou desviando a bola no lance do gol – sem culpa, logicamente.

Igor Rabello: 6
Mais uma atuação segura, ganhando bolas por cima e por baixo. Evoluiu demais o seu jogo. No entanto, não poderia ter parado para reclamar de mão em meio ao lance – ainda mais com Nenê de frente pro gol.

Victor Luis: 4,5
Vive péssimo momento. Deixando espaços na defesa e mandando muito mal nos cruzamentos, precisa voltar a jogar bem diante da sua importância dentro do time.

Rodrigo Lindoso: 6,5
Discreto, mas eficiente nos passes. Distribuiu as bolas de trás e fechou espaços na marcação.

João Paulo: 8
O melhor do time em campo. Esteve em todos os lugares, marcou e saiu para o jogo. Foi quem mais levou perigo – e deveria ter batido a falta no fim. Sem a obrigação de ser o meia criativo, seu futebol fluiu mais.

Bruno Silva: 6
Sempre opção pela direita, mas não tem estado inspirado – especialmente no ataque.

Marcos Vinícius: 5,5
Apareceu um pouco mais para o jogo, mas ainda está devendo muito. Precisa explorar sua melhor arma, que é o chute de longa distância. Com uma sequência, poderia evoluir.

Rodrigo Pimpão: 5
Tecnicamente muito mal. Errou domínios, passes e cruzamentos fáceis. Precisa focar 100% para voltar a ter um rendimento positivo.

Brenner: 5,5
Perdido em meio aos zagueiros, não sobrou uma bola para guardar. Faltou caprichar no pivô e se movimentar melhor para criar oportunidades.

Guilherme: 5,5
Demorou muito para entrar e, no pouco tempo efetivo em campo, não conseguiu nada.

Vinicius Tanque: 5,5
Digno de registro, apenas uma finalização torta para fora – talvez a melhor oportunidade do Botafogo para acertar o gol. No restante, muito pouco tempo em campo.

Gilson: 5
No pouco que participou, errou passes e bateu uma falta frontal na barreira.

Jair Ventura: 6
Seu time repetiu o bom jogo defensivo, mas, sem a possibilidade de contra-atacar, fica muito limitado. Como disse no jogo anterior aqui, precisa trabalhar melhor o posicionamento e a organização ofensivos. É possível, sim, fazer melhor do que temos visto.

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC