Com o seu principal produto cada vez mais desprestigiado pelos grandes clubes, com média de público no ano passado de apenas 2,8 mil torcedores por jogo, a Federação de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj) tratou de impôr a “Lei da Mordaça” para blindar o Estadual.

Por força do Regulamento Geral das Competições (RGC), críticas públicas de presidentes, diretores das agremiações ou jogadores que indiretamente esvaziem a competição custarão R$ 50 mil aos cofres do clube. A multa será “dobrada a cada ato lesivo gerado por qualquer outro membro da mesma associação”, segundo consta no regulamento.A mordida cairá pela metade caso o ato ou declaração seja “desmentido em nota oficial assinada pelo presidente da associação e publicada na primeira página do site do clube em até 48 horas de sua ocorrência”.

A cruzada da Ferj contra o crescente desinteresse dos quatro grandes da capital atingiu o seu auge há dois anos, quando Rubens Lopes, presidente da entidade, entendeu que o Fluminense boicotou a competição. Na cerimônia de premiação do Estadual de 2013, o cartola ironizou a postura tricolor:

— Quero agradecer a 15 clubes (o torneio tem 16 times). Foi um ano atípico pelo desprestígio que um filiado tentou dar ao campeonato.

A proposta de minimizar os estragos causados por times mistos ou declarações que atinjam o Carioca foi formulada por Lopes, e aprovada por unanimidade em Assembleia Geral realizada no dia 5 de dezembro de 2014.

— Nós temos de prestigiar o Carioca. O local adequado para as críticas é o Conselho Arbitral.Se tivermos algo para falar, levaremos ao Rubens para dialogarmos com franqueza e liberdade. Falar mal só denigre — afirmou Carlos Eduardo Pereira, presidente do Botafogo.

O cerco não se resumirá apenas a este item. Também segundo o RGC, os clubes poderão inscrever até 28 jogadores. A medida visa impedir que clubes atuem com equipes mistas e repletas de jogadores da base. No entendimento da Ferj, a frequência nos estádios poderá aumentar graças a este dispositivo.

As assessorias de Eduardo Bandeira de Mello (Fla) e Peter Siemsen (Flu) informaram que eles não se manifestariam. O Jogo Extra não conseguiu contato com Eurico Miranda, do Vasco. E a Ferj está de recesso.

Fonte: Extra Online