Fernandes chegou ao Botafogo com apenas 10 anos. E já com essa idade, o apoiador teve que encarar uma dura realidade: sustentar sua família. Quando ainda estava no juvenil, ele já tinha salário de primeiro escalão da categoria dos juniores. Essa foi a forma encontrada pelo clube de manter e ajudar o atleta, que via sua família passar por dificuldades. Ele, juntamente com os pais, morava em uma comunidade de Bento Ribeiro e sequer tinha um banheiro em sua casa – ele dividia vaso sanitário e chuveiro com os demais vizinhos.

Promovido para os profissionais no início do ano, Fernandes tem que lidar com a pressão de lidar com o status de grande esperança para o futuro. O início não poderia ser melhor: boas atuações, gol e reconhecimento. E o reconhecimento veio em forma de um novo contrato, já que o Botafogo decidiu prolongar o vínculo: vai até dezembro de 2017, com multa rescisória de R$ 35 milhões.

Se hoje as quantias são altas, o passado não foi fácil para Fernandes. Quando ainda não era visto pelos gramados, o apoiador encarava uma dura realidade. Morava em uma comunidade carente, que sequer tinha banheiro particular. Ele, seu pai Jader e sua mãe Sandra dividiam um sanitário com os demais vizinhos. Tudo porque a família não tinha dinheiro suficiente para reverter essa situação.

E com apenas 10 anos, Fernandes entrou no Botafogo. A partir dos 13 anos, passou a ser remunerado e começou a mudar a história de sua família. O luxo ainda não é uma realidade, mas a dignidade já se faz presente em sua vida. O apoiador, por exemplo, ainda não tem um carro e é comum vê-lo deixando o Engenhão, após um dia de treino, caminhando. Algo inimaginável no mundo futebol.

Outra forma encontrada pelo Botafogo para ajudar a família foi contratar Sandra, mãe de Fernandes para ficar na cantina de Marechal Hermes, onde ficavam as categorias de base do clube. Dali saiu um importante dinheiro que completou a renda da família, unido ao salário que Jader ganhava como pintor. A dificuldade sempre esteve presente, mas ele encontrou a luz no fim do túnel.

“É um dos nossos talentos. Está com a gente há muitos anos e tem uma bela história de vida. Apostamos muito nele e por isso tomamos alguns cuidados. Ele tem contrato longo, até fim de 2016, mas ampliamos para não darmos brecha. Ele pode ter papel importantíssimo nessa temporada”, disse o vice de futebol, Antônio Carlos Mantuano, ao UOL Esporte.

Os cuidados especiais tomados pelo Botafogo citados pelo dirigente são claros. Fernandes, por exemplo, tem sido preservado pelo clube, que vetou entrevistas exclusivas neste momento. Tudo para que o apoiador mantenha os pés no chão e não se deslumbre com as novidades. Um tempo para que ele se acostume com a nova realidade que terá pela frente.

Com algumas convocações para a seleção brasileira de base, Fernandes é a principal aposta do Botafogo e conquista seu espaço no elenco. Ele, por exemplo, entrou em todas as partidas neste início de Campeonato Carioca e virou xodó da torcida. É apenas o começo de uma carreira, mas por tudo o que já foi conquistado no âmbito pessoal, Fernandes já é um vencedor.

Fonte: UOL