Após quase dois anos, o torcedor do Botafogo finalmente pôde voltar a pisar no Engenhão, que agora passou a se chamar Estádio Nilton Santos, ou simplesmente Niltão. Os mais fanáticos estavam extasiados e até mesmo emocionados na volta para casa. Melhor ainda com a goleada por 4 a 0 sobre o Bonsucesso. Entretanto, o local, que recebeu 11 mil alvinegros – 17 mil ingressos estavam à venda – apresentou problemas que precisam ser reparados o quanto antes para a sequência da temporada.

A primeira questão surgiu antes mesmo do dia do jogo. Os botafoguenses que se organizaram para comprar ingressos com antecedência sofreram com a instabilidade do sistema de venda. Em alguns casos, o torcedor levava quase 2h para um serviço que demoraria poucos minutos. No domingo a venda funcionou sem maiores problemas e com fila reduzida.

Isso para comprar o ingresso, porque para entrar no estádio… Com apenas uma entrada por setor, os torcedores se acumulavam e encaravam grandes e demoradas filas. O local mais cheio foi o Oeste, destinado para as organizadas e com visão centralizada. Nesse setor, as filas chegaram a se misturar com quem comprava ingressos, tamanha a lentidão para chegar às arquibancadas. Os mais fanáticos, porém, não ligaram. Iniciaram um rápido bate-papo e aproveitaram a festa.

E foi justamente neste momento que os botafoguenses tiveram um choque de realidade. Com cadeiras sujas, o Engenhão mostrou que de fato há muita coisa a ser feita pela frente. Muitos torcedores desistiram de sentar. Outros foram vencidos pelo cansaço e decidiram sujar calças e bermudas após certa relutância. Os mais fanáticos, porém, não ligaram. Sentaram mesmo e aproveitaram a festa.

Outro detalhe importante foi o não funcionamento pleno dos telões e placares. Enquanto as telas sequer foram ligadas, um placar foi improvisado no Engenhão, sendo colocado na parte externa de um dos camarotes. Foi uma baita diferença do que ocorria antes da interdição, com telões interativos e ações de marketing. Os mais fanáticos, porém, não ligaram. Comemoraram a cada um dos quatro gols e ignoraram o resto.

Para finalizar, o estacionamento do Engenhão deu mostras que precisa se adequar a jogos em que a torcida comparece em maior número. Após a goleada, os botafoguenses levaram quase uma hora para chegar à rua. Muitos perderam a paciência e praticamente criaram um novo bloco de carnaval com as buzinas de seus automóveis. Os mais fanáticos, porém, não ligaram. Saíram dos carros e cantaram o hino do clube no volume máximo. O que valia era a festa.

Mesmo longe do ideal por conta dos inúmeros problemas, não havia um torcedor que não estivesse orgulhoso de ter sua casa de volta após quase dois anos. Foi como ter voltado com uma ex-namorada e percebido no encontro que ela voltou com alguns quilinhos a mais. Os mais fanáticos, porém, não ligaram. O amor estava no ar.

Fonte: UOL