Depois que Vágner Mancini deu início ao coletivo do Botafogo nesta sexta-feira, o aniversariante Murilo, agora com 20 anos, marcou um gol com poucos segundos de atividade. A pouco metros do campo, Paulo Renato Costa não escondia o sorriso orgulhoso. Pai de Murilo, ele criou o filho balançando outras redes. Além de jogador do Liberal, da pequena São José do Norte, no litoral gaúcho, Paulo tem grandes lembranças dos mais de 10 anos que trabalhou como pescador em alto-mar.

Corvina ou tainha eram alguns dos peixes que Paulo busca no Atlântico, mas acabou deixando a profissão graças ao filho. Primeiro, a família acompanhou o Murilo quando ele foi jogar no Caxias, em Caxias do Sul, aos 13 anos. Há dois anos, a família mudou-se mais uma vez, dessa vez para Porto Alegre, quando o atacante foi contratado pelo Internacional. Campeão brasileiro sub-20 e artilheiro da competição com cinco gols, Murilo não acertou a renovação com o clube gaúcho e, em setembro, chegou ao Botafogo com contrato por dois anos. A família e a namorada que estão no Rio para a comemoração do aniversário virão em definitivo para o Rio no início do ano que vem. Antes disso, Murilo espera conquistar também a confiança da torcida do Botafogo.

— Eu cheguei quase no final da temporada e é importante mostrar alguma coisa ainda neste ano. Espero ter esta oportunidade no domingo e, entrando, mostrar ainda mais para que no ano que vem eu já entrar com a torcida me conhecendo mais — disse Murilo, que já entrou quatro vezes no decorrer dos jogos, mas ainda não balançou as redes. — O melhor presente foi saber que o Mancini me confirmou (como titular) e seria ainda maior se domingo a gente ganhar. Quem sabe terá um golzinho meu, mas o importante são os três pontos.

Ao lado do pai, com quem compartilha grande semelhança física, Murilo se descontrai e lembra de momentos que viveu com a camisa do Botafogo. Contra o Corinthians, teve duas grandes chances de marcar, mas as desperdiçou. O time acabou não precisando, já que, mesmo sem o favoritismo, saiu da Arena Amazônica com a vitória por 1 a 0. Ainda assim, as chances ainda não saíram de sua cabeça.

— Eu me cobro muito quando perco um gol. Em um dos lances, recebi do Andreazzi na área e o Cássio tirou com o pé. Naquela noite, liguei para o meu pai e falei com ele — contou Murilo, que tem sido elogiado por Mancini. — Ele me diz para arriscar chutes quando tiver uma chance. Eu sempre me preocupei muito com finalização desde que jogava no Caxias porque lá, quando você ia enfrentar o Inter ou o Grêmio, ia ter só uma ou duas chances de marcar e tinha que arriscar.

Esse não foi o único pedido de Mancini. Assim como Wallyson, que tinha a função de marcar o lateral adversário, Murilo também terá essa função contra o Cruzeiro.

— A função específica dele é a mesma que o Wallyson vinha desenvolvendo, com lucidez e função tática. Tem que acompanhar o Mayke ou o Ceará, quem jogar por ali. Vai ter que marcar, voltar e correr muito. O Murilo tem capacidade físcia e me dá confiança — disse o treinador.

Ao comentar a lesão de Wallyson, que, com uma torção grave no tornozelo direito, ainda não tem data para regressar ao time, Murilo primeiro lamenta a saída do colega e, depois, fala sobre a diferença entre as características dos dois.

— Ele é um jogador veloz e que joga pela esquerda e corta para a direita para chutar. Eu sou canhoto e meu estilo de jogo sempre foi mais de drible. Apesar de ser atacante e gostar de chutar ao gol, eu também sou de dar assistências — garantiu Murilo.

Não é só o atacante que vende seu peixe, seu pai faz o mesmo e dá ilusões ao torcedor alvinegro de que terá um novo jogador para balançar as redes adversárias.

— A característica dele é de pegar a bola e partida para cima. Ele vai em direção ao gol e isso é importante ao atacante. E ele tem um bom arremate ao gol, o que para um jogador da posição ajuda bastante — disse Paulo.

Fonte: O Globo Online