As finais dos Estaduais do Rio de Janeiro e de São Paulo têm uma inversão de forças entre os seus oito times grandes em relação ao que ocorreu no Brasileiro-2014. Quem esteve mal no Nacional chegou às decisões. Quem fez boas campanhas ou pelo menos razoáveis foi eliminado nas semifinais do final de semana.

No Paulistão, classificaram-se à final Palmeiras e Santos contra Corinthians e São Paulo, respectivamente. No ano passado, o time palmeirense lutou para não cair no Brasileiro: ficou em 16o lugar; e a equipe santista terminou em 9o. Já os eliminados corintianos e são-paulinos classificaram-se para a Libertadores, com a quarta e a segunda posições.

Como se explica essa inversão? No caso do duelo na Vila Belmiro, o São Paulo teve uma queda de desempenho considerável, perdido apesar de reforços. Já o Santos se reconstruiu das cinzas com seus garotos mesmo enfrentando uma crise financeira que lhe fez perder parte do elenco.

O dérbi foi equilibrado e tanto corintianos como palmeirenses poderiam sair vitoriosos dos penais. Mas isso é uma demonstração da recuperação do time alviverde que contratou uma série de jogadores e conseguiu aumentar sua fonte de receitas, o que o elevou a patamar pelo menos similar ao rival.

No Rio de Janeiro, os finalistas são o Botafogo, rebaixado para a Série B, e o Vasco, que é oriundo da Segundona. Deixaram para trás o Fluminense (6o colocado) e o Flamengo (10o), que podem não ter feito campanhas brilhantes, mas estavam à frente dos rivais.

Por que a troca de posições? Quebrados e com novos presidentes, botafoguenses e vascaínos tiveram uma trajetória similar com elencos modestos, uma tentativa de arrumar a casa financeiramente e a aliança com a Ferj (Federação de Futebol do Rio). Seus elencos foram o suficiente para ter jogos equilibrados contra os adversários, e derrotá-los sem sobras.

No caso tricolor, isso pode ser explicado pelas perdas do time após o rompimento com a Unimed: tornou-se uma equipe de garotos. O Flamengo deveria ter vantagem sobre os rivais pelo seu maior investimento, mas seu técnico Vanderlei Luxemburgo não foi capaz de traduzir isso em campo. Somado a isso, ambas as equipes foram prejudicadas por árbitros e pela Justiça Desportiva, no caso do Flu.

Essa inversão de forças nas finais dos Estaduais não significa que isso vai se repetir nas competições mais importantes como Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores. Até porque o desempenho nos regionais, em boa parte das vezes, tem tido pouca relevância para se projetar o que acontecerá no restante da temporada.

Fonte: Blog do Rodrigo Mattos - UOL